Europa

Javier Tebas, presidente de La Liga, ligou metralhadora contra Superliga e sobrou até para o novo Mundial de Clubes

Inimigo público do projeto da Superliga, Javier Tebas também é contra a realização do novo Mundial, que terá 32 clubes

Não é novidade, o presidente de La Liga, Javier Tebas, é totalmente contra a ideia da criação da Superliga, apoiada pelos dois principais clubes espanhóis: Real Madrid e Barcelona. Em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian, voltou a atacar a competição que, recentemente, anunciou um novo formato de três competições, como faz a Uefa com Champions League, Liga Europa e Conference League, e, a cada temporada, clubes irem subindo nessa hierarquia, sem o mêrito esportivo dos campeonatos nacionais.

– O formato da Superliga tem uma possibilidade muito pequena de ser aceito pelos clubes: ou seja, nenhuma. A nova proposta é muito pior do que aquela que a maioria dos clubes e ligas pressionou para remover [a primeira, na qual só tinham 16 clubes, os maiores da Europa]. Não terá apoio dos clubes e na minha opinião seria muito difícil aprová-lo. O sistema atual [de competições europeias], apesar de todas as suas falhas, é muito melhor e mais eficiente do que o que a Superliga está apresentando – criticou o mandatário do Campeonato Espanhol.

Tebas tratou de colocar ainda mais lenha na fogueira na conturbada relação que tem com Florentino Pérez, presidente do Real que apoia a Superliga. Os dois estão em conflito desde 2015, quando La Liga implementou um sistema de melhor divisão das cotas televisivas, e não se reúnem há três anos para uma conversa – principalmente pelo executivo do campeonato local, que recusou convites. Na entrevista, Javier disse que Pérez quer os clubes pequenos sejam “vassalos”, termo que define uma pessoa que teria uma obrigação de servir um senhor ou monarca, de posição inferior e com menos direitos na era medieval.

– Quando alguém quer invadir sua casa, você não vai chegar a um consenso com a pessoa que quer roubá-la. O objetivo [de Pérez] é que os grandes clubes, aqueles que são mais ricos e têm os maiores ativos, possam dirigir o futebol na Europa. E que o resto são apenas vassalos, que deveriam ficar felizes com tudo o que recebem.

– As diferenças fundamentais que tenho com Florentino são dois modelos de futebol profissional completamente opostos, tanto no cenário nacional como na Europa. Não há compromisso entre eles, eles são preto e branco e não há área cinzenta – disparou.

Sobrou até para o novo Mundial de Clubes

Tebas também não é favorável ao novo Mundial de Clubes, disputado com 32 clubes a cada quatro anos (a partir de 2025). O executivo, com seus interesses por trás, se diz preocupado com o calendário e o cansaço dos atletas, pois a competição será jogada no meio do ano – ou seja, entre o fim e o início de uma nova temporada na Europa.

– Isso [tentar impedir o novo Mundial] está no topo da minha mente. Veja a sentença do ECJ [Tribunal Europeu de Justiça]. Referia-se à Superliga, mas é totalmente aplicável às decisões tomadas pela Fifa onde o processo não é correto: onde o que aprovam é prejudicial ao ecossistema do futebol. Isso é tudo o que posso dizer.

– Espero que sim [dê errado o projeto da Fifa]. Pelo menos vou tentar. E não apenas nós, aliás. Os jogadores estão preocupados com o seu bem-estar e este tipo de competição só traz dinheiro para uma série de clubes e comprime o calendário – disse.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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