Futebol feminino

Cinco mudanças que Arthur Elias promoveu na Seleção Feminina e você precisa saber

De variação tática à mentalidade, Arthur Elias tem implementado uma série de mudanças desde que assumiu a Seleção há quase três meses

A Seleção Feminina tem uma cara diferente desde a chegada de Arthur Elias. Em quase três meses, o técnico já mostrou que a sua proposta é uma guinada de 180º em relação ao que a sueca Pia Sundhage propôs em seu ciclo. Desde as menores mudanças até a grande transformação de mentalidade, a Seleção teve, em pouco tempo de trabalho do treinador, uma evolução digna de nota. 

Nesta quinta-feira (30), a equipe passará por mais um importante teste, quando enfrenta o Japão, uma das seleções de destaque da última Copa do Mundo, no primeiro de dois amistosos. A partida acontecerá na Neo Química Arena, a partir das 15h15 (horário de Brasília). 

Pensando nisso, Trivela elencou cinco mudanças que já puderam ser vistas – ou sentidas – na Seleção de Arthur Elias. 

1 – Imposição de jogo

A Seleção Feminina vem de um ciclo em que aprendeu a jogar de forma mais reativa com Pia. A sueca promoveu mudanças táticas impactantes, principalmente na parte defensiva, mas abriu mão da imposição de jogo do Brasil, que tem a tradição de jogar com a bola no pé. Este foi um problema da Seleção na última edição do Mundial. Por exemplo, na derrota para a França, por 2 a 1, a equipe permitiu que as adversárias tivessem liberdade para jogar. Com a chegada de Arthur, isso mudou. 

– Eu tenho falado para elas desde o começo, desde o primeiro dia, que a Seleção faça jogos com mais imposição e consiga pressionar mais as adversárias. Não pode deixar o adversário jogar dentro da sua característica – disse Arthur durante a coletiva pré-jogo. 

2 – Variação tática

Uma das grandes metas de Arthur Elias à frente da Seleção é variar os esquemas táticos, conforme cada adversário, para tornar a equipe imprevisível. O time apresentou dois sistemas distintos recentemente, inclusive com três zagueiras diante do Canadá. Os sistemas podem mudar, mas o modelo de jogo segue intacto. Aliás, mais do que um modelo, Arthur trabalha com uma filosofia (falaremos dela abaixo), e isso não faz com que ele se agarre a um único estilo. Flexibilidade é a proposta.

– Eu não tenho nenhum problema em trocar o sistema, mas eu não troco o modelo de jogo. O modelo é elas entenderem as suas funções em campo, as associações, responsabilidades, posicionamento, conexões que têm com o lado da bola e o lado oposto, do equilíbrio defensivo e os conceitos de marcação. Isso não muda – afirmou.

– O sistema é uma questão que nos ajuda a encaixar em relação aos adversários. Deixar a Seleção mais imprevisível, para quando o adversário vier nos enfrentar, não ter uma certeza absoluta de como a Seleção vai se distribuir em campo – acrescentou. 

3 – Testes e mais testes

A Era Arthur já começou com uma série de testes e apostas. Antes de encontrar o time ideal, Arthur quer explorar todas as possibilidades. Essa Data Fifa é um bom exemplo disso. Aline Milene, convocada na vaga de Ana Vitória, que sofreu uma entorse no tornozelo direito, não vestia a amarelinha há um bom tempo, mas viu a oportunidade surgir após a boa atuação na campanha vice-campeã do São Paulo, pelo Campeonato Paulista. 

Além dela, a atacante Priscila, do Internacional, ganhou espaço na última convocação, com apenas 19 anos, pela brilhante participação na Libertadores Feminina. As Gurias Coloradas caíram na semifinal para o Corinthians, mas Pri encerrou sua participação na competição com o topo da artilharia.

Por fim, um teste que chamou a atenção foi a presença de uma pioneira na comissão técnica, na função de auxiliar pontual. Nesta janela de amistosos, a ex-atacante Roseli está presente no período de treinos para aconselhar o treinador. A forma escolhida por Arthur, para aproximar as novas gerações da velha guarda do futebol feminino, ajuda a enriquecer o período de treinos. 

4 – DNA brasileiro 

Para tornar a Seleção Feminina mais competitiva, Arthur levou consigo uma filosofia. Os anos de Corinthians foram fundamentais para que ele entendesse o DNA brasileiro das jogadoras. Ele aprendeu a explorar essa característica nata das atletas enquanto ainda comandava o clube paulista e, agora, implementa o mesmo conceito na Granja Comary. 

– A questão de ser uma seleção ofensiva está no nosso DNA. Elas nasceram jogando bola na rua, querendo fazer gol, querendo driblar… O desafio é sempre fazer isso de forma organizada e com conexão. Acho que a gente tem uma dificuldade com o futebol brasileiro, da organização não tirar a imprevisibilidade da jogadora. Ela deve jogar com seu instinto, com a sua intuição, mas ela também ser muito coordenada, conectada com as demais companheiras e observando as adversárias. Esse é o meu trabalho principal e está sendo feito.  

5 – Ambiente e mentalidade

De todas as transformações, as mais importantes, de acordo com o próprio Arthur, são a de mentalidade e de ambiente. Durante o ciclo de Pia Sundhage, as brasileiras perderam o contato próximo no dia a dia com a comissão técnica. A barreira da língua era um dificultador para a pouca troca de ideia entre treinadora e atletas. Arthur retomou esse caminho, de conversas claras e francas, para aproximar o grupo das suas ideias. 

– Para mim, não é só dentro de campo. É claro que vocês (da imprensa) olham muito o que está acontecendo dentro do campo, mas a construção do nosso ambiente, da mentalidade, é algo que eu vejo evolução já nas convocações feitas até aqui.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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