Europa

Morata revela luta contra depressão e desabafa sobre saúde mental no esporte

Atacante espanhol fala sobre as consequências da depressão em sua carreira e vida pessoal, defendendo maior atenção ao bem-estar mental dos jogadores

O atacante Álvaro Morata, jogador do Milan e capitão da seleção espanhola, falou abertamente sobre sua luta contra a depressão e crises de pânico em uma entrevista ao programa espanhol Herrera en COPE.

Assim como o zagueiro Lyanco, do Atlético-MG, Morata expôs o impacto que sua saúde mental tem em sua vida dentro e fora do campo.

Ele também disse que a mudança recente para a Itália foi uma maneira de escapar das pressões que enfrentava na Espanha, onde o peso das críticas tornou a sua vida pessoal e profissional insuportável.

A saída do Atlético de Madrid e a pressão na Espanha

Nos últimos anos, a relação de Morata com o torcedor espanhol se deteriorou. Às vésperas da Euro 2024, ele já havia sinalizado a possibilidade de deixar o Atlético de Madrid e até a seleção, insatisfeito com as críticas:

“Muitas vezes é difícil estar na Espanha, porque há sempre alguém que diz alguma coisa”, afirmou em entrevista ao El Mundo, às vésperas da Euro.

O atacante, que chorou em campo após uma vitória sobre a Alemanha nas quartas de final da Eurocopa, foi criticado publicamente, apesar de suas explicações de que as lágrimas eram de emoção por avançar às semifinais: “Cortaria uma mão para ganhar a Euro, mas sempre me criticam“.

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Morata em ação pelo Atlético de Madrid na temporada 2023/24. Foto: Icon Sport

Itália como refúgio e a busca por respeito no futebol

Após deixar o Atlético e se transferir para o Milan, Morata encontrou na Itália o refúgio que buscava. O jogador destacou que, fora da Espanha, sente-se mais respeitado como profissional:

“Aqui, meus filhos veem que seu pai é respeitado. Na Itália, as pessoas reconhecem meu trabalho.”

Segundo ele, a mudança foi essencial para sua recuperação emocional, especialmente após um período em que chegou a ter vergonha de sair com os filhos em público:

“Chegou um momento em que diziam tantas coisas para mim na frente deles que eu tinha vergonha de estar com eles. Eu era uma piada fácil, uma piada para fazer a pessoa ao seu lado rir.”

Morata lutou contra depressão e crises de pânico

Durante a entrevista, Morata detalhou sua batalha interna contra a depressão e as crises de pânico. Ele revelou que os episódios mais críticos começaram ainda no Atlético de Madrid, às vésperas da Euro 2024:

“Três meses antes da Euro, jogar parecia impossível. Eu estava me perguntando se algum dia conseguiria jogar novamente, não sabia o que havia de errado comigo. Chegava ao treino sabendo que estava mal. Quando tentava vestir as chuteiras, tinha que correr para casa porque minha garganta fechava e eu começava a enxergar tudo borrado.”

O jogador destacou a importância de buscar ajuda profissional e de como o apoio de colegas, como o técnico Diego Simeone e o capitão Koke, foi fundamental em sua recuperação:

Pedi ajuda no momento em que percebi que estava perdendo o controle“, afirmou Morata, que também falou sobre o uso de medicação durante os períodos mais difíceis.

O papel da seleção espanhola e a Eurocopa como recomeço

Apesar das dificuldades, Morata destacou o papel da seleção espanhola como um ponto de virada em sua trajetória. Ele mencionou que, durante a Euro, o convívio com seus companheiros e o título foram essenciais:

O melhor tratamento foi estar com meus companheiros, eles me fizeram feliz. […] A Eurocopa mudou minha vida. Não sabia se conseguiria voltar a jogar, mas essa conquista me fez sentir respeitado novamente.

Morata foi campeão da Euro 2024 com a Seleção Espanhola. Foto: Icon Sport
Morata foi campeão da Euro 2024 com a Seleção Espanhola. Foto: Icon Sport

Reflexão sobre saúde mental no futebol

Morata aproveitou a entrevista para abordar a importância da saúde mental no esporte. Segundo ele, é fundamental que os atletas recebam o mesmo suporte psicológico que têm em relação ao preparo físico:

“É uma doença como qualquer outra. Assim como vamos à academia, precisamos de alguém que nos ajude mentalmente”.

O atacante defendeu ainda que a conscientização sobre saúde mental deve começar nas escolas e ser encarada com seriedade desde o início da formação de um atleta.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por meio do telefone 188, chat ou e-mail, que estão disponíveis no site oficial.

Foto de Lucas Gervazio

Lucas GervazioRedator de Conteúdo de Apostas

Lucas Gervazio é jornalista formado pela Unesp e trabalha com redação de conteúdo para apostas esportivas desde 2020. Começou escrevendo sobre futebol e, quando percebeu, já estava mergulhado no mundo das odds, mercados e palpites. Une a técnica do SEO com a linguagem de quem realmente entende do assunto. Para ele, escrever sobre apostas é mais do que informar — é ajudar o leitor a enxergar o jogo com outros olhos.

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