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Seleção brasileira tentou, mas Jorginho ouviu o coração para escolher defender a Itália

Jorginho chegou a ser balançado pela seleção brasileira, mas não quis virar as costas ao país que o ajudou e o formou como jogador

Jorginho é um dos principais jogadores da seleção italiana. O nome é uma inequívoca referência ao país que nasceu, o Brasil, de onde saiu ainda adolescente para ir para a Itália. Como já falamos por aqui, nacionalidade é um conceito maior e mais complicado do que a seleção que o jogador defende. No caso de Jorginho, ele teve convite para defender o Brasil quando já era um jogador estabelecido, mas decidiu seguir o coração e jogar pelo país que o acolheu, ainda adolescente, para tornar possível o sonho de ser jogador de futebol.

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“Saí de Imbituba aos 13 anos, fui para Brusque, Guabiruba, que é uma cidade pequena ao lado de Brusque, para esse projeto, fiquei dois anos lá. Aos 15, eu me mudei para a Itália”, contou o jogador, em entrevista ao programa “Bem, Amigos”, no SporTV. “Aos 15 anos, eu cheguei na base do Hellas Verona, cresci na base até os juniores, depois fui emprestado para a quarta divisão por um ano (no Sambonifacese). Depois voltei”.

O jogador comentou sobre sua origem italiana, que o possibilitou ter o passaporte. “Meu pai é Jorge Luiz Frello. [A família] É de Vincenza, do norte da Itália. Do lado de Verona”, contou o jogador. “Este país me adotou e eu amo este país de todo coração”. O bisavô do jogador, Giacomo Frello, era da Itália, o que o permitiu ter a cidadania.

“Eu cheguei a jogar na sub-21 também pela Itália. Assim que chegou para mim a convocação, de cara aceitei porque eu vi a seleção brasileira como algo muito longe e pelo fato de eu ter crescido na Itália, pela Itália ter aberto as portas para mim, eu não pensei duas vezes, sinceramente”, contou o jogador.

“No momento depois da sub-21, eu só tinha jogado amistosos. Foi quando chegou em 2018 [na verdade, 2017], na última convocação no jogo contra a Suécia [na repescagem], estava chegando a convocação e o Brasil me procurou também. Aí, nesse momento, foi complicado. Foi complicado porque daquela distância que existia… Também não posso dizer que nunca sonhei em jogar com a amarelinha. Qual é a criança que nunca sonha em jogar com a amarelinha? Também era o meu sonho de criança”.

“Quando chegou essa ligação do Edu Gaspar, ele me ligou, a gente conversou. Ele me falou: ‘Jorge, a gente está pensando em te convocar. Não posso te garantir nada’. Eu falei: ‘Claro, Edu, transparência é o primordial aqui’. Ele me disse: ‘Sei que é difícil, converse com a sua família’. Então eu realmente conversei com a minha família, pensei bastante.

“Não me senti bem depois de ter passado o que tinha passado, vindo para a Itália, ter jogado pela sub-21, depois ter jogador amistosos pela principal também e no momento que a seleção teve uma Eliminatória da Copa bem complicada, estava indo para aquele jogo final contra a Suécia… Eu senti que a Itália precisava de ajuda. E quando eu precisei de ajuda, a Itália me ajudou, me abriu as portas, me abraçou. Então, não me sentia à vontade de virar as costas para a Itália nesse momento. Meu coração falou: A Itália precisa de você. Fiz essa escolha e, sinceramente, eu sou muito feliz com ela”.

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Bola de Ouro

Uma das conversas mais frequentes que temos visto na imprensa internacional é que Jorginho poderia concorrer ao prêmio Bola de Ouro, o de maior prestígio na Europa. Por vezes o prêmio tem sido de popularidade, ainda que, no caso da Bola de Ouro separada da Fifa, haja um pouco mais de visão técnica, já que os votos são dados por jornalistas, e não inclui capitães e técnicos de seleções. Ainda assim, é um prêmio individual em um esporte coletivo e jogadores que trabalham pelo time por vezes são vistos como coadjuvantes.

Com tudo isso, porém, Jorginho tem se tornado um candidato sério, porque ele foi fundamental ao Chelsea, campeão da Champions League, e foi crucial na Itália, campeã da Eurocopa. O seu papel definitivamente ganhou mais destaque e os títulos referendam isso. Mas ainda assim, será que é possível que o meio-campista vença concorrentes de peso na disputa, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar?

“Nós vivemos pelos nossos sonhos. Mas eu serei sincero: depende do critério usado para dar o prêmio. Se nós falarmos sobre talento, eu sei que eu não sou o melhor do mundo. Se você escolher baseado em títulos, bem, ninguém ganhou mais do que eu nesta temporada”, afirmou o jogador. “Como eu vou me comparar com [Lionel] Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar? Eles têm características completamente diferentes, mas, novamente, depende do critério”.

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Pênalti perdido

Depois de marcar o gol da vitória na disputa de pênaltis contra a Espanha, Jorginho errou a sua cobrança contra a Inglaterra na final. “Foi tudo combinado, sabia que Donnarumma ia pegar. Não, estou brincando (risos). A realidade é que você fica com aquele sentimento ruim, porque você quer ajudar a sua equipe da melhor maneira possível e eu sempre dou tudo que eu tenho pela equipe. E infelizmente, muitas vezes não é o bastante”.

“Acabei errando o pênalti, naquele momento ali foi um sentimento de tristeza mesmo por não poder ter dado a vitória tão esperado. Ainda bem que depois a gente tinha esse fenômeno no gol que conseguiu me salvar. Eu ainda falei para ele: ‘Estou te devendo uma janta, o que você quiser’ (risos)”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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