Eurocopa

Oito grandes momentos da história da seleção da Finlândia antes da atual Eurocopa

Das participações olímpicas a campanhas próximas da classificação nos qualificatórios, a Finlândia tem outras boas histórias além da Euro 2020

A Finlândia decide sua vida na Euro 2021 nesta segunda-feira contra a Bélgica, mas já mostrou seu cartão de visitas no torneio ao bater a Dinamarca na estreia por 1 a 0 (num jogo que também será lembrado pelo triste incidente com Christian Eriksen). Apesar de estreantes numa fase final de um grande torneio de seleções, os finlandeses têm trajetória de mais de um século no futebol internacional. Reunimos aqui oito momentos marcantes da seleção escandinava ao longo de sua história, incluindo eliminatórias, amistosos e outras competições.

O primeiro brilho foi olímpico

A Finlândia sequer era um país independente quando teve seu primeiro momento de brilho no futebol. Ele aconteceu em 1912, na Suécia, na segunda edição oficial do torneio de futebol como parte dos Jogos Olímpicos realizados em Estocolmo naquele ano. A seleção do Grão-Ducado da Finlândia, território então pertencente ao Império Russo, havia feito sua primeira partida oficial no fim do ano anterior enfrentando a vizinha Suécia. E em sua primeira competição teria pela frente uma debutante, a Itália, na primeira rodada.

Logo aos dois minutos, os finlandeses abririam a contagem com Jarl Öhman, mas os italianos chegariam à virada antes de Eino Soinio empatar novamente ainda na etapa inicial. No intervalo, a Itália se aproveitou da incrível semelhança física entre seus jogadores Carlo De Marchi e Vittorio Morelli di Popolo para sorrateiramente colocar o segundo em campo no lugar do primeiro, violando a proibição de substituições vigente na época. Mas mesmo assim, não houve mais gols no segundo tempo e a partida foi para a prorrogação.

E no tempo extra o herói da Finlândia seria o meia-direita Bror Wiberg, autor do gol da vitória por 3 a 2. E o mesmo jogador abriria o placar na partida seguinte, justamente diante da Rússia, pelas quartas de final. O adversário chegou ao empate na metade do segundo tempo, com gol de Vasily Butusov. Mas os finlandeses, mesmo sentindo o cansaço de terem voltado a campo um dia depois da estreia (enquanto os russos folgaram na primeira rodada), chegariam à vitória por 2 a 1 no fim da partida, com outro gol de Jarl Öhman.

Mas nas semifinais, diante da poderosa seleção da Grã-Bretanha (reforçada pela experiência de nomes como o atacante Vivian Woodward), ficou evidente o desnível técnico entre os novatos da Finlândia e os inventores do futebol: em 15 minutos de partida, os britânicos já venciam por dois gols e haviam perdido um pênalti. Até o fim da partida, marcariam com tranquilidade mais duas vezes, vencendo por 4 a 0 e pondo fim ao sonho da Finlândia de chegar à decisão. Sobrava a disputa pelo bronze contra a Holanda.

O desânimo, no entanto, abateu-se sobre os escandinavos, que levaram uma lavada de 9 a 0, com cinco gols do atacante Jan Vos. Mas eles não voltariam ao país de mãos abanando com o quarto lugar: receberiam medalhas de prata especiais da Associação de Futebol da Suécia para marcar aquela que até hoje é a melhor campanha do futebol finlandês num grande torneio de seleções. Cinco anos depois, em dezembro de 1917, a Finlândia se tornaria um país independente.

Uma vitória marcante

Apesar daquele bom desempenho no torneio olímpico, o futebol da Finlândia estagnaria pelas décadas seguintes, em parte devido a uma divisão interna na organização do jogo. Assim, foram pouco expressivas as campanhas nas Eliminatórias para as Copas do Mundo de 1938, 1950, 1954, 1958 e 1962, quando a seleção não venceu nenhuma partida. E até mesmo nos Jogos Olímpicos as campanhas foram escassas e curtas, com derrotas e eliminações logo na primeira partida em Berlim 1936 e em casa em Helsinque 1952.

Após a brilhante campanha olímpica de 1912, a Finlândia chegou a bater a Alemanha em Dresden por 2 a 1 em agosto de 1923, mas só voltaria a vencer uma seleção que não fosse as vizinhas escandinavas ou bálticas em setembro de 1950, a superar a Iugoslávia em Helsinque por 3 a 2. Tanto este quanto aquele jogo eram amistosos. Em partidas oficiais de competição, os finlandeses seguiam em busca do primeiro triunfo, que só viria em setembro de 1965, ao vencer a Polônia em casa por 2 a 0 pelas Eliminatórias da Copa.

Aquele triunfo, porém, passou quase despercebido. Primeiro porque, embora fosse sem dúvida uma equipe mais forte que a da Finlândia, a Polônia ainda não era uma seleção de participações frequentes em grandes torneios – algo que só se tornaria a partir da década seguinte. E segundo porque no jogo da volta, pouco menos de um mês depois, os poloneses venceriam com facilidade por 7 a 0. Entretanto, o gosto daquela primeira vitória deu aos finlandeses a vontade de voltar a aprontar em breve num torneio qualificatório.

