Eurocopa

Mourinho avaliou as principais seleções da Eurocopa e ficou bem interessante

Novo técnico da Roma avaliou os favoritos na Eurocopa que começa na próxima sexta a pedido de jornal inglês e avaliou cada um deles

O técnico José Mourinho terá um novo desafio na sua carreira na próxima temporada. Assume o comando da Roma, após ter trabalhado na Internazionale anos atrás. O protuguês foi demitido do seu último trabalho, o Tottenham, em abril. Antes, porém, tem a Eurocopa e o técnico foi convidado pelo jornal The Sun a avaliar os principais candidatos. Aposta na França, acredita que a Itália pode ir até às semifinais, considera difícil Portugal passar da fase de grupos e diz que não entende como a Alemanha tem ido tão mal. Comentou também sobre as comentadas Inglaterra e Bélgica, que chegam com bons times e muita expectativa, além de avaliar a Holanda, que considera não ter chance de ir muito longe.

Inglaterra: “Junto com o Brasil, os dois países mais difíceis de ser técnico da seleção”

“É uma geração de bons jogadores. O elenco é incrível. Será difícil para Gareth Southgate que o país todo concorde com suas escolhas, porque há muitas. Olhando, por exemplo, laterais direitos. Quem é o melhor lateral direito inglês? Quem é o segundo melhor? E o terceiro?”, avaliou.

“O elenco é muito bom, cheio de opções. Não é como outros que você pode levar a campo um bom time titular, mas durante a competição terão problemas com uma lesão ou suspensão”, comentou o português.

“A Inglaterra é provavelmente, junto com o Brasil, os dois países mais difíceis de ser técnico da seleção pelo que as pessoas esperam do time. Eles têm que lutar contra isso. É um país difícil e nós esperamos muito deles. Culturalmente, em vez de apoiá-los desde o primeiro dia até o último, nós começamos imediatamente com negativamente sobre eles”.

“Eles precisam ser muito fortes emocionalmente para lidar com essa pressão. Se eles fizerem isso, eles têm uma grande chance. A fase de grupos é em casa. A semifinal e final são em casa. Tem que ser agora, porque foi em 1966. Não foi na Euro 96, por causa da uma disputa de pênaltis, que é algo muito imprevisível. Eles precisam ir com tudo desta vez”.

Itália: “Eles estarão entre os quatro melhores”

“Eu irei olhar meus jogadores da Roma, Leonardo Spinazzola, Bryan Cristante e Lorenzo Pellegrini. É claro que irei focar neles. Mas a Itália é um time com uma boa mistura de bons jogadores experientes, caras que sabem como vencer. Eles serão fortes”, avaliou o treinador, a pedido do jornal Sun.

“Roberto Mancini é um técnico muito experiente. Ele passou 20 anos treinando nas melhores ligas, nos melhores países. Então ele está mais do que pronto e mostrou já nas Eliminatórias o quanto ele é bom. O time melhorou muito sob o comando dele”, continuou Mourinho.

“A Itália tem jogadores talentosos, mas eles têm um bom conhecimento tático. Eles são capazes de jogar de diferentes maneiras. Roberto está dando a eles um pouco mais de qualidade de ataque, mas eles não perdem sua natureza e sabem como competir. Eu acho que essa é a melhor qualidade deles como time. É difícil encontrar fraquezas. Eu acho que eles estarão entre os quatro melhores”, prevê o português.

Bélgica: “Eles podem fazer algo especial – como ir além da semifinal da Copa”

“A Bélgica é um time forte, um time cheio de bons jogadores. Kevin De Bruyne emergiu como um jogador fantástico e a evolução de Youri Tielemans tem sido realmente muito boa desde que ele chegou à Premier League”, analisou.

“Eles têm muita criação e Romelu Lukaku é um artilheiro com uma incrível evolução nos dois anos com a Internazionale. Como time, eles estão juntos por muitos anos e eles têm muita experiência”.

“Roberto Martínez é um bom técnico. Ele teve alguns anos com eles, desenvolvendo o time, um certo estilo de jogo, ele está muito adaptado às qualidades dos jogadores. Eu acho que ele pode fazer algo especial – e quando eu digo especial, eu digo mais do que as semifinais da Copa do Mundo. Mas acho que é agora ou nunca para eles, porque muitos dos jogadores estão chegando à idade perfeita para fazer isso. Eles podem chegar lá”.

França: “Se tivesse que apontar um time para vencer, seriam eles”.

“A França poderia fazer um time A, um time B e um time C, porque neste momento eles têm um número incríveis de jogadores de topo. Quando você tem Kylian Mbappé no seu time é difícil não vencer. Ele é um desses jogadores que vencem partidas e assustam adversários. Mbappé vai com tudo para tentar provar a todo mundo que depois de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, ele é o próximo melhor”.

