Europa

Dirigente italiana critica Superliga: “O problema dos clubes é o aumento exponencial dos gastos”

Integrante de Conselho da Fifa, Eveline Christillin criticou a ideia de uma Superliga e disse que o problema é que os clubes tem gastos excessivos

Um dos pontos centrais da Superliga Europeia, defendida ainda hoje por dirigente como Florentino Pérez, do Real Madrid, Andrea Agnelli, da Juventus, e Joan Laporta, do Barcelona, é que os clubes têm perdido dinheiro demais. Por isso, dizem, é preciso aumentar as receitas e a Superliga seria um caminho. Evelina Christillin, dirigente italiana que integra o Conselho da Fifa, diverge dessa visão. Para ela, o problema é que os clubes estão gastando demais e isso sim deveria ser revisto.

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Christillin é uma dirigente experiente. Aos 65 anos, ela já viveu algumas experiências. Em 1998, foi presidente executiva da candidatura de Turim para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2006. Participou também do Comitê Organizador da Expo 2015, em Milão. Em 2016, tornou-se membro do Conselho da Fifa, principal órgão decisório da entidade.

A italiana participou de uma mesa redonda que discutia o esporte italiano dentro do evento “Made in Italy Summit 2021: Setting a New Course”, organizado pelo Il Sole 24 Ore e pelo Financial Times. Perguntada sobre a Superliga e a alegação dos clubes que havia muitas dívidas e, por isso, seria preciso um torneio que arrecadasse mais.

“Os balanços dos 12 clubes que estavam envolvidos na Superliga, seis ingleses, três espanhóis, três italiano, tiveram, só em 2019, 750 milhões em dívidas, então se olharmos para as dívidas nos anos anteriores, antes da Covid, os números aumentam consideravelmente”, disse Christillin.

“Outro dia foram publicados os balanços financeiros de Juventus e Inter: mais de 200 milhões em prejuízos nos dois casos. O problema real é um aumento exponencial dos custos que absolutamente não seguem um possível aumento de receitas ligadas à direitos de televisão e qualquer outro. Então, o problema não é só a Covid, que certamente pesou, mas eu dei a vocês um número que preocupa nos anos anteriores da epidemia e o problema é esse aumento exponencial de custos ligados a compromissos absolutamente insustentáveis”.

Mais do que a crítica ao motivo maior da Superliga, Christillin ainda foi além. Para a integrante do Conselho da Fifa, é preciso que a gestão no futebol seja mais compartilhada. “Ou todos concordamos, ao nível de partes interessadas, a dar controle compartilhado a várias partes, como jogadores, ligas, federações, clubes, etc., e assim talvez possamos voltar a ter sustentabilidade, ou então destruiremos tudo”, afirmou.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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