A disputa por uma vaga no Mundial seguinte, o do México, deixou a Finlândia no grupo 6 europeu, ao lado de Espanha, Iugoslávia e Bélgica. As três eram bem credenciadas a conseguir a vaga, de modo que restaria à Finlândia ocupar o posto de “fiel da balança” na disputa. E assim foi, de saída, embora na estreia, no Estádio Olímpico de Helsinque, a equipe tenha ficado a cinco minutos de arrancar uma grande vitória por 1 a 0 sobre a Bélgica – que marcou duas vezes naquele curto espaço de tempo e levou a melhor de virada por 2 a 1.

Nos jogos seguintes, os finlandeses seguiram à risca o roteiro programado: foram goleados pela Iugoslávia por 9 a 1 em Belgrado, pela Bélgica por 6 a 1 em Waregem e de novo pelos balcânicos por 5 a 1, agora em Helsinque. Faltavam, porém, os dois jogos contra a Espanha, que acontecem quando o grupo já está definido: os belgas atropelaram desde a saída e conquistaram a vaga com muita antecedência. Porém, a Roja quer ao mesmo tempo iniciar bem um novo ciclo e se despedir de pé daquelas malfadadas Eliminatórias.

E ainda assim, há bons nomes no time espanhol, que é comandado por um triunvirato formado pelos treinadores de Real Madrid (Miguel Muñoz), Barcelona (Salvador Artigas) e Las Palmas (Luis Molowny), as três equipes de melhor desempenho recente no país. Entre outros, estão no elenco o zagueiro Jesús Glaría (Atlético de Madrid), o meia Josep María Fusté (Barcelona) e o atacante Amancio Amaro (Real Madrid), que disputaram a Copa de 1966. E os dois últimos, integrantes da seleção campeã europeia cinco anos antes.

Só que, aos sete minutos, Tommy Lindholm abre o placar em Helsinque. E aos 20, numa indecisão entre Glaría e o goleiro Salvador Sadurní, o atacante Arto Tolsa aproveita para marcar o segundo. Perplexa, a Espanha não consegue reagir, enquanto a Finlândia defende o resultado histórico na base da inteligência tática e da superação física. Os 2 a 0 daquele 25 de junho de 1969 entrariam para a história de ambas as seleções, por motivos distintos. E nem mesmo os 6 a 0 impostos pela Espanha na volta diminuiriam o feito finlandês.

Bem perto da Euro

Olavi Laaksonen, o técnico finlandês na histórica vitória sobre a Espanha, ficaria no cargo até 1974 sem, entretanto, obter novos resultados dignos de nota. Após uma breve passagem do interino Martti Kosma, a federação apontaria Aulis Rytkönen como o novo comandante no ano seguinte. Ex-atacante, Rytkönen era um nome histórico do futebol finlandês, do qual havia sido o primeiro jogador a se profissionalizar: passara oito anos na França defendendo o Toulouse e conquistando a copa daquele país na temporada 1956/57.

E a seleção sob seu comando apresentaria progressos. Em setembro de 1975, arrancaria um 0 a 0 com a Itália em Roma pela fase classificatória da Eurocopa. Nos anos seguintes, venceria a Suíça por 1 a 0 num amistoso em Helsinque, bateria duas vezes a Turquia (uma delas em Ancara) e golearia Luxemburgo por 7 a 1 – maior vitória da Finlândia desde os 9 a 2 na Lituânia em 1933 – pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da Argentina. Mas a grande demonstração de evolução viria em outra eliminatória, a da Eurocopa de 1980.

A chave outra vez era equilibrada. União Soviética e Hungria despontavam como favoritas, tendo a Grécia correndo por fora e a Finlândia buscando, em tese, beliscar pontos aqui e ali. Só que logo de saída os prognósticos foram totalmente invertidos, com o time de Aulis Rytkönen arrancando duas excelentes vitórias em Helsinque. Primeiro um 3 a 0 sobre os gregos em 24 de maio de 1978 e mais tarde um 2 a 1 nos magiares em 20 de setembro. Para a surpresa geral, os escandinavos largavam na liderança do Grupo 6.

O destaque da Finlândia nestas duas vitórias foi Atik Ismail, atacante de origem tártaro-finlandesa que se destacou na seleção sub-18 vice-campeã europeia em 1975 (perdendo a decisão para uma Inglaterra que incluía nomes como Bryan Robson, Glenn Hoddle e Ray Wilkins) e naquele fim de 1978 teve rápida passagem pelo Besiktas. O goleador de apenas 21 anos marcou duas vezes na vitória sobre os gregos (com Jyrki Nieminen anotando o outro gol) e abriu a contagem contra os húngaros (o meia Seppo Pyykkö fez o segundo).

Três semanas após a vitória sobre os húngaros, a Finlândia foi a Atenas fazer o jogo de volta contra a então lanterna Grécia, que ainda não havia somado pontos ou sequer feito gols. Só que mais uma vez o grupo deu uma guinada inesperada: os gregos abriram 5 a 0 ainda no primeiro tempo e terminaram goleando por incríveis 8 a 1, com três gols de Thomas Mavros (o meia Aki Heiskanen anotou o de honra dos escandinavos), num resultado tão impactante que derrubou Rytkönen do cargo e levou à barração de alguns jogadores.

Esko Malm, técnico do Haka, assumiu o comando da seleção no início de 1979. Mas quando ele estreou nas Eliminatórias, só em 4 de julho, o cenário havia mudado um pouco. De lanterna, a Grécia passou a líder num grupo embolado, com cinco pontos ganhos em cinco jogos. A Finlândia somava quatro pontos e dividia a segunda posição com a Hungria, mas tinha feito apenas três partidas contra quatro dos magiares. Na última posição vinha a União Soviética, que também fizera só três jogos, conquistando três pontos.

