Conhecimento tático de Emma Hayes será seu grande trunfo para comandar a seleção americana
Técnica badalada do futebol inglês, Emma Hayes chega para dar aos Estados Unidos uma atualização em relação ao que é feito na Europa para a superpotência da modalidade
Emma Hayes foi confirmada como nova técnica da seleção americana feminina, conforme já era falado desde o começo de novembro. Uma das treinadoras mais vencedoras da modalidade, ela deixará o time feminino do Chelsea ao final da temporada depois de uma carreira recheada de glórias pelos Blues. Agora, o desafio será voltar a fazer dos Estados Unidos a seleção mais forte do mundo e atualizar o time para a forte concorrência das europeias.
A escolha de Hayes é natural, dado o seu histórico vitorioso e também o seu passado trabalhando no país. Ela substitui Vlatko Andonovski, que não teve sucesso na Copa do Mundo Feminina. Será a segunda técnica inglesa na história da seleção americana. Hayes tentará repetir o imenso sucesso que teve Jill Ellis, que comandou a equipe de 2014 a 2019, quando conquistou duas Copas do Mundo.
Hayes, de 47 anos, será a técnica mais bem paga no futebol feminino no mundo. Ela comandará o Chelsea até o fim da temporada para tentar novamente o título inglês. A treinadora assumirá o seu novo posto em maio de 2024, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Paris, uma das competições mais importantes do ciclo.
A treinadora tem muitos títulos pelo Chelsea: são seis ligas inglesas, cinco Copas da Inglaterra, duas Copas da Liga Inglesas e uma Community Shield, a Supercopa da Inglaterra. Ela levou o Chelsea também à final da Champions League feminina, mas acabou perdendo para o poderoso Barcelona.
Nascida em Londres, a treinadora começou a carreira nos Estados Unidos, comandando o Long Island Lady Riders. Depois, comandou o time universitário de Iona College. Foi assistente técnica do Arsenal por dois anos, seu primeiro trabalho na sua terra natal. Depois, voltaria aos Estados Unidos por mais dois anos, onde comandou o Chicago Red Stars, na NWSL, de 2008 a 2010.
Hayes: “É uma grande treinar o time mais incrível da história”
A US Soccer (USSF) confirmou a contratação da técnica inglesa na terça-feira. A presidente da US Soccer, Cindy Parlow Cone, comentou sobre a contratação. “Emma é uma líder fantástica e uma técnica de classe mundial que estabelece padrões altos para ela mesma e para todas ao seu redor. Ela tem uma tremenda energia e tem uma forme insaciável de vitória”, afirmou a dirigente.
“Sua experiência nos Estados Unidos, seu entendimento do nosso cenário futebolístico e seu apreço pelo que significa ser técnica deste time a torna uma escolha natural para esta função e não poderíamos estar mais satisfeitos em a ter conosco para liderar nossa seleção feminina”, continuou Cone.
“Esta é uma grande honra ter a oportunidade de treinar o time mais incrível da história do futebol feminino. Este sentimento e conexão que eu tenho por este time e por este país são profundos. Sonhei em treinar os Estados Unidos por um longo tempo e conseguir esta oportunidade é um sonho que se realiza”, continuou.
“Eu sei que há trabalho a ser feito para atingir os objetivos de vencer consistentemente nos mais altos níveis. Para chegar aqui, isso querer dedicação, devoção e colaboração dos jogadores, comissão técnica e todo mundo na US Soccer Federation”, continuou Hayes.
A US Soccer chegou a um acordo com para pagamentos iguais entre seleções feminina e masculina no que diz respeito a profissionais e aos jogadores e jogadoras, que recebem diárias e bônus por estarem a serviço da seleção. Com isso, o salário de Hayes estará alinhado ao do técnico da seleção masculina, Gregg Berhalter, que tem salários de US$ 1,6 milhão por ano, segundo relatório financeiro da USSF de 2022. É possível que ele receba um aumento após novo acordo para este ano, que deve alinhar com o salário de Hayes, na casa dos US$ 2 milhões.
