Futebol feminino

Atlético-MG deixou a desejar com o futebol feminino em 2023 – e não parece que em 2024 será muito diferente

Com o pior ano do futebol feminino desde que foi retomado, Atlético não dá muitos sinais de que em 2024 será diferente

O Atlético-MG viveu o seu pior ano no futebol feminino desde que a modalidade foi retomada pelo clube. A falta de investimentos e cuidados com as mulheres que defenderam as cores do clube ficou ainda mais escancarada com denúncias de jogadoras reveladas pelo GE, além dos resultados ruins em campo. Para 2024, o clube não demonstra que vai melhorar muito essas questões.

O Atlético ficou sem o título do Campeonato Mineiro após três conquistas consecutivas, além de ter lutado contra a queda no Brasileirão A1. Em campo, as coisas não foram boas, e isso tudo foi só reflexo de como o clube tratou o futebol feminino na temporada. O descaso já estava claro, mas ficou ainda mais evidente com as denúncias de algumas jogadoras ao GE.

Na denúncia, as jogadoras relataram as faltas de condições, com o time precisando treinar em um campo público em Belo Horizonte, com gramado sintético, que esquenta mais e prejudica fisicamente, além das falhas no campo, e também um banheiro totalmente sem condições de uso. Além disso, as jogadoras relataram falta de novos recursos, como troca de uniformes e tênis.

Em algumas ocasiões, como antes da final do Campeonato Mineiro, as atletas treinaram na Cidade do Galo, principal centro de treinamento do clube, que tem oito campos para os times masculinos, profissional e base. O diretor de futebol Rodrigo Caetano assumiu que o Atlético pecou em alguns aspectos em 2023:

– Realmente o Galo, em alguns momentos, deixou a desejar nas melhores condições para as meninas. Eu não sou o gestor do futebol feminino, teve uma gestora, que trabalhou de forma formidável para dar as melhores condições. A ideia do Galo é contratar um gestor/gestora para o futebol feminino. O Galo está na Série A e vai tentar, dentro das suas limitações, fazer a melhor campanha possível. Eu penso, e o Atlético também, é que possamos ter algum recurso melhor destinado para a evolução das condições das meninas.

Rodrigo Caetano destacou que as meninas treinaram na Cidade do Galo por “muitas vezes”. Apesar de destacar que o CT “é do Galo e não do feminino, base ou masculino”, ele destacou que a ideia do clube é levar as meninas para treinarem na Vila Olímpica, antigo centro de treinamento do time profissional masculino até o início do século.

O diretor afirma que melhorias estão sendo feitas no local, mas a denúncia das jogadoras, que já utilizaram as estruturas da Vila em 2023 para fisioterapia e academia, relatam outra história: “Da Vila (Olímpica), o espaço que usamos é a fisioterapia, que foi montada lá, e a academia. Mas nós sentimos como se não fizéssemos parte do clube, porque não temos liberdade nem lá”, disse uma das jogadoras na denúncia ao GE.

Um 2024 ainda no escuro do futebol feminino do Atlético

Para a próxima temporada, Caetano espera que o Atlético consiga parceiros e patrocinadores para “aumentar a capacidade de investimentos e melhorar a infraestrutura das meninas”. As falas do diretor são as primeiras que mostram que o Galo pode vir a fazer algo diferente – que é o necessário – em 2024, já que antes o presidente do clube demonstrou total despreparo e desinteresse sobre o futebol feminino quando questionado.

Sérgio Coelho, reeleito presidente do Atlético para o próximo triênio, afirmou que não sabia o valor destinado para o futebol feminino, e que a modalidade vai ter uma “gestão separada”, conforme ele entrou em acordo com os donos da SAF atleticana. Essas aspas do presidente ajudam a reforçar o relato das jogadoras atleticanas, que não se sentem parte do clube.

No fim das contas, apesar das falas de Caetano terem começado a abrir um caminho para o futebol feminino no Atlético, segue ainda a sensação de que, se não fosse obrigação da CBF e da Conmebol, o Galo não se preocuparia em ter um time para as mulheres. Inclusive, para 2024, o elenco foi praticamente todo desmontado, já que os contratos das jogadoras acabaram e não foram renovados. Além disso, a técnica Vantressa também deixou o clube. Ou seja, é mais uma etapa nesse processo, de construir um novo time. O momento é agora é de esperar, para ver se o Alvinegro vai conseguir demonstrar que o time feminino não é só uma obrigação e sim uma verdadeira preocupação do clube.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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