Champions League

Uefa saiu mais forte, mas precisa mudar para deixar de ser um problema e evitar novos golpes como a Superliga

Leniente, negligente e por vezes sem pulso para agir, Uefa ajudou a criar o monstro que tentou a engolir e precisa começar a exercer direito a sua função para evitar novas tentativas de golpe

O fracasso retumbante da Superliga Europeia deu uma força enorme para a Uefa. A entidade angariou apoios em vários setores, incluindo o que é mais importante, os torcedores. O que não quer dizer que a Uefa não tenha alguma responsabilidade pelos problemas do futebol europeu que levaram os 12 clubes a criar um clube fechado para substituir a Champions League. Leniente na fiscalização, negligente com questões relativas aos torcedores e por vezes submissa ao interesse dos grandes clubes, a Uefa tem parte da responsabilidade. A Uefa hoje é parte do problema e precisa começar a ser parte da solução para o futebol europeu realmente melhorar.

Um dos pontos fundamentais é que as pessoas não confiam na Uefa. Nem torcedores, nem clubes. Por que isso aconteceu? Dá para dizer que a Uefa é uma entidade similar a todas as federações e mesmo à Fifa: ninguém tem qualquer influência sobre os rumos que acontecem ali. Especialmente os torcedores. Os clubes, por vezes, não sentem terem poderes o bastante, sejam os mais ricos, sejam os menos ricos.

Em alguns casos, é um exagero – sim, estou falando de você, Real Madrid e os 12 clubes da Superliga -, mas há preocupações que precisam ser melhor discutidas e trabalhadas. Os clubes que tentaram romper escolheram a pior forma possível de fazer isso, em um sistema excludente e que traz mais problemas do que soluções. Mas isso não significa que o modelo atual não seja um problema. Há insatisfações em várias partes e é preciso que essas partes sejam ouvidas e tenham como colocar as suas preocupações na mesa. Por isso, temos que voltar ao básico.

A começar por tirar da mesa as alegações mentirosas. Um dos pontos que Florentino Pérez usou para atacar a Uefa foi a falta de transparência. Disse que sabia o quanto Lebron James ganhava, uma das maiores estrelas do mundo e astro da NBA, mas não sabia o quanto ganhava o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.

A entidade divulga anualmente um relatório financeiro que detalha todos os gastos da entidade, entre eles, o salário de Ceferin: 2.421.539 francos suíços na temporada 2019/20 (€2.194.681,99 pelo ano, pouco menos de €183 mil mensais). Salário de um executivo e, considerando que ele ocupa o cargo mais alto do futebol europeu, não parece nenhum absurdo. Talvez Florentino Pérez não tenha feito uma busca na internet. Caso você queira ver, pode ler o Relatório Financeiro da Uefa para 2019/20 aqui, no site da entidade.

O pedido de transparência na Uefa ecoa forte porque soa correto, mas é preciso saber o que estamos pedindo. Transparência financeira? A Uefa tem. A questão não é, neste caso, a transparência, mas sim especialmente na distribuição do dinheiro aos clubes.

Não quer dizer que não haja muitos pontos que a Uefa possa e deva melhorar. É disso que vamos tratar aqui. O que a Uefa tem errado e o que precisa melhorar.

Mais participação de partes interessadas fundamentais

A começar pela forma como os seus presidentes são escolhidos, um problema presente em todos os níveis do poder no futebol. Desde a pequena federação até as maiores confederações e na Fifa, o sistema eleitoral precisa ser mais inclusivo. Há pouca participação dos torcedores, que são uma partida fundamental do jogo. Como incluí-los? Como tornar o sistema eleitoral da Uefa – e das federações que são os membros dentro dela – mais democráticos?

Atualmente, há pouca discussão sobre isso. Sem a participação, mesmo que mínima, de outras partes importantes, como os jogadores e técnicos, além dos torcedores, a tendência é que se pense menos nesses grupos. Até mesmo as empresas de mídia que transmitem os jogos, gerando uma receita que é fundamental aos clubes, precisa ser incluída na discussão, ainda que sem poder de decisão, mas com espaço para expor ideias, trazer dados, enfim, contribuir para o debate. Este é um ponto-chave que ajuda a melhorar os demais aspectos.