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Conhecimento tático de Hayes pode renovar a seleção americana em campo
Um dos pontos centrais da escolha de Emma Hayes para o cargo de técnica da seleção americana é a parte tática. No processo de seleção do nome que comandaria o time, a federação americana fez pesquisas com as jogadoras após a saída de Vlatko Andonovski. E o aspecto tático foi muito falado pelas jogadoras e algo que foi visto na Copa. As americanas não encontravam soluções para os desafios colocados por seleções adversárias, a não ser puramente o talento. E isso já não parece o suficiente.
Um dos pontos que mais apareceram é receber mais instruções táticas para construção ofensiva, jogar no meio-campo e ter soluções em espaços pequenos, tendo os jogadores e as táticas para vencer o bloqueio defensivo. Isso tudo é algo que Hayes terá o desafio de endereçar e tem um histórico que mostra que ela sabe como fazer isso.
O Chelsea comandado por Hayes enfrentou times com blocos defensivos baixos, as famosas retrancas, com grande frequência. O time se tornou a maior potência do futebol feminino inglês, o que, por consequência, viu muitos dos seus adversários se defenderem ainda mais ferozmente. E isso exigiu que O Chelsea de Hayes soubesse se adaptar a diferentes circunstâncias.
Hayes não teve medo de mudar a disposição tática do time diante das necessidades. O time jogou no 4-2-3-1, no 4-3-3, 5-2-1-2-, 3-4-3 e até 3-4-1-2. A técnica não se importa de mudar a formação mesmo durante os jogos, se ela vir que as coisas não estão funcionando como treinador e planejado.
Já aconteceu do Chelsea mudar de uma linha defensiva de quatro jogadores para uma linha com três logo nos minutos iniciais, quando a técnica viu que a formação pensada para começar não funcionou. A fluidez do time com Hayes é grande, o que pode ser um ponto importante para os Estados Unidos, que se tornaram mais rígidos taticamente com o tempo.
Só que isso também pode ser uma fraqueza. Porque em alguns momentos, a impetuosidade de Emma Hayes para mudar o time pode também levar a problemas. No cenário de seleções, onde os jogos eliminatórios não tem nem ida e volta, uma decisão dessas pode colocar a perder todo o torneio. Será algo que ela precisará aprender a lidar e escolher quais riscos correr.
O desafio de times como a Inglaterra, comandada por Sarina Wiegman, e a Espanha, campeã do mundo, aumentou nos últimos anos. A Copa do Mundo foi uma demonstração que a concorrência subiu de nível, em diversos locais, especialmente na Europa. Os europeus têm investido muito nas suas ligas locais e até na competição continental, o que tem aumentado a disputa e concorrência.
A Alemanha, que já dominou o futebol feminino europeu, hoje tem concorrentes fortes, como a própria Inglaterra, campeã europeia em 2022, além da Espanha, campeã do mundo de 2023. Isso sem falar em outros times tradicionais, como a Suécia, que eliminou os Estados Unidos na Copa do Mundo.
Além do desafio das concorrentes mais qualificadas, Hayes terá outro desafio importante na seleção americana: a gestão de elenco. O grupo já foi descrito como difícil de ser gerenciado, com grandes personalidades e jogadoras enormes. Só que Hayes tem isso como um dos seus pontos fortes. A sua forma de lidar, compreensiva, mas sendo dura quando necessário, é algo que pode ser importante para voltar a fazer dos Estados Unidos a grande potência que foi até 2019.
É sem dúvida um passo enorme tanto para Emma Hayes quanto para a seleção americana. É uma das maiores técnicas do mundo e terá pela frente um trabalho empolgante com um elenco recheado de grandes jogadoras, inclusive uma nova geração que já começou a mostrar seu talento. A NWSL vive uma nova era com novo acordo de transmissão, que deve fortalecer ainda mais seus times. Devem ser tempos empolgantes para o futebol feminino nos Estados Unidos.



