Champions League

Apesar da derrota, o Benfica encarou o Bayern no olho e mantém o duelo aberto

Para quem esperava um massacre do Bayern de Munique, o gol logo aos dois minutos reforçava esta impressão. No entanto, o Benfica tratou de negar as expectativas com uma enorme atuação na Allianz Arena. Os encarnados viveram uma noite dedicada para anular as forças dos bávaros e segurar o placar mínimo. E poderiam muito bem ter arrancado o empate, com as chances desperdiçadas no início do segundo tempo. A derrota por 1 a 0 sai em conta para os portugueses, que terão o apoio inflamado de sua torcida no Estádio da Luz para a volta. De qualquer maneira, o desafio segue enorme, precisando manter sua meta invicta contra a ofensividade dos adversários e sem o artilheiro Jonas, suspenso.

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Prezando por sua vocação ao ataque, o Bayern começou a partida na pressão.  E o gol saiu logo na primeira finalização, após boa triangulação pelo lado esquerdo. Bernat cruzou e Vidal apareceu como elemento surpresa para desviar de cabeça. Mas, por mais que os bávaros tentassem insistir, o Benfica apresentava uma postura consistente para evitar o segundo tento. Apertava a saída de bola dos alemães e se fechava muito bem quando os adversários passavam ao campo de ataque. Méritos principalmente aos bloqueios nas laterais, mesmo que Douglas Costa e Ribéry chamassem o jogo para si. E, quando o time da casa invadiu a área, o goleiro Ederson realizou boas defesas.

O problema era que o Benfica também não conseguia fazer muito quando recuperava a bola. Os encarnados até mantinham a posse, mas eram nulos na criação, sem se infiltrar na defesa do Bayern. A primeira chance de real perigo só aconteceu nos acréscimos da primeira etapa, quando Vidal bloqueou o chute de Gaitán. Uma prévia do que aconteceria na volta do intervalo. Durante os primeiros 20 minutos, os portugueses viveram o melhor momento. Jonas saiu na cara do gol, mas finalizou sem tanta precisão, em cima de Neuer, que rebateu. Depois, foram três arremates seguidos dentro da área alemã. Em dois a zaga interceptou, antes que a bola seguisse pela linha de fundo.

Depois do susto, o Bayern voltou a mandar um pouco mais no ataque. Porém, tinha muitas dificuldades para achar buracos no sistema defensivo montado por Rui Vitória, especialmente pelo grande trabalho dos meio-campistas. Ederson voltou a aparecer, desta vez para bloquear a tentativa de Ribéry, e Lewandowski perdeu o lance mais claro, após passe magistral de Vidal aos 40 minutos. Em noite no qual a maioria dos homens de frente de Guardiola erraram mais do que o costume, a aplicação benfiquista prevaleceu.

A pior notícia ficou para a suspensão de Jonas, depois que recebeu amarelo. Sem a grande referência do time na temporada, será ainda mais difícil cumprir a missão de anotar ao menos um gol. De qualquer maneira, o sistema defensivo deixou uma mensagem positiva nesta terça, pela maneira como conseguiu passar ileso por 88 minutos diante de um dos melhores ataques do mundo.

Para o Bayern, o que fará a diferença em Lisboa será manter a postura ofensiva, como quase sempre atua. Precisará ignorar a pressão do Estádio da Luz e se impor como se fosse o mandante – sobretudo porque o Benfica não poderá ficar retrancado o tempo todo. Um gol deve ser o suficiente para garantir a sorte dos alemães. Mas é bom não duvidar do Benfica. Os encarnados mostraram que podem surpreender. Peitaram o Bayern em Munique com uma estratégia bastante clara e o empenho de seus jogadores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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