E seriam os soviéticos os próximos adversários da Finlândia, que faria seu último jogo em casa no grupo. O time foi para o intervalo em desvantagem depois que Aleksandr Khapsalis abriu o placar para o adversário, mas conseguiu reagir e empatar mais uma vez com Atik Ismail na etapa final. Em setembro, a Grécia encerrou sua participação derrotando os mesmos soviéticos em Atenas e somando sete pontos, o que deixava apenas os finlandeses, com cinco e dois jogos a menos, em condições de superá-la e ficar com a vaga.

Porém, como seu saldo de gols era muito inferior ao dos gregos, os escandinavos teriam de somar pelo menos três pontos em dois jogos fora de casa, diante da Hungria em Debrecen e da União Soviética em Moscou. No primeiro confronto, a equipe de Esko Malm saiu dois gols atrás na etapa inicial, diminuiu com o meia Miika Toivola no começo do segundo tempo, mas poucos minutos depois sofreu o baque do terceiro gol, que fechou o placar em 3 a 1 a favor dos magiares. E assim terminava o sonho da classificação inédita.

Ainda houve, no entanto, uma bonita despedida em Moscou. O jogo contra a União Soviética foi para o intervalo com o placar em branco, mas logo na volta do segundo tempo os donos da casa saíram na frente marcando com Sergey Andreev aos cinco minutos e ampliando com Yuri Gavrilov aos 22. A Finlândia parecia irremediavelmente batida. Só parecia. Aos 31, o meia-atacante Kai Haaskivi, que atuava na NASL norte-americana, diminuiu. E a oito minutos do fim, o atacante Tuomo Hakala decretou um respeitável 2 a 2.

O retorno olímpico

Se não conseguiu a vaga na fase final da Eurocopa, pelo menos a Finlândia conseguiu – por linhas tortas – participar de outra importante competição de seleções em 1980: o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Moscou. No pré-olímpico, os finlandeses eliminaram os dinamarqueses na fase preliminar em ida e volta empatando em 1 a 1 fora de casa antes de golearem por 4 a 1 em seus domínios. Mas na fase decisiva terminaram em terceiro num triangular com Noruega e Alemanha Ocidental, somando dois empates e duas derrotas.

Aqueles Jogos Olímpicos, porém, ficaram marcados pelo boicote liderado pelos Estados Unidos e aderido por outros 68 países – entre eles Noruega (que inicialmente havia sido o país classificado para o torneio de futebol) e Alemanha Ocidental. Assim, a vaga nesta modalidade caiu no colo dos finlandeses, que, no entanto, teriam de se submeter ao regulamento da época para convocar sua seleção: só eram permitidos atletas amadores e que não houvessem participado de jogos de Copa do Mundo, incluindo as Eliminatórias.

O primeiro ponto não chegava a ser um empecilho, já que se aplicava à maioria dos jogadores em atividade no país. Foi o segundo critério que acabou forçando a Finlândia a levar uma equipe mais jovem e bem distinta da que quase chegou à Eurocopa. Jovem, aliás, era também seu treinador, Jukka Vakkila, de apenas 29 anos e que na época comandava a seleção sub-16. Num Grupo D em que a Iugoslávia era sem dúvida a grande força, os finlandeses eram vistos em pé de igualdade com Iraque e Costa Rica, os outros postulantes.

A primeira partida seria exatamente contra os iugoslavos. E embora os finlandeses conseguissem segurar o placar em branco por todo o primeiro tempo, os balcânicos comprovaram sua maior qualidade técnica no início da etapa final, marcando com Dževad Šećerbegović e Miloš Šestić e vencendo por 2 a 0 em Minsk. No outro jogo, o Iraque mostrou suas credenciais ao bater a Costa Rica com tranquilidade por 3 a 0. Na rodada seguinte, em Kiev, Finlândia e Iraque fariam um confronto fundamental para ambos os times.

O empate sem gols, aliado à vitória da Iugoslávia por 3 a 2 sobre a Costa Rica, ao mesmo tempo garantiu a classificação dos eslavos e eliminou os centro-americanos. Assim, a chance da Finlândia era vencer bem os “Ticos” e torcer por uma vitória dos balcânicos por boa margem de gols frente aos asiáticos. Os escandinavos cumpriram sua parte: Ari Tissari abriu o placar aos 18 minutos de jogo, Jouko Alila ampliou no começo da etapa final e, a dois minutos do fim, Jouko Soini fechou a vitória da Finlândia com um convincente 3 a 0.

Porém, faltou a combinação com o outro resultado. Embora escalando seus titulares, a Iugoslávia foi surpreendida e saiu atrás com gol de Falah Hassan logo aos seis minutos da etapa final. Ainda que o empate tenha vindo logo a seguir, com Zoran Vujović, o Iraque segurou até o fim o 1 a 1 que valeu sua classificação às quartas de final. Com uma vitória, um empate e uma derrota, três gols marcados e dois sofridos, restou à Finlândia a nona colocação, a melhor campanha entre os eliminados ainda na fase de grupos.

Pela primeira vez perto da Copa

Até o fim das Eliminatórias para o Mundial de 1982, o cartel da Finlândia na etapa classificatória era muito tímido. Em 10 participações desde 1938, a seleção somava apenas seis vitórias, quatro empates e nada menos que 39 derrotas. E além dos já citados triunfos contra Polônia e Espanha, os demais foram sobre as inexpressivas seleções de Luxemburgo e Albânia, duas vezes cada. Na própria fase qualificatória de 1982 a campanha foi modesta: último lugar com uma vitória e sete derrotas, atrás até dos albaneses no saldo de gols.

