Copa do Mundo Feminina

Copa do Mundo Feminina: projeto da Fifa por direitos de transmissão falhou

No Brasil, Mundial será transmitido pela Globo na TV aberta, SporTV na TV fechada e Cazé TV, Globoplay e Fifa+ no streaming

O sucesso de audiência da Copa do Mundo da França, em 2019, foi um chacoalhão na Fifa, que passou a encarar o futebol feminino como um produto rentável. Contudo, a entidade parece ter ido com muita sede ao pote e teve as expectativas de ganho frustradas por um planejamento no mínimo mal feito.

Para a edição da Austrália e Nova Zelândia, que começa nesta quarta-feira (20), a Fifa ampliou o torneio de oito para 32 seleções participantes e determinou cotas exclusivas de patrocínio.

Além disso, os direitos de transmissão começaram a ser vendidos separadamente em alguns lugares, principalmente na Europa. A entidade costumava ceder a licença de forma gratuita para as emissoras que já haviam comprado o torneio masculino. A empreitada foi amplamente divulgada pela organizadora da Copa,  mas acabou sendo um “tiro no pé”. 

Segundo o The Wall Street Journal, a Fifa teve de se contentar com um valor bem abaixo da arrecadação esperada (300 milhões de dólares, ou R$ 1,4 bilhão) . Ao todo, a entidade vendeu US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 240 milhões) em direitos de transmissão e teve muita dificuldade para concluir as negociações. 

Um mapa interativo com as 736 convocadas à Copa do Mundo Feminina

Como foi a negociação dos direitos da Copa Feminina no Brasil?

Segundo apurou a Trivela, as negociações entre Fifa e Rede Globo não seguiram a tendência global. No país, a Copa Feminina (para TV aberta e fechada) estava “inclusa” no pacote de aquisição da edição masculina. 

O acordo entre as partes já previa a concessão das imagens de metade dos jogos da competição e divididos da seguinte forma: 34 jogos no SporTV e Globoplay e pelo menos sete na TV aberta. Se o Brasil não for para a final, serão oito partidas, com a adição da disputa do 3º lugar. 

No entanto, a parte digital só seria vendida à parte. Por conta disso, a entidade concedeu os direitos para a Cazé TV, canal do streamer Casimiro, que transmitiu a Copa do Qatar, em 2022. 

Neste cenário, o futebol feminino acaba perdendo espaço na TV aberta, que é o principal expoente de audiência no país. Por exemplo, a abertura do evento (Nova Zelândia x Noruega) só poderá ser vista pela Cazé TV ou pelo Fifa+, no streaming.

+ LEIA MAIS: Terá Copa feminina na TV aberta de novo, mas ainda é muito pouco

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Presidente da Fifa ameaçou deixar Europa com jogos às cegas

As propostas iniciais para a compra dos direitos foram tão baixas na Europa que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ameaçou deixar o continente “no escuro”. Se os valores oferecidos não aumentassem, a entidade iria interromper as negociações. 

“As mulheres merecem muito mais do que isso”, disse Infantino durante o congresso que anunciou o aumento da premiação em dinheiro para a seleção vencedora da Copa Feminina. “Algumas ofertas foram de 1/100 do valor dos acordos do masculino”, acrescentou. 

Após meses de tratativas, a organizadora entrou em acordo com a União Europeia de Radiodifusão, formada por emissoras públicas, que inclui as “cinco grandes” da Europa. A Fifa aguardava cerca de US$ 65 milhões no acordo, mas só conseguiu metade do valor. 

Por fim, as partes finalizaram o acordo na metade de junho, fora da temporada de maior audiência do futebol europeu. As temporadas das principais ligas do Velho Continente já haviam terminado, assim como a possibilidade de usar aquela grande plataforma para divulgar o Mundial feminino.

Japão conseguiu direitos de transmissão nos acréscimos

Foi por pouco que o Japão, país campeão do Mundial Feminino de 2011, não ficou sem direitos de transmitir os jogos de sua seleção. 

Mesmo com o fuso horário alinhado ao dos países-sede, além do claro apelo de público pela modalidade, o anúncio da NHK, organização nacional de radiodifusão pública japonesa, só aconteceu no dia 13 de julho, a uma semana da abertura. 

A chefe da WE League, primeira divisão da liga feminina do Japão, até sugeriu uma solução inusitada para o problema. Segundo a diretora, a liga poderia realizar uma “vaquinha” para tentar arrecadar o valor pedido pela Fifa, caso não houvesse negociação. 

Japão-campeão-da-copa-feminina
Seleção feminina japonesa levanta a taça do Mundial de 2011 (Foto: Iconsport)

Audiência desta Copa Feminina pode ser menor?

A demora da Fifa nas tratativas pode reduzir significativamente a audiência dos jogos nesta edição. O pouco tempo hábil que as emissoras, principalmente as europeias, tiveram para divulgar deve ser o maior empecilho para a adesão de telespectadores. 

A barreira do fuso horário é outro fator negativo que entra na conta. Por ser sediado na Austrália e na Nova Zelândia, o Mundial terá diferença de horário muito significativa para as Américas e a Europa. No Brasil, o fuso é de 12h a menos, o que faz com que as partidas aconteçam nas madrugadas. 

O calendário da Copa Feminina também deve influenciar no alcance, porque vai coincidir com o início dos campeonatos europeus. Um bom exemplo do entrave de datas é o dia 12 de agosto, quando a Premier League estará em sua primeira rodada enquanto a Copa Feminina chega às quartas de final. 

Foto de Livia Camillo

Livia CamilloSetorista

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo