Eurocopa

Se a frustração de De Rossi marcou o abismo da seleção, sua festa com Spinazzola é das grandes imagens da final da Euro

Depois do jogo, De Rossi carregou Spinazzola em suas costas e ajudou o lateral contundido a festejar

Daniele De Rossi simbolizou a Itália naquele que é considerado por muitos o pior momento da história da seleção. O meio-campista não evitaria a derrota para a Suécia no primeiro jogo da repescagem para a Copa do Mundo de 2018. E na volta, no banco de reservas, deu uma enorme bronca quando o técnico Giampiero Ventura, precisando da vitória a qualquer custo, resolveu colocá-lo quando tinha um talento como Lorenzo Insigne à disposição. De Rossi não entrou, mas Insigne também não. A Azzurra empatou, ficou de fora do Mundial e o veterano representou a dignidade dos italianos naquele momento. Foi até o ônibus sueco para pedir desculpas pelos torcedores que vaiaram o hino da Suécia e pela agressividade excessiva de seu time, além de parabenizar os vencedores. Seria o seu último ato como jogador da seleção.

Nos anos seguintes, De Rossi encerrou sua bonita história com a Roma e ainda se aventurou pelo Boca Juniors, antes de pendurar as chuteiras. O quarto jogador com mais partidas pela Azzurra, no entanto, retornou à seleção. Em março de 2021, acabou convidado para se tornar um dos assistentes técnicos de Roberto Mancini. Levaria a experiência de tantos anos em alto nível e também a convivência com muitos dos jogadores do atual grupo, seus pupilos até 2017. Mais importante, adicionaria uma pitada de paixão e amor à camisa, mesmo que limitada aos vestiários. E isso se viu em Wembley.

A cena mais viral de De Rossi após o jogo aconteceu com o veterano já em transe. Mesmo de roupa social, ele saltou e deslizou numa grande mesa repleta de cerveja. O mais bonito, porém, fica com o ato ao lado de Leonardo Spinazzola. O lateral, de muletas após operar o tendão de Aquiles há uma semana, tinha sua mobilidade limitada na comemoração do título. Sem problemas: De Rossi passou a carregá-lo em suas costas, com Spina andando de cavalinho no antigo companheiro de seleção. Diz muito sobre a personalidade do ex-volante e mesmo sobre o ambiente positivo na Azzurra.

De Rossi não ficou com sua medalha de ouro por ter conquistado a Copa de 2006. Dez anos depois, quando faleceu Pietro Lombardi, histórico roupeiro da seleção, sem muito alarde o meio-campista depositou a medalha no caixão para ser enterrada junto com o amigo. Desta vez, De Rossi ganha uma nova medalha de ouro, como assistente na Eurocopa. Sua relação com a Azzurra, ainda assim, não é material. É muito mais sentimento, algo que voltou a ser notado em Wembley.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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