Ex-meia com passagem por alguns dos mais importantes clubes do país nos anos 1960 e 1970, Marti Kuusela tinha 36 anos quando foi convidado para assumir o comando da seleção em 1982, após ter sido campeão nacional dirigindo o HJK Helsinque no ano anterior. Seu primeiro teste, as Eliminatórias para a Eurocopa de 1984, não trouxe nada de novo em termos de resultados: num grupo com Portugal, Polônia e União Soviética, os alviazuis ficaram em último somando apenas um ponto (empate com os poloneses em Varsóvia).

Mas era possível notar uma base em formação. E que aproveitava dois movimentos importantes: um êxodo mais expressivo de jogadores do país para ligas mais fortes do continente e algumas campanhas interessantes de clubes finlandeses nas copas europeias. No primeiro movimento, os casos eram vários, indo além da tradicional migração para o vizinho futebol sueco – que ainda reunia um contingente bastante grande de nomes da seleção da Finlândia – e cruzando o Báltico em direção a certames mais competitivos.

Era o caso do lateral-direito Aki Lahtinen, remanescente do time olímpico de 1980 e que há algum tempo disputava as duas primeiras divisões do futebol inglês pelo Notts County. Do talentoso meia Pasi Rautiainen, que após passagem curta pelo Bayern de Munique encontrava estabilidade no Arminia Bielefeld. Ou do meia-esquerda Kari Ukkonen, que fazia o mesmo no Cercle Brugge. Ou dos atacantes Mika Lipponen, de passagens por Mallorca e Twente, e Jari Rantanen, goleador do HJK Helsinki que seguiu para o Beerschot.

Já no segundo, chamou a atenção a campanha do Haka (da cidade de Valkeakoski) na Recopa de 1984, quando chegou às quartas de final caindo somente diante da poderosa Juventus de Platini, Boniek, Scirea e Paolo Rossi, futura campeã, em duas apertadas derrotas por 1 a 0. Na primeira partida, transferida para Estrasburgo (França) em virtude dos gramados impraticáveis pelo inverno na Finlândia, a Vecchia Signora chegou ao resultado favorável apenas no último minuto, num gol dramático do meia Beniamino Vignola.

E ainda mais impressionante foi a campanha do Kuusysi Lahti – força ascendente no país naquele momento, cinco vezes vencedor da liga entre 1982 e 1991 – rumo às quartas de final na Copa dos Campeões de 1985/86. A equipe eliminou nas duas primeiras fases o FK Sarajevo (vencendo ambos os jogos) e o Zenit, campeões de Iugoslávia e União Soviética, respectivamente. E chegou às quartas de final onde encararia um Steaua Bucareste a caminho de seu título histórico. Mas venderia caro aos romenos a eliminação.

No primeiro jogo, em Bucareste, o Kuusysi Lahti parou o Steaua, sustentando o empate em 0 a 0 e levando um ótimo resultado para a partida da volta, que seria realizada no Estádio Olímpico de Helsinque. E nela, outro 0 a 0 parecia prevalecer até os minutos finais, quando após uma jogada confusa na área o atacante Victor Piturca demonstrou oportunismo e fez 1 a 0 para os romenos, decretando a eliminação dos finlandeses, na única ocasião em que um clube do país alcançaria aquela etapa na principal copa europeia de clubes.

Aquelas duas participações projetaram alguns nomes que integrariam a seleção que fez grande campanha nas Eliminatórias para a Copa de 1986. No Haka, despontava o bom goleiro Olavi “Olli” Huttunen, que sofreu só quatro gols nas seis partidas da Recopa e se tornaria o novo titular da Finlândia, vencendo a disputa com Olli Isoaho (dono da posição no time olímpico dos Jogos de Moscou) e Pertti Alaja (camisa 1 na campanha que quase levou o país à Eurocopa de 1980). Outro nome de destaque era o esperto atacante Ari Valvee.

Já o Kuusysi Lahti cedia seu capitão à seleção, o versátil lateral ambidestro Esa Pekonen, além de outro nome que ganharia mais espaço futuramente, após aquelas Eliminatórias: o atacante Ismo Lius. Pekonen estaria juntamente com Huttunen, Rautianen, Ukkonen, Rantanen e Valvee, além de remanescentes da campanha na fase classificatória da Euro 80 como os meias Hannu Turunen e Leo Houtsonen, entre os titulares da Finlândia na partida de estreia da caminhada por uma vaga na Copa do Mundo do México.

O jogo que abria o Grupo 3 europeu seria contra a Irlanda do Norte no dia 27 de maio de 1984 na cidade de Pori. Na véspera, o adversário havia conquistado sem entrar em campo o título da última edição do Campeonato Britânico graças ao empate em 1 a 1 entre Escócia e Inglaterra em Glasgow. Mas a comemoração norte-irlandesa terminaria com a vitória finlandesa por 1 a 0, gol marcado no início do segundo tempo por Ari Valvee, que recebeu um belo passe de Rautiainen e tocou rápido na saída de Pat Jennings.

O jogo seguinte, contra a Inglaterra em Wembley, só aconteceria quase cinco meses depois e não traria boas recordações: os Three Lions golearam facilmente por 5 a 0. Porém, uma boa vitória por 2 a 1 diante da Turquia em Antalya ainda no fim daquele mês de outubro recolocaria a equipe no páreo. Ari Hjelm abriu o placar de cabeça na primeira etapa e Mika Lipponen entrou como um raio na área para pegar o rebote do goleiro Arif Peçenek e ampliar. Os turcos diminuiriam perto do fim num pênalti convertido por İlyas Tüfekçi.

