Champions League

Neymar unificou Libertadores e Champions: o único a marcar gols e vencer as duas finais

“Estou vivendo um sonho de criança e cada dia que passa a alegria de estar aqui aumenta. Sempre segui meu coração e mais uma vez ele me levou para o caminho certo”. A frase de Neymar veio apenas três dias antes de uma noite emblemática para a sua carreira. O camisa 11 pode não ter sido o melhor em campo em Berlim, assim como o seu gol não influenciou diretamente a vitória do Barcelona. No entanto, nada disso menospreza o papel decisivo do atacante. Importante em toda a reta final da Champions League, fechou a quinta conquista do Barcelona com seu gol. Quebrou recordes, respondeu críticos, unificou os cinturões da Europa e da América. E isso tudo aos 23 anos.

Em uma final na qual Lionel Messi parecia atrapalhado por um problema físico sentido às vésperas da final, se movimentando pouco sem a bola, Luis Suárez e Neymar se tornaram ainda melhores parceiros ao camisa 10. E aproveitaram muito bem as chances que tiveram para dar o título da Champions aos blaugranas, coroar o tridente ofensivo. Em um rebote de Messi, Luis Suárez fez. Para, no último lance da partida, Neymar aproveitar a defesa aberta da Juventus e, com uma calma imensa diante de um monstro como Buffon, fechar o placar em 3 a 1. Encerrou uma atuação muito participativa, aparecendo para tabelar com os companheiros e ameaçando Buffon. Se o torcedor juventino ainda acreditava em um milagre até então, o brasileiro acabou com as esperanças.

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O gol, por fim, tornou Neymar artilheiro da Champions, com 10 gols, igualando ninguém menos que Messi e Cristiano Ronaldo. Um lugar extremamente privilegiado ao garoto, apenas em sua segunda temporada na Europa. Ainda mais pela maneira como os tentos vieram: desde as quartas de final, o atacante balançou as redes em todos os jogos. Três vezes contra o Paris Saint-Germain, três vezes contra o Bayern de Munique e a última diante da Juventus. O primeiro jogador na história a conseguir isso.

Mais do que isso, Neymar entra para um seletíssimo grupo: o de jogadores que conquistaram a Libertadores e a Champions. Oito haviam conseguido anteriormente: Sorín, Solari, Dida, Roque Júnior, Cafu, Tevez, Samuel e Ronaldinho. Nenhum deles, contudo, conseguiu marcar gols nas duas finais, como o prodígio santista já havia feito na decisão contra o Peñarol, em 2011 – Crespo, o primeiro a anotar nas duas finais, não venceu a Champions. Além do mais, apenas Dida e Ronaldinho tiveram um grau de protagonismo tão grande ao de Neymar em ambas as conquistas. Duas lendas, a quem o garoto se equipara. E ainda se torna apenas o segundo a ser artilheiro dos dois torneios, algo que só Jardel havia conseguido antes.

Neymar custou os olhos da cara ao Barcelona, assim como Luis Suárez e (o mais barato, mas nem tanto) Rakitic. Curiosamente, os autores dos três gols em Berlim, que, de certa forma, só foram possíveis pelas jogadas iniciadas por Iniesta, Messi e Pedro, no clube desde as categorias de base. O investimento que se faz é altíssimo. Mas não se nega a sua validade diante dos resultados. Os três novatos foram fundamentais na Tríplice Coroa do Barcelona e dão a impressão de que o grande momento dos blaugranas pode durar mais. Rakitic renovou a qualidade técnica de um meio-campo desgastado, enquanto Neymar e Suárez dão munição a Messi como nunca antes. Todos fundamentais para uma renovação de estilo de jogo.

Neymar, por fim, chega à Copa América bastante em alta. Para quem carregou até as semifinais o Brasil em uma Copa do Mundo dentro de casa, o fardo na competição do Chile não será demais ao camisa 10. E justamente tendo como principal rival Messi (além de todo o poderoso ataque da Argentina), na tentativa de encerrar o jejum de 22 anos de sua seleção. Por enquanto, o brasileiro ainda é um coadjuvante do melhor do mundo. Mas, cinco anos mais jovem, com potencial de herdar o cetro dentro de algumas temporadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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