Por Felipe Lobo

Na vidada dos anos 1990 para 2000, a Champions League era um evento da TV por assinatura. Pensar em ir em um bar assistir era algo difícil. Só mesmo aqueles bares para os malucos por futebol e, mesmo assim, era em um dia de semana, no meio da tarde. Difícil poder dar toda a atenção. Em 2015, isso mudou. Cinema, balada, bares, shoppings, TV aberta e o assunto principal das padarias, dos pontos de ônibus (que trazem publicidade da ESPN, que transmite o jogo) e dos restaurantes. A Champions League se tornou também um evento brasileiro.

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A final da Champions League nesta tarde de sábado, 6 de junho, é um evento no Brasil. O Cinemark, uma das maiores redes de cinema do Brasil, exibirá o jogo em 32 cinemas. Shoppings de São Paulo estão chamando para um evento com comida e bebida e balada depois do jogo. A Globo, a emissora de maior influência na TV brasileira, tem promovido intensamente o jogo entre Juventus x Barcelona, que decidirá a Champions League de 2014/15.

A ideia de exibir a final no cinema partiu do próprio Cinemark. “Foi uma iniciativa do Cinemark, de procurar a ESPN para fazer a transmissão da Uefa Champions League. Depois houve também uma parceria com a ESPN pelo Superbowl. Estamos super felizes com o resultado, o cada vez mais quer uma experiência diferenciada, vendo no cinema, com a pipoca, o refrigerante, a tela grande, curtindo essa coisa coletiva de todo mundo torcendo. Na primeira vez, só tínhamos duas salas, e tivemos muita reclamação porque tínhamos poucas na época”, contou Bettina Boklis, diretora de marketing do grupo Cinemark.

É o quinto ano consecutivo que a ESPN exibe a final na tela grande. Em 2014, o jogo atraiu quase 14 mil pessoas aos cinemas para ver o Real Madrid vencer o de Madrid na prorrogação. O jogo ficou na sétima posição na lista de maiores bilheterias do cinema nacional no último fim de semana de maio – o jogo foi no dia 24. “Essa iniciativa começou há algum tempo. É uma iniciativa bem sucedida. Temos uma parceria com a Casablanca (dona da Cinelive), que tem parceria com a ESPN, e essa relação proporcionou a parceria”, contou a diretora de marketing do Cinemark.

Em 2015, o jogo será exibido em 132 salas de cinema em 55 cidades. O preço, porém, é bem salgado: R$ 50 para as salas comuns e R$ 70 para as salas VIP, quando a média de preço dos ingressos no fim de semana variam entre R$ 25 e R$ 30. Tudo por ser um evento diferenciado para o público, ao vivo, diferente dos filmes.

“Em 2014, a transmissão da Champions foi a sétima bilheteria de fim de semana no Brasil, competindo com filmes que, em média, tem quatro sessões por dia, de sexta a domingo. Para esse ano, a previsão é ficar entre as cinco maiores”, afirmou Laudson Diniz, gerente-executivo da Cinelive, ao Brasil Econômico. “Nós acreditamos que podemos chegar a uma bilheteria de R$ 700 mil com essa edição”.

Em São Paulo, onde seis cinemas exibirão a partida, todas as salas que exibirão estavam com ingressos esgotados neste sábado pela manhã.

Para 2016, a iniciativa de ver a final no cinema deve continuar, mesmo com a ESPN perdendo os direitos de transmissão para o Esporte Interativo.  “Já fizemos uma parceria com o Esporte Interativo, transmitimos um campeonato importante (Supercopa da de 2011, entre Barcelona e Real Madrid). Provavelmente entraremos em acordo, mas não há nada ainda”, conta Bettina Boklis.

Balada com show e DJ

O Shopping JK Iguatemi, que fica em uma região nobre de São Paulo, foi além. O shopping montou um evento no Terraço JK, a partir das 14h (o jogo começa às 15h45, horário de Brasília).

Além da exibição do jogo em um telão, haverá um pocket show de Wilson Simoninha e do DJ Ivan Arcuschin. A ideia é uma festa, com entrada gratuita, mas limitação de inscritos. O evento é promovido pela Heineken, patrocinadora da Champions League, além de Adidas, Sony, KLM e Esporte Interativo.

É uma iniciativa que se ampara no sucesso que os bares tem conseguido exibindo a final da Champions League no sábado. Assim como já acontece com o futebol brasileiro, os bares entenderam que o jogo que decide o campeão da Europa também chama muito público. São muitos os bares com chamadas para o jogo e promoções de cerveja durante a partida.

TV aberta investindo alto

Para quem não gosta de ver os jogos no cinema, no bar ou em uma festa com DJ, o tradicional é ver pela TV. Três canais farão a transmissão ao vivo do jogo: a ESPN, que exibe a competição há mais de 20 anos, a Globo, dona dos direitos para a TV aberta, e a , que compra os direitos da Globo.

A ESPN transmite o evento pela última vez em 2015, depois de perder os direitos de transmissão para o Esporte Interativo. Nem por isso a emissora economizou na transmissão. Ao contrário, além de levar uma equipe com o narrador Paulo Andrade e dois comentaristas, Mauro Cézar Pereira e Paulo Calçade, ainda levou dois outros comentaristas, os ex-jogadores Juan Pablo Sorín e . Além deles, a ESPN também leva três repórteres para a decisão, para TV e site: João Castello Branco e Arantes, correspondentes do canal em Londres e Barcelona, respectivamente, e Mendel Bidlovsky, enviado para cobrir a Juventus na até a decisão em Berlim.

A Globo também terá equipe in loco para a transmissão, com Galvão Bueno na narração e Marcos Uchôa como repórter. Os comentaristas Júnior e Arnaldo Cézar Coelho estarão no estúdio da emissora em São Paulo para participar. E o que chama a atenção é o quanto a emissora tem destacado a partida durante as últimas semanas. Foram criadas duas chamadas para a programação, mostrando a importância do jogo e, claro, lembrando dos astros da partida, entre eles o brasileiro Neymar. A chamada para o jogo tem mais destaque que qualquer outra partida de futebol, seja do Campeonato Brasileiro, seja do amistoso da seleção brasileiro, que acontece no domingo, um dia depois da final europeia. Nem mesmo as chamadas para a Copa América são tão caprichadas.

Não por acaso, o Sportv, canal esportivo do grupo Globosat, fez uma proposta conjunta com a ESPN pelos direitos de transmissão da Champions League nas próximas três temporadas, mas acabaram derrotados pelo Esporte Interativo, que passou a ter a Turner (dona de canais como o TNT e Space) como acionista majoritária. Será o Esporte Interativo o dono exclusivo dos direitos de transmissão na TV por assinatura nos próximos três anos.

A Globo, porém, segue, como detentora dos direitos da TV aberta. A importância dada pela emissora ao jogo mostra o quanto a Champions League cresceu em importância e repercussão no Brasil. Seja no cinema, em uma festa com DJ ou na TV, é seguro dizer que boa parte dos brasileiros estará mais ligada na final desta tarde do que em qualquer outro jogo do fim de semana.

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