Ainda naquele ano de 1984, no dia 14 de novembro, haveria o jogo de volta contra a Irlanda do Norte em Belfast. E Lipponen voltaria a marcar, colocando a Finlândia em vantagem. Mas John O’Neill, de cabeça, empataria ainda no primeiro tempo. E na etapa final o árbitro português Alder Dante viu um pênalti fora do lance numa bola alçada pelos donos da casa sobre a área finlandesa. Gerry Armstrong converteu, decretando a vitória dos britânicos por 2 a 1. Mesmo com mais este revés, o grupo parecia bem imprevisível.

Logo a favorita Inglaterra dispararia na liderança, assim como a Turquia se firmaria na condição de saco de pancadas da chave. Assim, a tríplice disputa pela segunda vaga no rebolo entre Irlanda do Norte, Finlândia e Romênia (a quem os escandinavos ainda não haviam enfrentado) estava em aberto. E o time de Martti Kuusela – que antes da virada do ano já havia feito três de suas quatro partidas como visitante – só entraria em campo novamente em 22 de maio de 1985, recebendo os ingleses no Estádio Olímpico de Helsinque.

A Finlândia foi para o intervalo ostentando uma importante vitória parcial por 1 a 0 com gol obtido logo aos cinco minutos: num arremesso lateral para a área, Jari Rantanen mandou para as redes o rebote de uma bola espalmada por Peter Shilton e que ainda tocou na trave. A comemoração teve direito até a uma sambadinha do atacante. Mas uma falha da defesa, que permitiu a Mark Hateley receber o lançamento nas costas da zaga, dominar, girar e bater para o gol, fez com que os ingleses garantissem um ponto precioso no 1 a 1.

Duas semanas depois seria a vez de a Romênia ir a Helsinque. E sair na frente com um golaço de Gheorghe Hagi logo aos sete minutos, num chute da intermediária que pegou efeito e entrou no ângulo de um estático Huttunen. Mas Lipponen, de calcanhar, decretaria ainda na primeira etapa o novo empate em 1 a 1, resultado ruim para a Finlândia em casa diante de um adversário direto. Até porque, no fim de agosto, o time seria derrotado em Bucareste pelos mesmos romenos por 2 a 0, colocando-se em posição complicada.

Naquela altura, a Finlândia somava os mesmos seis pontos de Romênia e Irlanda do Norte (e dois a menos em relação à Inglaterra), mas tinha dois jogos a mais que todas as três. Assim, só uma muito intrincada combinação de resultados poderia assegurar a presença dos escandinavos no Mundial mexicano. Na rodada de 11 de setembro, quando os finlandeses folgaram, os resultados até que não foram tão ruins, com norte-irlandeses e romenos empatando e mantendo ainda uma ponta de esperança à equipe de Martti Kuusela.

No mesmo mês de setembro, mas no dia 25, a Finlândia encerraria sua participação derrotando a lanterna Turquia por 1 a 0 num jogo isolado em Tampere. Rantanen marcou o único tento, num chute quase sem ângulo que encobriu o goleiro Yaşar Duran. A vitória alçava o time ao segundo lugar do grupo. Mas ainda havia um bocado de água para rolar na disputa: era obrigatório torcer pelo empate no confronto direto entre Romênia e Irlanda do Norte em Bucareste e para que ambas fossem goleadas na última rodada.

Porém, mesmo jogando fora de casa, a Irlanda do Norte venceu por 1 a 0 e ficou muito próxima da classificação, a qual asseguraria com um 0 a 0 diante da Inglaterra em Wembley na última partida, em 13 de novembro. No mesmo dia, a Romênia derrotou a Turquia por 3 a 1 em Izmir e empurrou a Finlândia para a quarta colocação, com oito pontos ganhos (dois a menos que os norte-irlandeses). Tão perto e tão longe, lamentariam os escandinavos.

A Finlândia contra o Brasil

Aquela geração que colocou a Finlândia pela primeira vez perto de disputar uma Copa do Mundo também foi a primeira a enfrentar o Brasil. Os três confrontos entre as duas seleções, aliás, foram realizados num espaço de seis anos, entre 1986 e 1992. No primeiro amistoso, em 17 de abril no Mané Garrincha, em Brasília, o time de Telê Santana se preparava para disputar exatamente a Copa do México e testava vários nomes que poderiam figurar na lista final. A vitória por 3 a 0 veio com gols de Marinho, Oscar e Casagrande.

O jogo, entretanto, não foi o passeio que o placar indica. O Brasil demorou até os 25 minutos da etapa final para marcar o primeiro gol, na cabeçada precisa do ponta banguense. E os outros dois gols só vieram perto do apito final: aos 43, o zagueiro do São Paulo chutou de fora da área após uma furada de Silas e aos 44, o atacante do Corinthians aproveitou uma bola mal recuada pelo zagueiro Jukka Ikäläinen e fechou o placar. Naquele dia, a Finlândia levou a campo praticamente o mesmo time-base das Eliminatórias.

O segundo encontro ocorreu pouco mais de um ano depois, em 28 de maio de 1987, e foi o único disputado em Helsinque, com o gramado do Estádio Olímpico em péssimo estado. A Finlândia se encontrava em plena disputa das Eliminatórias da Eurocopa, ainda que já sem chances, com só um ponto ganho nas cinco primeiras partidas no Grupo 3, tendo como adversários Dinamarca, Tchecoslováquia e País de Gales. E apresentava boas novidades, como o goleiro Kari Laukkanen, do Cercle Brugge, e o armador Petri Tiainen, do Ajax.