Leniência na aplicação do Fair Play Financeiro

Sim, estamos falando do Fair Play Financeiro, mas não é só isso. A Uefa criou regras que, em teoria, são interessantes, mas ela mesma não leva a sério. Vamos começar pelo Fair Play Financeiro. Em 2011, quando foi enfim anunciado, a ideia era para evitar que a bolha explodisse e causasse algo muito pior.

No papel, a ideia era ótima: impedir que os clubes gastassem mais do que arrecadam. É meio básico, na verdade, mas o futebol é um mundo tão à parte que vemos como é frequente que nem a lógica simples funciona. O contexto também era relevante: havia um fluxo de dinheiro grande no futebol, entrando quase que sem fiscalização nenhuma, e, do mesmo jeito que entrava, saía. E com isso, deixava para trás um lastro de destruição.

Casos como o Portsmouth, o Málaga e o Rangers, que veio depois, em 2012, deixavam claro que o investimento sem regulação no futebol causava danos ao esporte e ao ecossistema como um todo. Para o futebol escocês, foi catastrófico que um dos dois maiores clubes do país falisse, quebrasse e se tornasse um time de última divisão. O impacto acaba espirrando em todos. O clube conseguiu voltar ao topo do país em 2021, com a conquista do Campeonato Escocês, mas levou nove anos, mesmo sendo um colosso dentro do país. E isso é negativo até para a Uefa.

A Escócia, sem o Rangers, perde, e a Uefa também perde sem essa torcida. Alguns clubes quase fecharam ou se endividaram de uma maneira que não se recuperaram mais. A Uefa entendeu que não podia ficar de braços cruzados vendo clubes falirem e investidores fazendo os clubes de brinquedos ao seu bel-prazer. E os resultados, a médio prazo, foram positivos, como mostramos em janeiro de 2019.

O problema é que a ideia começou a ser questionada justamente porque quando foi o momento do Fair Play Financeiro ser testado de fato, ele falhou. Enquanto foi para punir Fenerbahçe, ou clubes do Leste Europeu em geral, ou mesmo clubes menores de ligas grandes, tudo bem. Até para punir Milan ou Internazionale, que estavam em baixa, a Uefa puniu. Deixaram o Milan fora de competições europeias por infração. O que era justo, aliás. Mas e quando fosse para punir os grandes?

Só que quando foi para punir o PSG, a Uefa titubeou, ficou no “veja bem”. Em 2014, a Uefa pisou em ovos e deu uma punição muito branda ao time parisiense. Não foram poucas as manobras que os clubes fizeram, como o PSG mesmo, para driblar o Fair Play Financeiro. O PSG, aliás, passou a achar que poderia fazer tudo, a ponto de gastar no mesmo mercado €220 milhões em Neymar e outros €180 milhões em Kylian Mbappé – este último em uma manobra, por empréstimo, de modo a jogar os valores para a temporada seguinte, como falamos em 2017. A insólita cláusula de compra de Mbappé é um escândalo.

O caso do Manchester City foi similar. O clube violou o Fiar Play Financeiro, e isso só foi mostrado por causa do Football Leaks, revelado por um hacker. O sentimento de revolta foi aumentando e investigadores queriam punir o clube inglês. Pressionada, a Uefa recuou e decidiu reabrir as investigações. Em fevereiro de 2020, a entidade decidiu punir o Manchester City com a exclusão de competições europeias por dois anos. Parecia, enfim, que a entidade seria dura e aplicaria a regra que ela mesma criou.

Só que o City contestou e levou a questão ao TAS. E venceu. A decisão mostrou que o clube violou sim o Fair Play Financeiro, mas não poderia ser punido por uma tecnicalidade. Basicamente: não poderia ser punido pelos erros e a incompetência da Uefa. A decisão tirou toda a credibilidade da entidade em exercer a regra contra qualquer clube depois disso. Em julho de 2020, falamos sobre como o Fair Play Financeiro agonizava e precisava ser rediscutido – não extinto, mas ajustado e melhorado. Foi inclusive tema de um podcast que gravamos.

