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Também um campeão: De Rossi deixou sua medalha da Copa-06 no caixão do roupeiro da Azzurra

No que diz respeito a homenagens a personagens do futebol falecidos, a de Daniele De Rossi a um antigo roupeiro da seleção italiana deve ter sido das mais singelas já feitas. Na manhã desta quarta-feira, o volante deixou o treinamento da Roma com pressa para viajar para Florença, onde compareceu ao velório de Pietro Lombardi, que morreu nesta semana, aos 92 anos. Junto do corpo de Lombardi, segundo a Gazzetta dello Sport, agora descansa a medalha de ouro da Copa do Mundo de 2006 de De Rossi.

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Lombardi ganhou dos italianos o apelido de “Spazzolino” (“escova de dentes”), pela maneira dedicada como lustrava as chuteiras dos jogadores e por estar sempre à disposição dos atletas campeões do mundo durante a campanha do título de 2006. Ainda que como coadjuvante, De Rossi fez parte daquele grupo, e seu tempo com Spazzolino parece ter sido especial, considerando a homenagem feita pelo volante em seu enterro.

O jornal italiano conta que De Rossi chegou ao velório, despediu-se de Lombardi e lá, sem holofote algum, apenas com algumas testemunhas e sua consciência, depositou sua medalha dentro do caixão do antigo roupeiro. Totti foi mais público em sua homenagem, com uma postagem em seu blog dedicada a Spazzolino. De Rossi preferiu não fazer declarações, conceder entrevistas ou postar fotos em redes sociais.

Pietro Lombardi é daquele tipo de herói cuja contribuição para uma conquista acaba não aparecendo. Alguém que não entra em campo para fazer um gol, salvar em cima da linha com um carrinho ou sequer toma decisões táticas que influenciem o jogo. Ainda assim, por sua dedicação a um grupo, consegue conquistá-lo e, de alguma forma, ajuda a criar o tipo de ambiente que possibilita grandes glórias.

Pela maneira como é carinhosamente lembrado pelos jogadores italianos, merecia uma homenagem que lhe desse a atenção que a mídia nunca lhe reservou. Com o belo e silencioso gesto de De Rossi, ganhou uma última menção que acaba por registrar o seu papel no último título mundial italiano, e nada mais emblemático do que estar ao lado de um símbolo daquela conquista.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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