O Brasil também levava a Helsinque, em meio a uma excursão europeia, uma seleção renovada sob o comando de Carlos Alberto Silva e que se preparava para Copa América daquele ano. Mas foi a Finlândia quem saiu na frente numa cabeçada de Ari Hjelm, depois que um lateral cobrado para a área foi mal afastado pela defesa brasileira. Ainda na etapa inicial o lesionado Mirandinha deixou o campo e deu lugar a Romário. E o Baixinho faria seu primeiro gol pela seleção ao receber de Müller, vencer a marcação e chutar cruzado.

Depois de chegar ao empate pouco antes do intervalo, o Brasil passaria à frente no início da etapa final numa grande jogada de Valdo, que tabelou com Raí, deu um belo drible no marcador e bater no canto de Laukkanen. E pouco depois, Edu Marangon lançaria Müller nas costas da defesa, e o atacante entraria sozinho na área e driblaria o goleiro para marcar o terceiro. No fim, um passe errado de Raí para Nelsinho seria aproveitado pelo grandalhão Rantanen, que cruzaria da direita para Ismo Lius descontar de cabeça para 3 a 2.

Rantanen, aliás, havia conquistado a Copa da Uefa de 1987 com o IFK Gotemburgo uma semana antes, competição da qual se sagrou um dos artilheiros, embora tenha ficado no banco nos dois jogos decisivos. Logo depois, ele se transferiria para o futebol inglês, onde defenderia o Leicester por duas temporadas. Mas quando Brasil e Finlândia se enfrentaram pela terceira e última vez, sua carreira internacional já havia se encerrado. O astro dos escandinavos em abril de 1992 era outro: o jovem meia-atacante Jari Litmanen.

O jogador de 21 anos ainda atuava no futebol local, defendendo o MyPa após ter sido revelado pelo Lahden Reipas e passado pelo HJK Helsinque em 1991. Mas já havia estreado pela seleção três anos antes, participando das Eliminatórias para a Eurocopa de 1992, quando os finlandeses ficaram em quarto lugar num grupo com Holanda, Portugal, Grécia e Malta. De remanescentes do confronto anterior, em 1987, havia o goleiro Kari Laukkanen, o defensor Erik Holmgren, o lateral Erkka Petäjä e o meia Pasi Tauriainen.

Na Seleção Brasileira, que fazia sua quarta partida sob o comando de Carlos Alberto Parreira na segunda passagem do treinador, o destaque era o retorno do veterano Junior, 37 anos, depois de quase seis anos de afastamento. Vestindo a camisa 10 e ostentando a faixa de capitão, o meia do Flamengo iniciava ali seu último (e curto) período na equipe – que naquele dia reunia apenas jogadores que atuavam no país. A partida disputada no estádio José Fragelli, em Cuiabá, foi bem animada, com muitas chances de gol.

Depois de o Brasil já ter desperdiçado pelo menos três ocasiões claras – incluindo uma cabeçada de Paulo Sérgio que bateu na trave e no rosto do goleiro Laukkanen, a Finlândia surpreendeu e abriu o placar quando Sérgio não segurou o chute de Litmanen de fora da área, e Jari Vanhala apareceu para conferir no rebote. E os escandinavos quase ampliaram ainda no primeiro tempo, mas Luís Carlos Winck salvou em cima da linha a finalização de Litmanen. Mesmo assim, o time dirigido por Juka Vakkila foi para o intervalo em vantagem.

Na etapa final, foram outras tantas chances claras desperdiçadas por ambos os lados. Mas o Brasil chegaria ao empate quando o estreante Carlos Alberto Dias encontrou Bebeto na área, e o atacante só desviou de Laukkanen. Mais adiante, Bebeto faria também o da virada, concluindo uma jogada incrivelmente confusa. E no fim, outro estreante, o lateral-direito Charles Guerreiro, desceu até a linha de fundo e cruzou na cabeça de Paulo Sérgio, que fechou em 3 a 1 o placar do último encontro entre as duas seleções.

A vaga que escapou nos acréscimos

Ao longo dos anos 90, Litmanen se consolidou como um dos melhores camisas 10 da Europa. Efetivado como o substituto de Dennis Bergkamp no Ajax, ele foi peça-chave na máquina dirigida por Louis Van Gaal que levantaria a Liga dos Campeões na temporada 1994/95. E, naturalmente, também se colocaria como líder natural da seleção finlandesa – que, no entanto, exceto por uma vitória importante aqui ou ali, nunca chegava exatamente a brigar por vaga nos grandes torneios de seleções. Mas uma exceção foi a Copa de 1998.

O Grupo 3 das Eliminatórias europeias contava com duas seleções que haviam disputado a Copa anterior, nos Estados Unidos: Noruega e Suíça despontavam como candidatas à vaga direta e à outra, na repescagem. A maior ameaça a elas era representada pela Hungria, embora contasse com uma equipe sem a mesma força de outros tempos. O Azerbaijão era o grande candidato a saco de pancadas. E então havia a Finlândia, que parecia ter reservado para si o quarto lugar na chave, sem fazer feio, mas sem disputar nada.

