Libertadores Feminina

Libertadores feminina: como rivalidade entre técnicos segue colocando fogo no Corinthians x Palmeiras

Arthur Elias e Ricardo Belli, ex-técnico e técnico dos times femininos de Corinthians e Palmeiras, respectivamente, têm histórico de estranhamento que só tem aumentado rivalidade

O clima continua quente entre Corinthians e Palmeiras, mesmo três dias depois de o Timão ter conquistado o tetracampeonato da Libertadores Feminina, no último sábado (21). O Dérbi foi recheado de momentos de tensão, inclusive com jogadoras se estranhando dentro de campo. Entretanto, essa rivalidade ganhou mais um desdobramento no futebol feminino com a rixa de Arthur Elias e Ricardo Belli. 

Em uma publicação nas redes sociais, o técnico palmeirense agradeceu o povo colombiano que, segundo ele, “aplaudiu mais o segundo lugar do que o primeiro”. A afirmação gerou a indignação de torcedores corintianos, que apontam uma certa inveja de Belli.

– Fica minha gratidão aos torcedores e amigos que sempre estão conosco. E também ao povo Colombiano que aplaudiu mais o segundo lugar do que o primeiro. Muito obrigado pelo carinho, com certeza esse reconhecimento jamais será esquecido – disse na legenda da publicação.

Mas será que toda essa celeuma se resume a uma “dor de cotovelo”? Pensando nisso, a Trivela traz um resumo da rixa de treinadores que furou a bolha do futebol feminino.

Qual é a treta entre técnicos de Corinthians e Palmeiras?

Logo depois de perder o título para o Corinthians, Ricardo Belli entrou na sala de coletiva de imprensa claramente abatido, mas teceu elogios à torcida colombiana. Ou seja, é fato que Belli ficou encantado com o carinho que sua equipe recebeu. Além disso, o treinador também reclamou da arbitragem da final. 

– O que mais estranhou a gente foi que, mesmo com o VAR, a árbitra não foi chamada nem para checagem para a árbitra revisar. Eu acho que é um ponto de reflexão para todos nós, né? Se existe o VAR, assim como aconteceu no jogo contra Atlético Nacional, onde a árbitra foi chamada para fazer a checagem e retirou um gol nosso, hoje a árbitra não foi chamada. Então, numa jogada tão rápida assim, com tanto replay, com tanta tecnologia que a gente tem hoje, poderia ter tido uma conduta melhor – afirmou.

As imagens são claras. Realmente, aos 51 minutos do segundo tempo, uma bola cruzada venenosamente na área adversária toca no braço da zagueira Andressa. O VAR entendeu que o lance foi normal, por ela estar com o corpo colado ao da adversária, e deixou o jogo seguir. Um lance de interpretação que, obviamente, deixaria qualquer treinador com a pulga atrás da orelha. Afinal de contas, o futebol é assim. 

 

Mais um Dérbi à vista

Pelas semifinais do Paulistão Feminino, Corinthians e Palmeiras entram em campo nos dias 4 e 12 de novembro. Desta vez, a equipe alvinegra não terá Arthur na área técnica, porque o treinador já assumiu permanentemente o cargo na Seleção

Na história do Dérbi feminino, as equipes se enfrentaram 17 vezes, por quatro competições diferentes: Campeonato Brasileiro, Campeonato Paulista, Supercopa do Brasil e Libertadores. O Timão leva vantagem no histórico.

Em dez oportunidades, as Brabas saíram vitoriosas de campo e balançaram as redes 27 vezes, enquanto as Palestrinas somam duas vitórias e 15 gols marcados. Além disso, as equipes ficaram somente no empate em outras cinco partidas.

Veja o retrospecto recente de decisões entre Corinthians x Palmeiras

  • Campeonato Paulista 2020 – Semifinal

Palmeiras 0 x 1 Corinthians
Corinthians 2  x 2 Palmeiras

  • Campeonato Brasileiro 2021 – Final 

Palmeiras 0 x 1 Corinthians
Corinthians 3 x 1 Palmeiras

  • Campeonato Brasileiro 2022 – Semifinal

Palmeiras 2 x 1 Corinthians
Corinthians 0 x 4 Palmeiras

  • Libertadores Feminina 2023 – Final

Palmeiras 0 x 1 Corinthians

Como começou a rixa entre Arthur Elias e Ricardo Belli?

Desde que Arthur Elias foi convidado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para assumir a Seleção Feminina, Ricardo Belli demonstrou incômodo. No dia 2 de setembro, um dia após a primeira convocação de Arthur, o treinador do Palmeiras criticou a lista que continha nove atletas do Corinthians. 

– Eu achei estranho ter dez jogadoras do mesmo time na mesma convocatória. Eu acho que vocês podem falar um pouco sobre isso também, porque se fosse o (Fernando) o Diniz fazendo isso no masculino, eu garanto que estava todo mundo dando porrada, ainda mais na véspera de uma Libertadores – disparou o Belli antes da partida Palmeiras x SKA Brasil, pelo Paulistão Feminino, sem citar o nome do clube rival e acrescentando uma jogadora ao número total. 

No mesmo dia, Arthur rebateu as críticas antes do clássico contra o Santos, pela semifinal do Brasileirão Feminino, e demonstrou preocupação com a afirmativa do treinador rival. 

– Uma das coisas importantes será trabalhar em conjunto com os clubes, com todos os treinadores. Foi muito lamentável a declaração que vi do Belli, técnico do Palmeiras. Achei que foi muito infeliz nas colocações, a ideia é ter essa porta aberta com os treinadores, entender como está cada jogadora para que a convocação seja cada vez mais justa. Mas a hora em que um treinador, de um time tão grande e qualificado como o Palmeiras, coloca em dúvida uma convocação de atletas do Corinthians, deixa a gente muito preocupado – afirmou em entrevista à TV Globo.

– O mais lamentável de tudo é colocar que o futebol feminino é terra de ninguém. Trabalho há tantos anos e tenho a certeza que é uma terra de sonhos, de crianças, meninas, mulheres e muitos que trabalham superando obstáculos. Um futebol feminino mais forte passa por cada profissional, ainda mais se tratando de uma equipe da expressão como é o Palmeiras. Mesmo assim, não sei como ele tem essa opinião.

O toma lá dá cá entre comandantes foi um prato cheio para os internautas atacarem o treinador palmeirense. Palavras como “inveja” e “recalque” foram muito utilizadas para descrever a atitude de Belli. 

É importante ressaltar que, em qualquer outra situação, uma convocação tão massiva de atletas de um único clube poderia ser considerada equivocada. No entanto, o atual elenco do Corinthians é um ponto fora da curva – campeão do Brasileirão e da Libertadores. Neste contexto, a decisão de Arthur faz todo sentido.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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