“Didier Deschamps sabe o que ele quer. Eles são campeões do mundo. Eles são os últimos vice-campeões da Eurocopa. Eu acho que menos do que a final para eles não é nada. Eu não acredito que Deschamps lê ou ouve quem está fora… Acho que ele apenas sabe o que ele quer”.

“Eu não posso ver nenhuma fraqueza. Se eu tivesse que apontar um time para vencer, seriam eles, porque o grupo de jogadores é fantástico. Eles têm que ganhar. Se não, será uma Eurocopa malsucedida”.

Portugal: “Se passar da fase de grupos, somos capazes de irmos até o fim”

“Rúben Dias é o melhor zagueiro do mundo no momento. Com a sua transferência para a Premier League com o Manchetser City, ele está chegando a um nível diferente de conhecimento. É um zagueiro fantástico. E o que está ao lado dele, Pepe, tem 38 anos e muita experiência. Isso pode ser uma força para Portugal, já que eles têm muitos jogadores de talento no ataque”.

“É claro, Cristiano Ronaldo não é mais um garoto e esta é provavelmente a sua última Eurocopa. Depois de ser campeão europeu, eu acredito que ele tentará tudo para ter sucesso uma última vez. Fernando Santos é o cara certo na hora certa. Muito estável, muito calmo, muito adaptado. E ele conhece os jogadores muito, muito bem”.

“Ao manter Cristiano, Pepe, Rui Patrício e João Moutinho, ele tem uma estrutura com jogadores experientes. Mas é um grupo muito difícil e se você me dissesse que Portugal será eliminado, eu não ficaria surpreso”.

“Jogamos contra a França na França, contra a Alemanha na Alemanha e Hungria na Hungria. É uma situação incrível, mas se passarmos, somos capazes de irmos até o fim” [nota do editor: o jogo contra a França não será na França, e sim em Budapeste].

Espanha: “Não os vejo jogando a final”

“A Espanha tem uma jovem geração de jogadores aparecendo e o técnico Luis Enrique acredita em um certo tipo de futebol. Tecnicamente, eles são incríveis. Mesmo os zagueiros são incrivelmente talentosos tecnicamente. Então, a construção de trás, manter a posse de bola, esconder a bola do adversário, fazer o oponente correr atrás da bola… Essa é a Espanha”.

“Mas eles não têm um atacante do mais alto nível como David Villa. Eles sofrem para matar o jogo depois de serem tão dominantes quanto eles geralmente são. Eles não marcam muitos gols pelo futebol que jogam. Você pode ser punido por um adversário inteligente que espera e então te mata”.

“Eles precisam matar os adversários pela maneira como jogam. Eles assumem riscos, fazem o campo muito grande e aberto quando eles têm a bola. Mas eles são um pouco frágeis quando perdem a posse de bola”.

“Luis foi meu jogador quando eu estive no Barcelona há muito tempo [nota do editor: ele foi assistente de Bobby Robson no Barcelona]. Ele tem grandes qualidades de liderança. Ele terá o time ao seu redor, todos juntos. Eles podem vencer qualquer um, mas eu não os vejo jogando a final”.

Holanda: “Não os vejo chegando à semifinal”

“Foi uma situação estranha para eles com Ronald Koeman indo para o Barcelona. Não acho que isso os ajudou. Frank de Boer não tem uma grande experiência como técnico de seleção ou de clube. É claro que ele foi um jogador muito bom e respeitado na Holanda. Os jogadores o respeitarão”.

“Eles não são jogadores ruins, mas onde estão os Van Bastens? Onde estão os Rijkaards? Eu não os vejo chegando à semifinal. Eles têm bons jovens jogadores que provavelmente precisarão de outros dois ou quatro anos para estarem no topo do seu jogo. A Holanda deve passar da fase de grupos, mas chegar às semifinais ou à final? Não vejo isso”.

Alemanha: “É difícil entender por que eles foram tão mal nos últimos anos”

“O time de Joachim Löw foi péssimo nas Eliminatórias e foram péssimos na Liga das Nações. Eles tiveram um resultado histórico ao perderem em casa para a Macedônia do Norte. É difícil entender por que eles foram tão mal nos últimos anos. Mas agora é o momento da verdade. E normalmente no momento da verdade a Alemanha estará lá”.

“Löw sairá depois da Euro e quer sair em alta. Será a última Euro para jogadores como Thomas Müller, Mats Hummels e Manuel Neuer. Eles são sempre um time a ser temido. Eles são soldados. São caras muito disciplinados”.

“Eles têm alguns jovens talentos lá. Joshua Kimmich é um exemplo de um fantástico jogador jovem que não é apenas para o presente, mas para o futuro do país. Os alemães são os alemães… E acho que isso diz tudo. Eu acho que eles podem ser eliminados na fase de grupos. Pode acontecer. Mas eu acho que eles passarão e podem ir até o final e serem campeões”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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