Champions League

Buffon fez quase tudo que podia, e o problema está justamente no “quase”

Por Bruno Bonsanti

Uma carreira linda e vitoriosa, mas com um grande buraco. Gianluigi Buffon conquistou tudo que poderia, até o mundo, menos a Champions League. Teve, neste sábado, a chance de compensar a decepção de 2003, no mesmo palco onde alcançou sua maior glória pela Itália. Mas não conseguiu. Fez a sua parte com duas defesas brilhantes, mas é muito difícil sair completamente ileso de um confronto contra o melhor trio de ataque do mundo. Sofreu três gols, um mais doloroso que o outro.

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O que mais atacou a alma do capitão da Juventus foi certamente o segundo. Os chutes de Messi sempre são venenosos. Este veio cruzado, com efeito e relativa força. Buffon conseguiu fazer a defesa e espalmar para o lado, como manda o manual, mas Suárez ganhou a corrida contra Evra e fez o gol mais decisivo da partida, no momento em que os italianos eram melhores e ameaçavam com a virada. Não foi uma falha, nem culpa exclusiva dele, mas a bola poderia ter sido lançada mais longe naquela espalmada. Buffon, de acordo com seu próprio alto padrão de exigência, deve achar que poderia ter ido um pouquinho melhor no lance. A pior sensação que um ser humano pode sentir quando está diante de um sonho é deixá-lo escapar por não ter feito tudo que podia.

Exceto por esse momento, Buffon foi praticamente impecável. Havia feito duas defesas decisivas e muito difíceis. A primeira em um chute quase à queima-roupa de Daniel Alves. Estava indo para a direita, mas parou no ar, como helicóptero, beija-flor e Dadá Maravilha. Conseguiu barrar a bola com a mão esquerda, basicamente desafiando a física, que já havia confirmado o gol. Foi uma das maiores defesas da sua carreira, ao lado daquela cabeçada de Zidane (a outra) na final da Copa do Mundo de 2006, no mesmo estádio, e a de Inzaghi, na decisão da Champions League de 2003.

A outra veio após um contra-ataque com cinco jogadores vestidos de azul-grená contra apenas três de preto e branco. Rakitic carregou até Suárez passar à esquerda. O chute do uruguaio saiu do bico da chuteira, com efeito para fazer uma curva por fora e entrar no canto, entre Buffon e a trave. A mão do goleiro novamente impediu o previsível final dessa história. No total, fez cinco defesas na partida, o mesmo número de Ter Stegen, mas pelo menos essas duas foram mais impressionantes, decisivas e complicadas.

 

Com a braçadeira de capitão no braço, as responsabilidades de líder também eram importantes e ele as exerceu muito bem. Foi quem disse a Vidal que usasse a cabeça no primeiro tempo, quando o meia chileno estava ligeiramente desequilibrado e a uma decisão do árbitro de ser expulso. No último lance da Juventus na decisão, foi até o meio do campo observar uma cobrança de falta para a área, mas deveria ter avançado um pouco mais e usado a sua altura em busca de um gol desesperado e salvador.

Ele não veio. Doze anos depois, Buffon teve a chance de ganhar seu principal título por clubes, mas o Barcelona foi superior. Sai do campo onde foi campeão mundial pela Itália com a sensação de que fez quase tudo que podia para ajudar a sua Juventus a ser campeã europeia. E o problema, para ele, está justamente no “quase”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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