Aleksander Ceferin, vale dizer, sempre disse que o Fair Play Financeiro precisava de ajustes. Em 2017, ele já falava que era precisa ajustar e modernizar o sistema. Ao ser reeleito, em 2019, foi um dos temas que o esloveno tratou. Em agosto de 2020, já depois do caso City, Ceferin voltou a bater nessa tecla. As ideias são boas, mas e a prática? Talvez faltasse poder político, mas faltou tratar isso de forma mais séria e convencer os clubes – ao menos aqueles fora do clube dos super ricos, sempre, ou quase sempre, contra o Fair Play Financeiro, exceto, pelo Bayern de Munique, que é um dos poucos que defende uma redução de gastos.

O Fair Play Financeiro é um grande episódio que a Uefa teve uma boa ideia e que trouxe bons frutos positivos, mas falhou quando precisou cortar as asas dos poderosos que trapacearam. E isso minou ainda mais uma entidade já com problemas para lidar com a insatisfação de clubes ricos e ávidos por mais dinheiro para eles mesmos – e não para pagamentos de solidariedade a federações menores, como o caso de Kosovo, sequer reconhecida como país pela Espanha.

Subserviência aos clubes mais ricos

Um dos pontos fundamentais quando falamos sobre jogos pouco interessantes ou atraentes, como os 12 integrantes da Superliga citaram, é a falta de equilíbrio. Os dirigentes dos super ricos reclamaram que não era interessante que enfrentassem times menores ou, mais precisamente, mais pobres e menos estrelados – portanto, tecnicamente inferiores. Afinal, um Real Madrid x Brugge não seria interessante como um Real Madrid x Manchester United, certo?

A solução da Superliga era expulsar esses times e formar um clube de camisas valiosas e brincar de videogame, montando uma International Champions Cup que valesse de fato alguma coisa além de marketing nos Estados Unidos, China ou na Austrália. Só que ninguém falou sobre reduzir o desequilíbrio com medidas que fortalecessem os países menos ricos, de clubes menos badalados, ou mesmo os clubes menos ricos das ligas mais ricas. Diminuir o desequilíbrio nem entrou na pauta: a ideia era mesmo criar uma liga fechada e os outros que inventem uma Liga Europa para ficarem brincando.

O papel da Uefa para chegarmos nesse ponto é crucial. Porque ela de fato foi cedendo ano após ano às exigências dos clubes mais ricos do momento, com medo justamente que eles se unissem e pulassem fora do seu torneio mais precioso e mais rentável. A ameaça da Superliga existe desde antes da Champions League existir, em 1993. Desde que a Copa Europeia (ou Copa dos Campeões) foi criada, há uma ameaça dos clubes mais poderosos criarem um novo torneio próprio, longe da Uefa. O medo é constante na entidade europeia e essa cartada, a ameaça, se tornou uma arma para que a entidade que dirige o futebol europeu se curvasse a cada negociação.

Para resumir todos os anos de Champions League, primeiro os clubes reclamaram que o formato de mata-mata direto os fazia ser eliminados muito rapidamente e isso era ruim, então a Uefa criou uma fase de grupos. Depois, a reclamação era que era muito difícil chegar à Champions League, porque só campeões se classificavam. Então a entidade abriu vagas para não-campeões em países mais bem ranqueados. Depois, os clubes ricos reclamaram que eles eram a atração principal e, por isso, mereciam mais vagas e mais dinheiro – e daí as grandes ligas passaram a ter quatro classificados.

Na última reforma, as quatro ligas que lideram o ranking ganharam quatro vagas diretas na fase de grupos, assim não tinham que passar pelo constrangimento de uma fase preliminar. E, mais recentemente, a pressão era que os jogos mais atraentes acontecessem mais vezes e, por isso, a Uefa tinha apresentado o plano de uma espécie de sistema suíço – que na verdade não tem quase nada a ver com a ideia original – e a fase de grupos passaria a ser de 10 jogos, com times de rankings similar se enfrentando para gerar mais atração, além do aumento do número de times e da classificação por coeficiente.

Todas essas mudanças eram por pressão desse grupo de clubes ricos e já tinham sido acordadas lá em fevereiro, quando falamos sobre isso aqui na Trivela. Parecia que os super ricos venceriam de novo. Só que um dia antes do anúncio dessa reforma, os clubes lançaram a Superliga. O anúncio de Ceferin, na segunda-feira, se tornou a fala deum dirigente enfurecido pela traição dos clubes, mesmo depois de ceder às vontades deles. Os clubes queriam o dedo, depois a mão, passaram a querer o braço e, então, nem tudo parecia suficiente. Queriam tanto mais que nem o corpo todo seria suficiente. Resolveram chutar tudo para o alto e criar a sua própria liga.

