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FIFPro e Ligas Europeias cobram nova governança e mais representação de jogadores, torcedores e ligas na Uefa

Manifesto de governança da FIFPro e das Ligas Europeias quer mais representação de jogadores, ligas e torcedores nos processos decisórios da Uefa

A Superliga Europeia foi uma ideia que fracassou em abril, mas não significa que a ameaça não exista mais. A FIFPro, associação mundial de jogadores, e as Liga Europeias, que representam, como o nome diz, as ligas do continente, querem uma reforma da governança da Uefa para evitar que isso volte a acontecer. Para isso, divulgaram um manifesto pedindo mudanças e mais representatividade para jogadores, ligas e torcedores.

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A FIFPro e as Ligas Europeias divulgarão um manifesto de governança em que pedem mais representação de jogadores, ligas e torcedores no mais alto nível de poder de decisão da Uefa. A decisão de divulgar um manifesto veio de uma reunião da FIFPro nesta terça-feira, em Bruxelas, em um fórum sobre a política da entidade. A Premier League e a Professional Footballers Association (FPA, uma espécie de sindicato de jogadores da Inglaterra) estavam representados na reunião, mas a Uefa e a Associação Europeia de Clubes (ECA) não enviaram representantes.

“A estrutura de governança do futebol europeu deve refletir os direitos dos parceiros sociais da indústria do futebol profissional e especificamente sua estrutura de competição, mercado de trabalho e estrutura de pirâmide. Isso inclui uma representação adequada de ligas e sindicatos de jogadores em estruturas de governança para acordar coletiva e / ou bilateralmente sobre assuntos que são de sua responsabilidade e afetam diretamente seus membros”, diz o manifesto.        

Para essas duas entidades, jogadores, ligas e torcedores estão subrepresentados em comitês-chave, especialmente comparado com a representação que tem a ECA, que reúne os maiores clubes do continente. As ligas europeias têm um assento no Comitê Executivo da Uefa, enquanto a ECA tem dois. O Conselho de Estratégia do Futebol Profissional, que tem representação igual entre Uefa, clubes, ligas e FIFPro, não tem uma reunião sequer há mais de dois anos.

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“O atual sistema de governança não é mais capaz de lidar com as decisões que precisam ser tomadas para equilibrar as vozes que precisam ser ouvidas. Alguns dos clubes que têm a maior influência foram aqueles que quiseram se separar e aqueles que tinham menos voz foram os que resistiram. Acho que isso nos diz alguma coisa”, afirmou Jonas Baer-Hoffmann, secretário-geral da FIFPro.

“Há uma atenção enorme a preocupações comerciais, mas para termos decisões construtivas em governança é praticamente impossível. Decisões unilaterais precisam ser substituídas pela cogestão do jogo”, continuou Baer-Hoffmann.

É evidente que a governança da Uefa é falha, não só por causa da tentativa de Superliga Europeia, mas por diversos outros problemas, como o combate fraco a racismo e homofobia, por exemplo, ou mesmo em questões estritamente esportivas, como as mudanças o formato da Champions League, que passará a ter mais datas a partir de 2024.

Logo depois da ameaça da Superliga, veio a ameaça de uma Copa bienal, o que só mostra a instabilidade de uma estrutura de decisão nas entidades que gerem o futebol mundial. O vice-presidente executivo da Profesional Footballers’ Association (PFA), Bobby Barnes, disse que a proposta da Fifa não foi discutida, foi apenas informada. “Se você é considerado uma verdadeira parte interessada, as negociações devem acontecer antes da apresentação”, afirmou o dirigente.

A falta de representação especialmente de jogadores e torcedores, mas também das ligas, é um problema quando pensamos em um processo saudável para o futebol. Todos são partes importantes que deveriam ser ouvidos em qualquer questão que mude tanto o jogo. Falta isso na Fifa e falta isso na Uefa também. A Superliga foi só um sinal que é preciso melhorar. Sem fazer isso, essa terá sido apenas a primeira tentativa de um clube fechado de elite em prol de si mesmos, e não pelo jogo. É preciso melhorar a governança e isso é cada vez mais urgente.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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