Portugal deslancha no final e, com dois de Cristiano Ronaldo, vence a Hungria com estádio lotado em Budapeste
Em jogo difícil, Portugal fez os três gols nos minutos finais para garantir a vitória por 3 a 0, mesmo com torcida contrária
Em uma partida que o placar engana demais quem olha, Portugal venceu a Hungria por 3 a 0. Os húngaros fizeram uma partida interessante, disputada, mas sucumbiram diante dos portugueses nos minutos finais. O jogo foi muito difícil e os dois gols só saíram aos 39, aos 42 e aos 46 minutos do segundo tempo, quando o empate parecia próximo. De repente, o jogo difícil virou uma vitória com folga. Rafa Silva entrou muito bem em campo no segundo tempo e Cristiano Ronaldo mais uma vez foi decisivo, desta vez nos minutos finais.
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Jogo com público
O estádio Ferenc Puskás foi o único a receber autorização do governo local para receber 100% de público. Uma medida temerária, ainda que a vacinação na Hungria esteja avançada (42.1% do total da população completamente imunizada, com 54.3% tendo recebido a primeira dose). Houve só 21 casos registrados nesta segunda-feira, ou seja, nas últimas 24h. A pandemia está controlada no país.
Isso significa que mais de 60 mil pessoas estiveram no estádio para presenciar a partida, a única na Eurocopa com estádio cheio. Aos húngaros que quiseram comparecer, era exigido o atestado de vacinação ou então comprovante que teve a COVID-19 nos últimos três meses. Aos portugueses ou estrangeiros em geral, era preciso um teste negativo PCR-R de COVID-19.

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Pressão inicial de Portugal
O primeiro tempo teve Portugal melhor, com boas chances, mas sem gols. Logo a quatro minutos, Diogo Jota recebeu um bom passe, perdeu um pouco o tempo de bola, mas se recuperou e, com a opção de passar para Cristiano Ronaldo, livre, preferiu o chute. De pé esquerdo, ele acertou um bom chute, forte, mas defendido pelo goleiro Peter Gulacsi. Cristiano Ronaldo, claro, reclamou com o companheiro por não ter recebido o passe.
Depois, aos 18, Pepe fez o lançamento para Cristiano Ronaldo nas costas da defesa, mas o goleiro Gulacsi defendeu. Foi marcado impedimento no lance. O time chegava bem ao ataque, trabalhando as jogadas pelos lados do campo, onde havia espaço. Só que a pressão foi maior no começo do jogo. À medida que o tempo passou, o jogo ficou mais morno.
O capitão húngaro, Adam Szalai, foi quem teve a melhor chance do time da casa na primeira etapa. Em um cruzamento, o jogador de 1,93 metro tocou de cabeça e levou algum perigo. No mais, o time dirigido pelo técnico italiano Marco Rossi tentava complicar com sua dupla de ataque, Ádam Szalai, um centroavante típico, e Roland Sallai, um segundo atacante veloz.
Hungria melhora no segundo tempo
Logo no início do segundo tempo, Portugal foi para cima. Em escanteio, Pepe tocou de cabeça e obrigou Gulacsi a uma boa defesa para impedir o gol. Foi um começo similar ao primeiro tempo, com Portugal buscando o gol. Só que o cenário seria diferente do primeiro tempo.
Com as imensas dificuldades que Portugal tinha na criação de jogadas, os portugueses raramente levavam perigo, mesmo tendo mais a bola. Cristiano Ronaldo estava isolado no meio dos zagueiros e o time raramente conseguia acioná-lo, ainda mais em boas condições.
Com isso, a Hungria passou a acreditar mais. Sua dupla de ataque incomodava, fosse com Adam Szalai recebendo, dominando, protegendo a bola e chutando de onde desse – sem muita precisão, aliás – fosse por Rolland Sallai, normalmente saindo pela esquerda para criar jogadas.
Os ataques da Hungria davam alguns sustos. Aos 35 minutos, os húngaros chegaram ao gol. Szabolcs Schön, que tinha acabado de entrar, recebeu em velocidade pela direita, fez o corte para o meio e finalizou para marcar 1 a 0. O assistente, porém, marcou impedimento assim que a jogada foi concluída. O replay mostrou que o húngaro estava claramente em posição irregular.
Rafa Silva entra bem e três gols no final
Diante de um cenário perigoso, o técnico Fernando Santos mexeu nos minutos finais. Aos 36 minutos, colocou Renato Sanches no lugar de William Carvalho e André Silva no lugar de Diogo Jota. Uma tentativa no final de chegar ao gol.
O gol sairia logo depois. Rafa Silva, que entrou no lugar de Bernardo Silva, desceu pela direita e cruzou rasteiro. A bola desviou no meio do caminho, mas ainda assim, o lateral Raphael Guerreiro apareceu pelo meio, finalizou de primeira e a bola ainda desviou em Willi Orbán, o que matou o goleiro Gulacsi: 1 a 0.
Aos 41 minutos, Portugal chegou novamente com perigo. Rafa Silva avançou pelo meio com a bola e acabou derrubado por Orbán. O árbitro Cuneyt Çakir apontou pênalti. Cristiano Ronaldo cobrou bem, no canto, e marcou 2 a 0 para os Lusos em Budapeste.
Nem deu para os húngaros se recuperarem. Aos 46 minutos do segundo tempo, Cristiano Ronaldo tabelou com Rafa Silva dentro da área e, na pequena área, o camisa 7 driblou o goleiro e empurrou para o gol. Um golaço com tabelinha, que fechou a conta em Budapeste: 3 a 0 para Portugal. Cristiano Ronaldo chegou a 11 gols em Eurocopas, o que o torna o maior artilheiro da história do torneio. Superou Michel Platini, que tinha nove e com quem o português começou empatado. É a quinta Euro de Ronaldo, recordista neste quesito. No total, são 106 gols de Ronaldo com a camisa da seleção portuguesa.
Os húngaros lutaram muito ao longo da partida e fizeram um bom jogo, mas não resistiram às investidas finais de Portugal. Até por isso, os jogadores foram cumprimentar a torcida e fizeram um gesto bonito, com a mão no peito, cantando o hino. Uma ligação bonita entre a arquibancada cheia e os jogadores. A derrota era esperada, foi até maior do que o equilíbrio que houve na partida, mas prevaleceu a força portuguesa.

