Europa

Zaha finalmente conseguiu sair do Crystal Palace e deixará muitas saudades

O ponta marfinense de 30 anos se juntou à coleção de medalhões do Galatasaray e terá a chance de disputar competições europeias

Poucas novelas se repetiram mais vezes na janela de transferências da Inglaterra quanto a de Wilfried Zaha.

Como um dos melhores jogadores que não atuavam no famoso Big Six, ele sempre atraiu o interesse de clubes mais fortes e/ou ricos. No entanto, o Crystal Palace fazia jogo duro, pedia cifras altas demais e ninguém quis bancar a contratação. Zaha deixava sua insatisfação clara, mas, com frequência, aceitava renovar seu contrato pouco depois do fechamento do mercado.

Até perceber que, se sua intenção era jogar em outro lugar, deveria parar de fazer isso. O último vínculo acabou de terminar e agora o ponta marfinense tem uma nova casa: o Galatasaray.

Galatasaray contrata mais um medalhão

Zaha provavelmente esperava continuar na Premier League quando finalmente saísse do Crystal Palace. Os clubes mais ligados à sua contratação foram Arsenal e Everton. Ano passado, chegou a ser especulado no Chelsea. Mas terá que se contentar com a Turquia, que se consolidou no mercado do futebol europeu como uma espécie de Arábia Saudita light: oferece salários altos a estrelas veteranas e, pelo menos, consegue também proporcionar futebol de Champions League. Começará sua caminhada na próxima edição nesta terça-feira contra o Zalgiris Vilnius, da Lituânia, pela segunda fase preliminar.

A equipe que conquistou o Campeonato Turco na última temporada, dando uma bela guinada após a pior campanha da história do Galatasaray, contou com nomes como Mauro Icardi, Dries Mertens, Juan Mata, Nicolò Zaniolo, Sérgio Oliveira e Lucas Torreira. Zaha se junta a uma nova fornada de figurinhas carimbadas, ao lado do lateral Angeliño, ex-RB Leipzig, e do atacante Cédric Bakambu, que teve seus momentos pelo Villarreal e, na Turquia, também defendeu o Bursaspor. Bakambu estava no Olympiacos e havia sido contratado pelo Al-Nasr (dos Emirados Árabes, não da Arábia Saudita) ao fim do seu contrato. Cerca de um mês depois, por “circunstâncias pessoais”, segundo o clube, pediu para voltar à Europa e foi repassado ao Galatasaray.

Zaha, 30 anos, assinou contrato por três temporadas. Receberá um bônus de € 2,3 milhões (cerca de R$ 12 milhões) e um salário de € 4,35 milhões por temporada, menos do que ganhava no Palace, e certamente menos do que cairia em sua conta se aceitasse a proposta de € 230 mil por semana apresentada em abril que o tornaria o jogador mais bem pago da história do clube londrino. Mas concluiu que estava na hora de seguir em frente, principalmente para disputar competições europeias.

Crystal Palace perde uma referência

Apesar da insatisfação de ser rechaçado todas as vezes em que pediu para sair, Zaha nunca deixou de entregar tudo que podia pelo clube da sua vida. A jornada pelo Selhurst Park começou quase 20 anos atrás. Chegou às categorias de base aos 12 anos. A ligação foi brevemente interrompida em 2013 quando virou a última grande contratação de Alex Ferguson para o Manchester United, pouco depois de fazer seus únicos dois jogos pela seleção inglesa – ele posteriormente se comprometeu com a Costa do Marfim após perceber que não teria muitas chances na Inglaterra e participou de três edições da Copa Africana de Nações.

Sem chances com David Moyes, sucessor de Ferguson, Zaha retornou por empréstimo ao Crystal Palace, apenas um ano depois da sua transferência. Ele havia estreado, ainda adolescente, na temporada em que o Palace quase foi rebaixado à terceira divisão e ficou próximo de abrir falência, antes de ser resgatado pelo consórcio liderado por Steve Parish, o atual presidente. Quando voltou, a história era diferente. Os londrinos estavam ainda no começo da sua sequência mais longa na primeira divisão da Inglaterra, agora partindo para a 11ª temporada consecutiva. E ela está durando tanto em parte porque Zaha deu uma contribuição enorme.

Houve anos em que o Palace praticamente não conseguiu ganhar um jogo quando não tinha Zaha à disposição – em uma temporada específica, 2017/18, perdeu todas as nove vezes em que ele foi desfalque. Isso foi uma raridade, porém, porque embora tenha sofrido com lesões musculares na reta final da última Premier League, foi um jogador quase indestrutível. Apenas duas vezes em seus nove anos na elite inglesa não disputou pelo menos 30 rodadas.

E para um jogador de lado de campo que atuava em um clube que costuma ser avesso a gols, encaixou algumas campanhas fenomenais. Marcou pelo menos dez vezes em três participações. Seu ápice foi em 2021/22, sob o comando de Patrick Vieira, com 14 bolas nas redes. Também é um prolífico garçom e encaixava perfeitamente no estilo de jogo favorito do Crystal Palace, de defesa sólida e contra-ataque, que tantas vezes causou resultados inesperados aos maiores clubes da Inglaterra – principalmente com Roy Hodgson no comando.

A sua contribuição inestimável ao Crystal Palace foi imortalizada em um mural na parede de uma casa nas redondezas do Selhurst Park, inaugurado no fim de maio. No total, Zaha marcou 90 gols em 458 jogos pelo clube londrino que, pela primeira vez, tentará sobreviver na Premier League sem ele.

Os números da Zaha na Premier League pelo Palace

  • 2014/15: 31 jogos, quatro gols
  • 2015/16: 34 jogos, dois gols
  • 2016/17: 35 jogos, sete gols
  • 2017/18: 29 jogos, nove gols
  • 2018/19: 34 jogos, dez gols
  • 2019/20: 38 jogos, quatro gols
  • 2020/21: 30 jogos, 11 gols
  • 2021/22: 33 jogos, 14 gols
  • 2022/23: 27 jogos, sete gols
Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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