Presidente do Porto cita brasileiros ao alertar para mercado: ‘Já não se consegue competir’
Villas-Boas prega união entre os clubes portugueses e escancara disputa feroz entre ligas europeias
André Villas-Boas, presidente do Porto, mencionou jogadores brasileiros ao fazer um alerta sobre o mercado de transferências do futebol português. O dirigente definiu ser “alarmante” a situação em que as principais equipes do país ficam no comparativo com outras potências mundiais.
Era comum em anos anteriores que joias promissoras do Brasil deixassem a terra natal para defender times de Portugal como uma espécie de primeiro passo na Europa.
O zagueiro Éder Militão, que se transferiu do São Paulo ao Porto, e o atacante Raphinha, que migrou do Avaí para o Vitória de Guimarães, são alguns exemplos dessa movimentação.
No entanto, as coisas mudaram. “Está mais difícil contratar porque o Porto, em vez de competir por jogadores com o Valencia, o Atlético de Madrid, o Barça ou o Marseille, compete com o Burnley, o Sunderland e o Bologna”, disse ele durante o evento “Portugal Football Summit”.
— Nós temos cada vez mais competição. As estruturas dos grandes clubes, do Real Madrid, do City e do Barça, já contratam os garotos de 16, 17 ou 18 anos que antes vinham para o futebol português. O Vinícius (Junior), o Endrick e o Estevão são contratados pelo Chelsea e pelo Real Madrid, em vez de serem pelo Porto e pelo Benfica, porque já não se consegue competir.

Villas-Boas quer união entre Porto e outras equipes para mudar panorama
André Villas-Boas afirmou ainda que está cada vez mais difícil de se contratar devido aos altos custos e comentou como isso motivou mudanças internas no Porto.
Segundo o dirigente, o clube precisou fazer uma reestruturação completa do lado financeiro para ter condições de se reforçar. O maior investimento na última janela foi na contratação do jovem dinamarquês meio-campista Victor Froholdt (19 anos) por 20 milhões de euros.
O meia-atacante Gabri Veiga (23) e o lateral Alberto Costa chegaram por 15 milhões de euros. Borja Sainz (24), atacante, e o zagueiro Nehuén Pérez (25) rumaram aos Dragões por cerca de 13 milhões de euros cada.
— O Porto fez compras grandes que obrigam a salários grandes e isso tem um impacto direto sobre as nossas contas. Isto é uma aposta que nós fizemos, um investimento muito forte. Tivemos que reestruturar toda a parte financeira do clube, tivemos que vender muito em janeiro e em junho do ano passado para ter esta folga econômica que nos permitiu atacar o mercado.

Villas-Boas também cobrou mais iniciativa e participação dos clubes locais para tentar mudar o cenário. O dirigente disse que se perde tempo em outras questões ao invés de avançar por melhorias no futebol de Portugal.
Neste sentido, apresentou um alinhamento estratégico entre as potências do país como “absolutamente fundamental” para agregar valor.
— O presidente do Porto fala e é confrontado com assuntos paralelos do futebol português e clubes que não querem investir na tecnologia VAR, câmaras montadas em postes de iluminação e um produto sem qualidade… Perdemos tempo e não avançamos.



