Futebol feminino

Atrasado, Atlético-MG inicia reformulação no feminino com anúncio de técnico, que causa justa indignação na torcida

Enquanto todos os times do Brasil já iniciaram pré-temporada e tem seus times formados, o Atlético começou só agora sua reformulação - e de forma errada

Enquanto todos os times do futebol feminino no Brasil já iniciaram sua pré-temporada visando o início do Campeonato Brasileiro em março, o Atlético-MG, totalmente atrasado na história, começou nesta segunda-feira (15) a reformulação da categoria com o anúncio de um novo treinador (que não tem nem elenco para treinar). Mas o Galo vem conseguindo errar tanto no feminino que errou de novo, causando indignação na torcida – e não só por causa do nome escolhido.

O novo treinador das Vingadoras é Antony Menezes, que teve passagem de mais de 10 anos pelo Vasco e estava recentemente no Serrano FC, do Rio de Janeiro, onde não trabalhou com a modalidade que vai herdar no Atlético. No clube Cruzmaltino, Antony deixou seu cargo após cai para a Série A3 (terceira divisão) do Brasileirão Feminino.

O nome escolhido não agradou muitos dos torcedores e torcedoras que acompanham o futebol feminino, mas, ao mesmo tempo, alguns falaram que pelo menos agora tem um treinador na equipe. O que causou mais revolta mesmo foi a forma como Antony foi anunciado, através de uma foto de baixa qualidade, que escancarou ainda mais o descaso o clube com a modalidade, já que não se deram ao trabalho de pegar uma boa foto ou criar uma simples arte de apresentação. Essa situação gerou críticas não só da torcida, mas também de rivais e apoiadores do futebol feminino.

O Atlético e o descaso com o futebol feminino

Depois de não demonstrar nenhuma afeição com o futebol feminino em 2023, fazendo o time quase ser rebaixado no Brasileirão e perder o Mineiro pela primeira vez nos últimos quatro anos. O Atlético terminou a temporada com o presidente do clube não sabendo do orçamento para a modalidade e demonstrando que não tinha intenção nenhuma de tocar a modalidade. Seguido disso, uma denúncia publicada pelo GE de várias jogadoras reclamando das condições que o clube deu, treinando em lugar inapropriado (sendo que tem um dos melhores CTs do Brasil, com oito (!) campos), sem higiene e materiais básicos, como toalha ou troca de uniforme, entre outras questões.

Não muito diferente, sendo ainda pior, 2024 começou com o treinador da base atleticana se despedindo do clube nas redes sociais e apontando que a categoria de base feminina havia sido extinta a pedido da SAF, que, lembrando, tem a obrigação legal de manter o futebol feminino. Em nota, o clube afirmou apenas que estava passando por uma reformulação. A Trivela entrou em contato com uma fonte que garantiu que a base feminina não acabou e iria até disputar campeonatos na temporada.

Além de tudo, o Atlético praticamente não renovou com nenhuma jogadora, deixando todas saírem ao fim do contrato. Várias delas já assinaram com outros clubes. Atualmente, como consta no próprio site do clube, são apenas seis jogadoras no elenco: Layza (zagueira), Leidiane (lateral), Dyana (meia), Camila (meia), Gabi Arcanjo (meia) e Milena (atacante).

Leidiane é uma das seis jogadores do profissional que estão atualmente no elenco do Galo Feminino (Fábio Pinel / Atlético)

O Galo informou que as Vingadoras se apresentam para a pré-temporada no dia 22 de janeiro, bem depois de praticamente todos os times da elite no Brasil, que já iniciaram seu ano, já que possuem o básico para jogar futebol: atletas. Resta saber quem irá se apresentar nessa data dita pelo clube, que não anunciou nenhuma contratação. A Trivela tentou apurar a ideia do Atlético, se é contratar mais de um time de jogadoras, fazer parceria com algum outro time ou utilizar a base no profissional – o que não deu certo, gerou revolta e causou danos a imagem do Ceará em 2023. No entanto, as fontes do clube não quiseram (ou não sabem) dizer qual o plano para a temporada.

O descaso do Atlético com o futebol feminino passou de um ponto (que já não era aceitável) que, infelizmente, é “comum” a gente presenciar no futebol brasileiro, e agora está a ponto de manchar a imagem do clube. Se a SAF, que assumiu o Atlético em novembro de 2023 (mas já trabalhava por lá há anos), tem o desejo de fazer o Galo ser um time nacional, fazendo várias campanhas para isso, está dando alguns passos para trás com a forma que trata o feminino, já que, eles querendo ou não, é o símbolo, as cores e o nome do Clube Atlético Mineiro que está sendo visto pelo Brasil.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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