Copa do Mundo Feminina

Um mapa interativo com as 736 convocadas à Copa do Mundo Feminina

Preparamos um mapa para apresentar todas as jogadoras que estarão presentes no Mundial

A Copa do Mundo Feminina se expandiu bastante em suas últimas edições. Ganhou mais visibilidade, mais público, mais interesse. E o aumento se dá também no número de equipes, pela primeira vez disputada entre 32 seleções. A realidade profissional se torna mais comum em diferentes países, especialmente com a consolidação das ligas europeias. A maior concentração de jogadoras está nos clubes do continente, embora existam outras competições fortes em cantos variados do globo e que muitas promessas também se desenvolvam em times universitários ou mesmo amadores.

Na semana em que a bola começa a rolar na Austrália e na Nova Zelândia, a Trivela apresenta um mapa com todas as 736 jogadoras convocadas para a Copa do Mundo de 2023. Dá para aprender um bocado sobre o torneio e entender um pouco mais sobre a realidade do futebol feminino em diferentes países. Cada atleta está identificada com o escudo da seleção local. Além disso, suas localizações correspondem à cidade em que atuam por seus clubes. Assim, dá para perceber a diáspora causada pela modalidade e os centros mais importantes para seu desenvolvimento atualmente.

Quais as ligas mais fortes

Se a Copa de 2019 teve 11 jogadoras que chegaram ao torneio sem clube, isso não se repetirá em 2023. Todas as atletas possuem vínculo com alguma equipe. O Campeonato Inglês prova sua dominância. São 106 futebolistas da competição, mais que o dobro em relação às 49 de 2019. A Super League assumiu inclusive o posto de torneio que mais cede atletas, superando a NWSL dos Estados Unidos. Desta vez, a competição americana terá 86 jogadoras convocadas – um número também acima das 73 de 2019, mas com uma fatia menor em proporção, pensando que a Copa ganhou mais oito times desta vez.

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As grandes ligas europeias, aliás, dominam o cenário. Campeonato Espanhol (73 jogadoras), Campeonato Francês (62 jogadoras) e Campeonato Italiano (40 jogadoras) também tiveram aumentos significativos. O Campeonato Alemão (35 jogadoras) perdeu relevância em relação ao que já foi décadas antes. O Campeonato Português (23 jogadoras) é outro que ascendeu, enquanto só depois aparece outra liga fora da Europa. O Campeonato Vietnamita (22 jogadoras) está empatado com o Campeonato Sueco, mas tem seu peso exacerbado pela forma como a seleção do Vietnã é uma das raras que se baseia na própria liga nacional.

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O Brasileirão é o 12° colocado da lista, o maior da América do Sul, com 18 jogadoras. Da Seleção, apenas sete atletas continuam em atividade no país, com a maioria trazida de clubes da Europa ou dos EUA. É interessante como o Campeonato Brasileiro Feminino passou a catalisar cada vez mais destaques de países vizinhos com menor investimento na modalidade, a exemplo de Argentina e Colômbia, as duas outras equipes sul-americanas classificadas à competição. Tem até jogadora das Filipinas no Brasileirão atualmente.

Os clubes que se firmam como potências

Quanto aos clubes, as forças europeias dominam a lista. O Barcelona teve 17 convocadas, logo acima das 16 do Chelsea. A lista de equipes com 13 atletas é grande: Arsenal, Benfica, Lyon, Manchester City, Paris Saint-Germain e Real Madrid. São clubes que mostram também como camisas tradicionais do futebol masculino dão espaço às mulheres – o que não necessariamente acontecia alguns anos atrás.

Estados Unidos campeão da Copa do Mundo feminina de 2019
A seleção dos Estados Unidos é a atual campeã do Mundial feminino, levantando o caneco em 2019 (Icon Sport)

Outro reflexo importante é sobre como a concentração de talentos em poucos clubes está nas ligas europeias, não necessariamente nos Estados Unidos. Nenhum time de fora da Europa ultrapassa a marca de dez convocadas. Mesmo países que se valem de atletas de poucas equipes de sua liga nacional, como a China ou o Vietnã, não veem clubes influenciarem tão fortemente os elencos de suas seleções quanto o ocorrido na Europa. Na Espanha, 16 das 23 jogadoras se dividem entre Barcelona e Real Madrid; também são 16 as italianas que defendem Roma ou Juventus. Só quatro na Alemanha não jogam por Bayern, Eintracht Frankfurt ou Wolfsburg.

Os retratos mais específicos

O mapa da Copa do Mundo também permite perceber outras situações mais específicas e interessantes sobre diferentes seleções. O elenco de Filipinas tem jogadoras espalhadas por muitas nações, por contar com descendentes da diáspora local. Zâmbia possui um punhado de atletas no Cazaquistão, embora a maioria esteja nos times locais. O Haiti possui uma legião imensa na França, embora a maioria nascida no próprio território caribenho – diferentemente do que ocorre no masculino, com muitos descendentes de imigrantes. Sobrenomes dos Bálcãs, da África e de outras regiões que sofreram com guerras e crises humanitárias são comuns nas seleções da Europa Ocidental. A seleção de Marrocos também reflete múltiplas origens a partir da diáspora, com futebolistas nascidas em diferentes cantos da Europa.

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Outro dado interessante é a legião de adolescentes na Copa Feminina. Nada menos que 45 jogadoras de até 19 anos disputarão o Mundial – para se ter uma ideia, foram apenas 19 atletas sub-19 na Copa de 2022, e isso porque cada seleção podia levar mais convocados no torneio masculino. A mais nova no Mundial da Austrália e da Nova Zelândia é a italiana Giulia Dragoni, de 16 anos, que nasceu em novembro de 2007, meses depois de Fabio Cannavaro erguer a taça no tetra da Azzurra. A diferença de idade se torna mais notável quando duas quarentonas estarão em campo. Duas lendas: a canadense Christine Sinclair e a nigeriana Onome Ebi, ambas com 40 anos de idade.

Os detalhes do mapa

Abaixo, o mapa interativo com todas as jogadoras da Copa do Mundo Feminina. Há uma pequena ficha técnica com o perfil de cada uma delas. Vale dizer que nem sempre há informação suficiente sobre os locais onde os times femininos atuam, então os pontos estão sobre cidades. Além do mais, os dados sobre número de jogos e gols também são escassos em relação a alguns elencos. Confira algumas instruções de uso para a ferramenta. Boa viagem!

  • Você pode ampliar o mapa clicando no quadrado em seu canto superior direito;
  • Por uma questão de programação do Google, os pontos inseridos por último aparecem acima nas visões mais distantes do mapa;
  • Se você não conseguir visualizar uma jogadora, aproxime o mapa, que ela deve estar lá;
  • Jogadoras do mesmo clube ou da mesma cidade se sobrepõe, é preciso aproximar bastante para diferenciá-las;
  • No painel ao lado esquerdo, as jogadoras estão divididas conforme os grupos e organizadas por número dentro de cada seleção;
  • Se você tiver qualquer dúvida, sugestão ou descobrir um erro (acontece, apesar das revisões) é só dar um toque na caixa de comentários =)

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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