Eurocopa 2024

Situação em Hungria e Escócia mostra que Uefa pouco aprendeu com caso de Eriksen

Durante vitória da Hungria sobre a Escócia, queda de Barnabás Varga assustou a todos

Quando Christian Eriksen desabou em campo durante a abertura da Eurocopa de 2021, as cenas assustaram jogadores e torcedores de todo o mundo. Naquele dia, Eriksen sofreu um infarto e ficou cinco minutos desacordado, em uma paralisação que durou mais de uma hora.

Neste domingo (23), três anos após aquele ocorrido que poderia ter tirado a vida do meio-campista, presenciamos outro caso grave no duelo entre Hungria e Escócia, pela segunda rodada do Grupo A da Euro 2024.

O atacante Barnabás Varga, da Hungria, se chegou contra o goleiro escocês e caiu desacordado na grande área. O lance não apenas voltou a assustar os torcedores, como também mostrou que a Uefa pouco aprendeu com o lance de Eriksen três anos atrás.

Em mais um lance crucial, Uefa falha — mais uma vez — em demora no atendimento

Entre o momento do choque, aos 22 minutos e 39 segundos, até a hora que a equipe de emergência entrou em campo, foram quase 3 minutos sem qualquer atendimento para o jogador que estava caído e desacordado no gramado. Não havia nenhum profissional de saúde em campo.

O técnico da Hungria, Marco Rossi, chegou a entrar em desespero, cobrando agilidade da equipe médica, que parecia perdida e sem saber o que fazer.

A atuação lenta dos paramédicos vai contra o que diz o próprio protocolo de concussões da Uefa, que determina uma avaliação prévia da situação do jogador em, no máximo, três minutos.

No caso deste domingo, a equipe levou quase três minutos apenas para entrar em campo e, ainda assim, visivelmente perdidos e sem qualquer orientação.

Após a demora, Varga foi imobilizado pelos médicos, deixou o gramado de maca e foi levado para um hospital de Stuttgart.

A Hungria venceu o jogo por 1×0, gol marcado pelo atacante Kevin Csoboth, que entrou no segundo tempo, e somou os seus primeiros três pontos na competição.

Na terceira posição do grupo, os húngaros esperam por outros resultados para saber se podem se classificar às oitavas de final.

‘Todos devem saber como reagir’, mas parece que poucos sabem

O caso que aconteceu com Christian Eriksen levou a Uefa a implementar uma série de protocolos que devem ser seguidos. Incrivelmente, no primeiro grande caso desde a implementação do protocolo, poucas pessoas pareciam, de fato, saber o que fazer.

A demora e indefinição dos profissionais só mostraram que ainda há muito o que fazer para que, de fato, esses lances tenham a atenção devida. Tim Meyer, presidente do Comité Médico da Uefa, chegou a dizer durante o processo de implementação do protocolo, que “todos devem saber como reagir”.

— A concussão é, sem dúvida, uma lesão grave que precisa de ser tratada adequadamente. A saúde e a segurança de todos os jogadores que participam nas competições de clubes e seleções da Europa são de extrema importância […] todos devem saber como reagir e o que fazer no caso de haver uma concussão no campo.

O que diz o Protocolo de Concussão da Uefa

  • No caso de suspeita de uma concussão, o árbitro interromperá o jogo para permitir que o jogador lesionado seja avaliado pelo médico da equipa. Os jogadores devem permanecer calmos durante a situação e não interferir na avaliação.
  • A avaliação não deve, em princípio, levar mais de três minutos, a menos que determinado incidente sério exija que o jogador seja tratado ou imobilizado no relvado para transferência imediata para o hospital.
Foto de Márcio Júnior

Márcio Júnior

Baiano formado pela Faculdade Regional da Bahia. Cobriu de carnaval a Copa do Mundo na TVE Bahia, onde venceu o prêmio de reportagem do mês. Passou pela ALBA, Rádio Educadora, Superesportes e Quinto Quarto antes de se tornar repórter na Trivela.
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