Quando Michel Platini tomou uma decisão e criou algo que era bom para o esporte ao criar a rota dos campeões e a rota da liga, criadas na temporada 2009/10, recebeu muitas críticas por, supostamente, estar piorando o nível técnico. A ideia era fazer com que mais clubes campeões de países de ranking menor chegassem à fase de grupos e não fossem eliminados por clubes ricos de ligas mais fortes, como a inglesa, italiana, espanhola ou alemã. Despertou a fúria em alguns, por, supostamente, atentar contra o nível técnico da competição. Uma impressão que não era comprovada analisando os resultados, como fizemos em 2012.

A ideia da rota dos campeões é simples: fazer com que clubes de países menos bem ranqueados cheguem à fase de grupos é fazer com que eles se beneficiem do dinheiro que vem disso e, assim, fortaleça a liga local (há outros problemas nisso, como a concentração de dinheiro nos campeões, mas isso é assunto para outro texto). E isso criou um ciclo positivo, aumentando gradativamente o número de campeões na fase de grupos, com alguns deles chegando às oitavas de final como, por exemplo, o Celtic, um dos que frequentemente usou esse caminho, ou o Apoel. A raridade com que chegavam às fases eliminatórias deveria ter criado o alerta que algo precisava ser feito, mas a solução não era tirá-los do torneio.

A Uefa fica com cerca de 20% de toda a arrecadação com os torneios de clubes que organiza, o que os super ricos estavam insatisfeitos. Começaram a acusar a Uefa de esconder o dinheiro. Na verdade, estão insatisfeitos de dividir o dinheiro que geram com a Champions League com seus jogos badalados para financiar as federações menores, a maioria das quais sequer passa das fases preliminares. O dinheiro de solidariedade, que é uma fatia pequena, vai para financiar as federações dos países menores, para financiar programas sociais, de trabalho de base e também, em parte, o futebol feminino, especialmente em países que não são potências e já têm uma liga badalada.

Os pagamentos de solidariedade que o clubes dos 12 sujos prometeram eram maiores, segundo eles mesmos disseram, sem, claro, provar e nem garantir nada, a depender única e exclusivamente da boa vontade desses Robin Hood do futebol. O custo, porém, seria os mais ricos ficaram ainda mais ricos e aumentarem a distância de um modo ainda mais avassalador do que já é atualmente. Reclamam de jogos pouco relevantes na Champions League, mas não querem dividir maio bolo para evitar que as diferenças fiquem cada vez mais monumentais e tornem quase inviável a competição entre eles.

O caso Red Bull

Outro ponto que mostra a subserviência da Uefa é que quando uma regra que a própria entidade criou por competitividade acabou afrouxada quando impediria um clube de uma grande liga e financiada por uma grande empresa. A Uefa criou uma regra que impedia que clubes de mesmo dono disputassem a mesma competição. Por isso, quando aconteceu de Red Bull Salzburg e RB Leipzig se classificarem para a mesma edição da Champions League, houve questionamento: mas isso pode? Não podia, pelas regras da Uefa.

Explicamos como o regulamento impedia que os dois clubes estivessem no mesmo torneio. Levantamos essa lebre em maio de 2017, quando o Salzburg confirmou o título e o Leipzig estava classificado. Foi preciso que os dois clubes fizessem mudanças administrativas para deixar os dois clubes com administrações completamente independentes entre si, ao menos em tese. E, no fim, a análise da Uefa concluiu que era possível que os dois clubes participassem da Champions na mesma edição. Pode até ser que as mudanças tenham sido de fato importantes, mas os dois clubes continuam sob influência da Red Bull. A regra, no fim, não foi aplicada. A sensação é que ela só vale para quem não é forte o bastante para contestar. E curiosamente, os dois clubes ainda se enfrentaram depois, na Liga Europa.