O começo, porém, foi pior do que se imaginava. Sem poder contar com Litmanen nos dois jogos iniciais, a Finlândia foi batida pela Hungria em Budapeste (1 a 0) na estreia, em setembro de 1996, e pela Suíça em Helsinque (3 a 2) no mês seguinte. Ao fim daquele ano, ocupava a lanterna da chave, atrás até mesmo do Azerbaijão – que surpreendera ao vencer os suíços em Baku. Porém, após a virada do ano, a equipe dirigida pelo experiente Richard Møller Nielsen (campeão europeu com a Dinamarca em 1992) enfim deslanchou.

Além de Litmanen, aquela geração incluía um bom número de jogadores que tiveram carreira de certa forma expressiva em ligas mais fortes do continente. Nomes como o goleiro Antti Niemi, o zagueiro Sami Hyypia e os atacantes Antti Sumiala e Mika Paatelainen eram nomes certos no time titular, enquanto outros, como os pontas Jonatan Johansson e Joonas Kolkka, costumavam ser utilizados durante os jogos. Todos eles eram figuras conhecidas do futebol europeu. E logo eles conduziriam a reabilitação do time nas Eliminatórias.

A Finlândia retomou sua campanha com dois jogos em abril de 1997. No primeiro, no dia 2, veio enfim a vitória: 2 a 1 sobre o Azerbaijão em Baku, com gols de Litmanen e Paatelainen (este, com a colaboração do goleiro Aleksandr Zhidkov). E no dia 30, seria a vez de viajar a Oslo para pegar a Noruega – que até ali liderava o grupo com folga, vencendo seus três jogos, marcando nove gols sem ser vazada nenhuma vez. A primeira, no entanto, seria pelos pés de Sumiala, que foi lançado nas costas da defesa e encobriu o goleiro Frode Grodås.

O gol saiu aos 15 minutos do segundo tempo, e a Finlândia quase conseguiu sustentar a zebra até o fim no estádio Ullevaal. Niemi salvou bonito uma cabeçada de Henning Berg após um escanteio. Mas não pôde fazer nada quanto ao chute de fora da área de Ole Gunnar Solskjær aos 37 minutos, que decretou o empate em 1 a 1. Porém, em 8 de junho os finlandeses voltaram a vencer com um fácil 3 a 0 no Azerbaijão em Helsinque, com gols de Jari Vanhala (remanescente da geração anterior), Litmanen e Sumiala no segundo tempo.

O resultado levou a Finlândia a superar a Suíça, que tinha um jogo a menos, e alcançar a Hungria na segunda colocação (a Noruega liderava com grande vantagem). E a rodada do dia 20 de agosto colocaria frente a frente as quatro postulantes: os finlandeses receberiam os noruegueses, enquanto húngaros e suíços jogariam em Budapeste. Os alviazuis, porém, veriam sua sequência favorável ser interrompida com uma goleada de 4 a 0 em pleno estádio Olímpico de Helsinque. Menos mal que o outro jogo terminou 1 a 1.

Niemi foi desfalque muito sentido no gol contra a Noruega e retornaria para o jogo crucial diante da Suíça em Lausanne no dia 6 de setembro. E o time arrancaria uma grande vitória por 2 a 1. Litmanen abriu o placar no primeiro tempo com chute forte da entrada da área no rebote de um escanteio. Na etapa final, um chutão de Niemi encontrou Sumiala. O atacante dominou, deu dois dribles em Christophe Ohrel e bateu cruzado para vencer Stephan Lehmann. Nos acréscimos, Adrian Kunz diminuiu, mas não evitou a derrota.

Na mesma rodada, a Noruega confirmou a primeira colocação e a vaga direta vencendo os azeris em Baku (1 a 0). Dali a quatro dias, ela também acabaria com as chances matemáticas suíças com uma goleada de 5 a 0 em Oslo, enquanto a Hungria batia o Azerbaijão em Budapeste por 3 a 1. Com isso, a briga pela segunda colocação, que levaria à repescagem, se resumiria a finlandeses e magiares, que se enfrentariam em Helsinque na última rodada, com os visitantes – um ponto à frente – jogando com a vantagem do empate.

Sob chuva e diante de mais de 30 mil torcedores no Estádio Olímpico na noite de 11 de outubro de 1997, a Finlândia abriu o placar aos 18 minutos do segundo tempo numa jogada ensaiada de escanteio: Simo Valakari levantou na área e a bola foi escorada para Sumiala completar de cabeça quase sobre a linha. Até que, já nos acréscimos, quando o estádio já aguardava aflito pelo apito final, houve outro escanteio, desta vez para a Hungria. E o que se seguiu após a cobrança foi tão inacreditável quanto anedótico.

A bola veio pelo alto e foi escorada para o meio da área por um atacante húngaro. Caiu aos pés de Paatelainen, que se atrapalhou e não conseguiu afastar. Um outro jogador magiar tentou a finalização, mas escorregou. Hyypia então deu um chutão para onde o nariz apontava, ainda que pudesse forçar um novo escanteio. A bola tomou a direção do gol, mas outro defensor finlandês conseguiu salvar bem em cima da linha. Só que sua rebatida acertou em cheio o goleiro Teuvo Moilanen e tomou o rumo das redes. Gol contra.

O empate fez a Hungria a terminar em segundo lugar, apenas um ponto à frente da Finlândia, e avançar para a repescagem diante da Iugoslávia. Mas o milagre ocorrido em Helsinque não esteve nem perto de se repetir diante da forte seleção de Dragan Stojković, Dejan Savićević, Predrag Mijatović e Siniša Mihajlović: os balcânicos aplicaram um contundente 7 a 1 em plena Budapeste e um 5 a 0 em Belgrado, classificando-se para o Mundial.

