Futebol feminino

‘Oportunidades são poucas e raras’: treinadora do Chelsea desabafa sobre ausência de mulheres no comando técnico

Emma Hayes desabafou sobre a escassez de trabalho para mulheres em comissões técnicas e projetou mudanças que precisam ser promovidas pela Superliga Feminina da Inglaterra

De acordo fechado com a seleção feminina dos EUA, a atual treinadora do Chelsea, Emma Hayes, disse que as oportunidades para mulheres no comando técnico de equipes ainda são “poucas e raras”. Em entrevista ao jornal britânico BBC Sports, Hayes disse que é necessário mais apoio financeiro e educação para aumentar o número de profissionais femininas em clubes profissionais.

– Temos que reconhecer que as oportunidades são poucas e raras. Precisamos pensar em maneiras diferentes de educar as mulheres desde a tenra idade – desabafou a técnica de 47 anos.

– Temos muito trabalho a fazer para preencher essa lacuna.

E por mais triste que seja a realidade, Emma tem razão no desabafo, porque os números provam exatamente o que ela diz. Na semana passada, Melissa Phillips foi demitida pelo Brighton & Hove Albion, apenas 10 meses depois de assumir o cargo. Ou seja, além da raridade das chamadas “big breaks” (grandes chances, em português) para as mulheres, ainda existe a falta de longevidade nos trabalhos.

Dos 12 times da Superliga Feminina da Inglaterra (WSL), apenas quatro têm mulheres no comando agora: Hayes no Chelsea, Carla Ward no Aston Villa, Lauren Smith no Bristol City e Rehanne Skinner no West Ham.

– Trata-se de criar padrões mínimos para que a acessibilidade de mulheres no jogo seja pensada de forma diferente… Fazer com que os clubes estejam em posição de estabelecer padrões mínimos para contratar mulheres, seja no nível de assistente ou técnica. Fazer isso é um desafio.

Mulheres não são incentivadas a serem treinadoras

Apesar do aumento significativo de jovens atletas ingressando no futebol feminino da Inglaterra nos últimos anos, as mulheres ainda não possuem o apoio necessário para seguirem a carreira de treinadoras no topo da modalidade. Isso sem contar que o mercado do futebol ainda não viu a nomeação de uma técnica para comandar uma equipe masculina.

– Temos que considerar o custo como ponto de partida. São cerca de 10 mil libras (cerca de R$ 63 mil) para obter uma licença profissional. E os salários no futebol feminino são insignificantes em comparação com o masculino. Temos que destinar mais dinheiro para as treinadoras, não apenas no futebol feminino, mas para as treinadoras em geral – afirmou Emma.

– Temos que pensar em educar as jogadoras muito mais cedo em suas carreiras, talvez até durante os intervalos internacionais, onde há mais tempo de inatividade… E o mais importante, apoiar para que elas possam passar pela formação de treinadoras – acrescentou.

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Heyes faz história na WSL

Emma Hayes tem uma carreira repleta de troféus ao longo dos 12 anos à frente do comando técnico do Chelsea. São seis títulos da WSL, cinco Copas da Inglaterra e duas Copas da Liga. E essa temporada pode ser novamente das Blues, que estão na liderança da Superliga e avançaram para as quartas da Champions League com tranquilidade.

– Continuar vencendo, como temos feito há tantos anos, será um desafio por si só. Mas fazer isso sabendo que haverá mudanças no final da temporada será um verdadeiro crédito e uma prova para os jogadores serem capazes de manter o foco – concluiu a treinadora.

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