A Uefa ficou se curvando às vontades dos clubes mais ricos – ou mesmo de empresas, como a Red Bull – e fazendo com que os problemas se agravassem com o passar do tempo, criando, ironicamente, um ambiente cada vez menos agradável aos próprios clubes ricos e uma vontade cada vez maior desse clube de riquinhos de criar uma festa fechada, que só entra com nome na porta – títulos nacionais não importariam. A Superliga parecia inevitável em algum momento, mas a Uefa fez pouco para tentar mudar esse cenário. Ao contrário: seguiu cedendo tudo que tinha, dando os anéis para manter os dados. Até que os clubes acharam que nem os dedos bastariam.

O que fazer? Resgatar o papel institucional da Uefa

A Uefa existe para trabalhar pelo futebol, especialmente na questão de regular os campeonatos e clubes, criar as regras e unificar, na medida do possível. Foi para isso que foi criada a Football Association, lá na Inglaterra: unificar as regras, prezar pelo jogo e tentar manter o futebol vivo com seus valores e também na sua base, e não só para beneficiar os clubes mais populares, que podiam viver de amistosos. Era preciso criar recursos para que todos sobrevivessem. O mundo mudou muito, mas o princípio tem que ser o mesmo na Uefa, estendido para todo o continente.

A Uefa tem que trabalhar para não deixar que os clubes mais populares (ou ricos, neste caso) se beneficiem de modelos que só renda para eles. É preciso proteger o jogo e ter calendário para todos. É preciso fazer com que todos tenham condições de se financiar. E nem estamos falando de uma liga igualitária como as americanas, onde os recursos são distribuídos de maneira muito mais equânime. Ao menos impedir que haja tanta diferença, encontrar meios que tornem o jogo mais interessante e proteger os clubes menores, importantes para o ecossistema do futebol desde a formação de jogadores até a competitividade e oportunidade.

Não existe Real Madrid se não houver um Alavés. Não há Juventus se não há Pescara. Não há Manchester United sem um Watford. É preciso que os clubes coexistam e tenham condições de sobreviver.

Para isso, a Uefa pode trabalhar de forma mais efetiva para melhorar aos aspectos fundamentais:

  • A curto prazo, rediscutir o formato aprovado na última segunda-feira. A ideia de uma fase de grupos com 10 datas e um sistema que é pouco compreensível para o torcedor é uma péssima ideia que só agradaria os clubes ricos. É preciso rediscutir as vagas, priorizando mais campeões, e preservando o número de datas anterior, para não sobrecarregar ainda mais o calendário. E já há pressão para isso;
  • Maior participação dos torcedores no processo decisório do futebol, desde os seus clubes, passando pelas federações, até a Uefa;
  • Maior controle financeiro dos clubes, com uma averiguação de onde vem o dinheiro, de garantias e também garantir que os clubes tenham participação dos torcedores, de alguma forma – e talvez o sistema dos 50% +1 da Bundesliga seja um ponto de partida;
  • Pensar nos torcedores quando criar os horários dos jogos, fazendo com que os torcedores tenham tanta voz quanto as TVs para encontrar um meio termo. Afinal, são os torcedores que irão gerar o dinheiro e a audiência;
  • Distribuir mais o dinheiro entre os clubes e também criar uma forma de fazer com que o dinheiro gerado pela Champions League beneficie as ligas como um todo, não só os clubes que participem dela. O modelo que os holandeses criaram, dando uma parte da premiação à liga para ser distribuída aos demais clubes da Eredivisie, é um bom ponto de partida;
  • Ter uma política de ingressos que garanta que ao menos uma parte dos tíquetes possa ser comprado por preços acessíveis, tanto para mandantes quanto para visitantes;
  • Ter auditorias independentes para os clubes participantes das competições europeias, para as ligas e para a própria Uefa, de forma a tornar todo o processo mais transparente. Há um bom caminho nesse sentido com a divulgação dos dados, dos relatórios financeiros, mas é preciso ir além e exigir que todas as ligas e clubes façam o mesmo.

O momento é de mudança. O que a Superliga Europeia mostrou é que esses donos e os executivos mais gananciosos do futebol continuarão à espreita, esperando uma nova chance para atacar. Por mais que os dirigentes sejam estúpidos e incompetentes, uma hora a força do dinheiro tentará um novo golpe. Para preservar o futebol, será preciso que a Uefa melhore e exerça aquele que é o seu papel, tendo mais fiscalização, sendo transparente e com participação de mais partes interessadas, especialmente os torcedores.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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