A Euro outra vez muito perto

O tempo passou e outra boa safra de jogadores despontou no futebol finlandês: o goleiro Jussi Jääskeläinen, os defensores Petri Pasanen e Hannu Tihinen, o volante Teemu Tainio, o meia Alexei Eremenko e os atacantes Mikael Forssell e Shefki Kuqi, entre outros. Mas ao início da extensa campanha nas Eliminatórias da Eurocopa de 2008, o veterano Jari Litmanen – 35 anos e jogando pelo Malmö – ainda era o nome de referência do time, junto com remanescentes de outras épocas, como Hyypiä, Kolkka e Jonatan Johansson.

Aquela etapa classificatória, porém, seria um verdadeiro teste de resistência: incluída num Grupo 1 composto por oito seleções (!), a Finlândia teria como adversários Portugal, Polônia, Bélgica, Sérvia, Cazaquistão, Armênia e Azerbaijão. Não estava entre as equipes mais cotadas a uma das duas vagas diretas. Mas acabaria surpreendendo com uma campanha bem consistente, ainda que o passaporte para a fase final – a ser disputada na Suíça e na Áustria – não tenha sido carimbado no fim das contas, após a maratona de 14 partidas.

A estreia, diante da Polônia em Bydgoszcz, já dava mostras do potencial daquela equipe dirigida pelo experiente inglês Roy Hodgson: a Finlândia chegou a abrir três gols de frente, sendo dois de Litmanen e um de Mika Väyrynen, antes de Lukasz Gargula descontar para 3 a 1 no minuto final. Na partida seguinte, a equipe voltou a pontuar num parelho empate em 1 a 1 diante de Portugal em Helsinque: Johansson abriu o placar antes de Nuno Gomes igualar ainda no primeiro tempo para os lusos, dirigidos por Luiz Felipe Scolari.

A campanha continuou com as visitas à Armênia (0 a 0) e ao Cazaquistão (vitória por 2 a 0, gols de Litmanen e Hyypia), antes de os finlandeses somarem mais uma vitória – a terceira em cinco jogos – no jogo da volta contra os armênios em Helsinque (Mika Nurmela definiu o 1 a 0). A boa sequência inicial fez com que a equipe de Roy Hodgson terminasse o ano de 2006 na liderança invicta do grupo com 11 pontos, um à frente de Polônia e Sérvia (que tinha um jogo a menos). E mais atrás vinham Portugal e Bélgica, com sete.

O começo de 2007, no entanto, viu o cenário mudar. Além de folgar na primeira rodada disputada no ano, o que permitiu aos adversários encostarem e até ultrapassarem, a Finlândia amargou dois tropeços seguidos, que custaram pontos valiosos mais adiante. Primeiro foi a derrota diante do Azerbaijão em Baku: 1 a 0, gol de Emin Imamaliev a sete minutos do fim. Aquela seria a única vitória dos azeris – que contavam com os brasileiros naturalizados Ernani Pereira, André Ladaga e Leandro Gomes – durante toda a eliminatória.

A segunda seria a derrota para a Sérvia em Helsinque por 2 a 0. O time dirigido pelo espanhol Javier Clemente abriu o placar logo aos três minutos com Boško Jankovic e resistiu à pressão da Finlândia por quase toda a partida, antes de definir a vitória com o tento de Milan Jovanovic, aos 41 da etapa final. O revés fazia os escandinavos despencarem para a quarta colocação, enquanto a Polônia, com um jogo a mais, já abria oito pontos na liderança e Portugal e Sérvia dividiam o segundo lugar, também já se distanciando.

Só que a recuperação não demorou a chegar: quatro dias depois, a Finlândia derrotou a Bélgica por 2 a 0 em Helsinque (gols de Jonatan Johansson e Alexei Eremenko) e retornou à briga. Em 22 de agosto, em Tampere, a equipe superou o Cazaquistão por 2 a 1 e assumiu a vice-liderança do grupo, antes de três jogos-chave contra Sérvia em Belgrado, Polônia em Helsinque e Bélgica em Bruxelas. Curiosamente, todos terminariam 0 a 0. Mas com os pontos somados diante de rivais diretos, os escandinavos continuavam em segundo.

Para o azar dos finlandeses, porém, o time folgaria na rodada seguinte, no dia 17 de outubro, e poderia mais uma vez ser ultrapassado. Dito e feito: Portugal bateu o Cazaquistão fora de casa e tomou a vice-liderança, abrindo três pontos de vantagem com os mesmos 12 jogos. Assim, para seguir com chances, era imperioso vencer o Azerbaijão em Helsinque na penúltima rodada, exato um mês depois. E o triunfo seria dramático: 2 a 1 de virada na etapa final, com gols de Forsell aos 34 minutos e de Kuqi (que acabara de entrar) aos 41.

No mesmo dia, Portugal também arrancou um suado 1 a 0 sobre a Armênia em Leiria e jogaria por um empate em casa na despedida contra a Finlândia para se juntar à Polônia como o outro classificado do grupo. Aos escandinavos, não havia outra opção: só a vitória diante dos lusos no Estádio do Dragão, no Porto, levaria à fase final da Euro. Mas não foi possível: o time só ameaçou uma única vez, numa cabeçada a quatro minutos do fim. Mesmo sem precisar vencer, Portugal dominou o jogo e foi o melhor naquele 0 a 0.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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