Champions League

O Bayern avança de novo às semis, mas viu sua força desafiada por um Benfica gigante

A derrota na Allianz Arena deixou explícita a missão do Benfica no Estádio da Luz. Os encarnados mantinham firmes as esperanças com o revés por 1 a 0 (que até poderia ter sido um empate), embora soubessem das dificuldades para segurar o poderoso ataque do Bayern de Munique. Por 11 minutos, os portugueses chegaram a forçar a prorrogação. E, outra vez, como manda sua camisa e sua tradição, foram gigantes na Liga dos Campeões. O empate por 2 a 2 derrubou os benfiquistas de maneira digna. Lutaram até o fim. De qualquer maneira, pesou a superioridade do Bayern de Munique. Apesar das dificuldades enfrentadas, os bávaros seguem entre os favoritos para a sua quinta semifinal continental consecutiva.

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O Benfica precisou lidar com as sentidas ausências de Nico Gaitán e Jonas em seu time titular. Enquanto isso, Pep Guardiola apostou em uma equipe mais técnica, surpreendendo ao deixar Robert Lewandowski no banco de reservas, para dominar o meio-campo com Xabi Alonso, Arturo Vidal e Thiago Alcântara. As escolhas do treinador ditaram o ritmo da partida durante a maior parte do primeiro tempo. O Bayern tinha a posse de bola e rondava a área adversária. Contudo, mais uma vez, a equipe de Rui Vitória fazia grande papel defensivo. Fechava bem os espaços, dificultando a criação e as finalizações dos visitantes.

O Benfica jogava por uma bola. E ela apareceu aos 27 minutos, em contragolpe. Eliseu levantou na área para Raúl Jiménez, marcado por Javi Martínez e David Alaba. O mexicano saltou entre os dois defensores e contou com uma saída desastrada de Manuel Neuer. Com a meta aberta, cabeceou para o fundo das redes. O gol desnorteou o Bayern, que passou a dar mais brechas ao time da casa e quase permitiu a Jiménez anotar o segundo. Mas, para o próprio alívio, os bávaros se recobraram rapidamente do prejuízo. Em um cruzamento na primeira trave, Ederson se antecipou ao movimento e saiu de soco. O problema é que nenhum benfiquista prestou atenção na sobra e Vidal soltou a bomba com o gol aberto. Não à toa, vem sendo o homem mais decisivo do Bayern nestes mata-matas da Champions.

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O Bayern cresceu com o empate. E, no segundo tempo, enfim passou a martelar o gol do Benfica com mais liberdade. Ribéry e Douglas Costa chamavam a responsabilidade nas jogadas pelas pontas. Já Thomas Müller começou a aparecer no comando do ataque. A virada veio aos sete minutos, em cobrança de escanteio que Javi Martínez ajeitou de cabeça e o camisa 25 fuzilou na pequena área, com o vacilo da defesa adversária. O tento obrigava o Benfica a sair para o jogo, buscar mais três gols. Mas os encarnados se expunham em demasia à velocidade dos alemães. O terceiro ficou no quase várias vezes, especialmente em gol corretamente anulado de Müller e em bola na trave de Douglas Costa.

Com o cansaço, o Bayern recuou. O que permitiu ao Benfica sonhar nos 20 minutos finais. A entrada de Anderson Talisca deu uma injeção de ânimo nos portugueses, com o brasileiro participando do jogo e buscando o ataque. Aos 30, o camisa 30 cobrou uma falta com perfeição, no ângulo de Neuer. E quase virou o placar, em outra bola parada, desta vez chutando no contrapé do goleiro, para fora. Empurrado por sua torcida, o Benfica não desistiu em nenhum momento, mesmo correndo o risco de sofrer mais um gol. Lewandowski, que saiu do banco no fim, perdeu a última grande chance de ampliar o marcador.

Líder do Campeonato Português, o Benfica se concentra na campanha nacional com o orgulho inflado pela maneira como pressionou o Bayern. Mesmo reclamando da arbitragem no primeiro duelo e perdendo suas referências para o segundo, fez grande papel. Sai de cabeça erguida. O Bayern, por sua vez, ficou devendo um bocado, especialmente pela ineficiência na conclusão em Lisboa. De qualquer maneira, com os semifinalistas conhecidos, os bávaros sabem da qualidade de seu elenco. E que o Benfica acabou sendo um ótimo teste para a próxima etapa, contra um adversário talvez usando uma estratégia parecida, esperando pelo erro diante da maior posse de bola. Nesta quarta, a falha colocou a continuidade dos bávaros em risco. Ao menos, o time reverteu a desvantagem na base do próprio volume de jogo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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