Europa

Cartola diz que times estão prontos para a Superliga — um detalhe: ele só esqueceu de avisar os clubes

Ex-presidente do Barcelona Joan Laporta citou times que estariam dispostos a participar da Superliga, mas algumas das equipes rebateram a fala do cartola e negaram envolvimento

No fim de dezembro, a criação de uma Superliga Europeia voltou a ser assunto no Velho Continente após o Tribunal de Justiça da União Europeia decidir que as regras de Fifa e Uefa que proibiam a criação da liga são contrárias às normas de concorrência. Foi uma vitória para os defensores do projeto, que até apresentaram um formato com 64 times europeus, mas pouco se ouviu desde então.

Até que nesta sexta-feira (2), o ex-presidente do Barcelona Joan Laporta deu uma entrevista à rádio RAC1 afirmando que o projeto está mais do que vivo, mesmo sem a participação dos clubes ingleses. Laporta até deu nome aos clubes que estariam dispostos a integrar o torneio assim que ele fosse criado, provavelmente para a temporada 2025/26.

Além do Barcelona e do Real Madrid, teríamos os italianos: Internazionale, Milan, Napoli e Roma. Também times franceses, como o Olympique de Marseille, e os três portugueses – Sporting, Benfica e Porto -, que adorariam fazer parte do projeto. Teríamos também os clubes holandeses [Ajax, Feyenoord e PSV], e o Club Brugge e o Anderlecht, da Bélgica. Uma competição de 16 times seria melhor.

Parecia uma declaração extremamente positiva e com conhecimento de que os clubes realmente gostariam de participar do projeto. Só que parece que Laporta não combinou com alguns dos clubes que foram citados por ele na entrevista.

A Roma foi a primeira a negar qualquer tipo de envolvimento com o projeto, postando uma nota oficial no site do clube, mantendo a posição que adotou após a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia em dezembro.

Como informado publicamente poucas horas depois da decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia sobre o caso da Superliga, a AS Roma reitera que não apoia nenhum projeto relacionado com a denominada Superliga. O clube também informa que nunca mudou sua posição sobre o assunto, e nem entrou em qualquer tipo de discussões sobre tomar um caminho diferente de se reunir e trabalhar de forma conjunta com os clubes na Associação de Clubes Europeus (ECA) em parceria e colaboração com Uefa e Fifa.

Na Holanda, a associação de torcedores do Ajax, a Ajax Life, afirmou ter entrado em contato com o clube depois da declaração de Laporta e fez uma postagem no Twitter confirmando o mesmo parecer de antes: o clube não parece interessado no projeto.

Após questionar o clube, nós podemos confirmar que o Ajax nunca conversou com Laporta, muito menos aceitou qualquer coisa. O Ajax está totalmente surpreso com essa declaração.

O Feyenoord veio publicamente desmentir a fala de Laporta, alegando surpresa ao ser incluído na fala do ex-cartola do Barça.

O Feyenoord está muito surpreso com a especulação na mídia internacional de que teria aceitado participar do projeto da chamada Superliga. É um completo absurdo.

Já na Bélgica, o jornal Le Soir reportou que Anderlecht e Club Brugge mais uma vez negam ter qualquer tipo de acordo para integrar qualquer tipo de projeto. O Anderlecht mantém a posição reforçada após a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, em que o clube postou que tomou nota da decisão, mas que “segue sem qualquer tipo de acordo com representantes do projeto da Superliga”.

A decisão favorável a Superliga

A ação julgada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia considera que as atitudes da Fifa e da Uefa, em ameaçar punir os clubes que decidirem participar do torneio, em uma espécie de retaliação prévia, são contrárias à legislação europeia. O órgão judiciário do continente também apontou que ambas as entidades abusam de sua “posição de poder” para se opor à criação do campeonato independente.

– O Tribunal observa que a organização de competições interclubes de futebol e a exploração dos meios de comunicação social são, evidentemente, atividades econômicas. Devem, portanto, respeitar as regras da concorrência e respeitar as liberdades de circulação, embora a prática econômica do esporte tenha certas especificidades características, como a existência de associações com determinados poderes de regulação e controlo e o poder de impor sanções – diz um trecho da decisão publicada pelo TJUE.

O novo projeto da Superliga

O modelo apresentado pela A22 para a Superliga Europeia, em 2021, foi revisitado a fim de tornar o campeonato mais inclusivo. Nesta quinta-feira (21), a empresa apresentou as novidades, incluindo uma plataforma de streaming que permite aos torcedores acompanharem todos os jogos de forma gratuita.

A nova competição masculina tem uma estrutura de 64 clubes divididos em três divisões – Star League e Gold League, com 16 clubes cada, e a Liga Azul, com 32. As divisões funcionam no tradicional esquema de rebaixamento e ascenso, mas dependem do desempenho nas ligas locais.

Já a Superliga feminina teria duas divisões, a Star League e a Gold League, cada uma com 16 equipes participantes.

Foto de Matheus Rocha

Matheus Rocha

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.
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