Champions League

Arsenal prova do próprio remédio e é salvo por ex-Leverkusen em pior atuação na Champions

Mikel Arteta adota estratégia conservadora, londrinos sofrem, mas chegam a empate mesmo sem criar no segundo tempo

Melhor campanha e 100% de aproveitamento na primeira fase da Champions League. Nada disso entrou em campo pelo Arsenal, que errou na estratégia adotada contra o Bayer Leverkusen, prova do próprio remédio e só chegou ao empate por 1 a 1 pelos pés de Kai Havertz, de pênalti, no confronto de ida das oitavas de final, na BayArena, nesta quarta-feira (11).

Ao longo de toda a primeira fase, o Arsenal terminou com a melhor defesa e melhor ataque, que proporcionaram ao time decidir todas as partidas em seu domínio. Mas já no primeiro confronto de mata-mata, a estratégia adotada por Arteta cobrou caro, com o time ineficiente no ataque e sem criatividade durante a maior parte do jogo.

De bola parada, principal arma do Arsenal nesta temporada, Robert Andrich marcou o único gol do Leverkusen na segunda etapa. Mesmo sem ter a bola durante a maior parte do jogo, os donos da casa pouco foram exigidos no setor defensivo, e conseguiram anular um ataque do Arsenal que se limitou a cercar a meta do goleiro Janis Blaswich.

Havertz conquistou empate para o Arsenal na Alemanha (Foto: Oliver Kaelke/DeFodi Images/Imago)

O gol de Andrich também marcou a primeira vez, nesta edição de Champions League, que o Arsenal ficou atrás do placar, na pior atuação dos Gunners nesta temporada da competição. Mesmo sem conseguir criar além das jogadas aéreas, o time londrino conseguiu chegar ao empate com Kai Havertz, ex-Bayer Leverkusen, para levar a igualdade para o Emirates Stadium na próxima terça-feira (17).

Vantagem no regulamento faz Arsenal ter precaução na Champions League

A escalação do Arsenal era ofensiva, mas a postura da equipe fora de casa foi o contrário do que Mikel Arteta colocou no papel. Com a vantagem de decidir todo o mata-mata da Champions League em casa, os Gunners não aceleraram o ritmo da partida, e adotaram uma estratégia: controlar a posse de bola e impedir o Bayer Leverkusen de se sobressair em campo.

Ao longo dos 45 primeiros minutos, esse plano deu certo. Além de controlar a bola, o quarteto ofensivo — Gyokeres, Gabriel Martinelli, Bukayo Saka e Eze — conseguiram poucas, mas boas oportunidades de gol. O brasileiro acertou o travessão, em finalização cara a cara, no início da primeira etapa. Já o centroavante sueco foi acionado, principalmente, em ligações diretas, e ficou próximo de chegar à chances claras no ataque.

Arteta adotou estratégia conservadora contra o Bayer Leverkusen (Foto: Jan Huebner/Imago)

Em determinados momentos do primeiro tempo, o Arsenal chegou a ter mais de 60% de posse de bola, mas esbarrou na linha de cinco defensiva proposta por Kasper Hjulmand, com os alas Alex Grimaldo e Ernest Poku atuando como defensores durante a transição defensiva. No ataque, Kofane, muitas vezes isolado, não conseguiu passar da defesa composta por Gabriel Magalhães e William Saliba.

No primeiro tempo, o Arsenal finalizou apenas três vezes — sendo que uma destas foi efetivamente ao gol. Evitar riscos foi a máxima dos Gunners, já que o Arsenal terminou a primeira fase com a melhor campanha e, portanto, decidirá todos os duelos de mata-mata em seus domínios. Mas a equipe pagou o preço na segunda etapa.

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Arsenal erra logo na bola parada na Champions League

Logo depois do pontapé inicial, o Bayer Leverkusen voltou com outra postura. Em vez de ficar esperando o Arsenal em seu próprio campo, observando Declan Rice e Martin Zubimendi rodar a bola na intermediária, os donos da casa foram propositivos com a bola.

O Leverkusen puniu o Arsenal com a bola parada, principal jogada da equipe de Arteta nesta temporada. Depois de Martin Raya salvar os Gunners logo no primeiro lance do segundo tempo, os alemães conseguiram enganar a defesa com o escanteio. Com quatro homens no segundo pau, Robert Andrich recebeu a bola sem marcação, para marcar de cabeça o gol da vitória do Leverkusen.

Atrás do placar, o Arsenal se viu pressionado em campo. Não conseguiu aumentar a velocidade da partida, e passou a explorar mais as bolas áreas e jogadas de bola, mas que não surtiram efeito para aproximar os Gunners do gol na segunda etapa. As linhas compactas do Leverkusen forçaram os visitantes a rodar a bola de um lado para o outro do campo, sem efetividade.

Leverkusen conseguiu anular jogadas aéreas do Arsenal (Foto: Team 2/Imago)

Arteta ainda apostou nas entradas de Kai Harvetz e Noni Madueke nos lugares de Saka e Gyokeres. E foi nesta aposta do treinador que o Arsenal, mesmo com dificuldades de criar, chegou ao gol de empate.

Na reta final do segundo tempo, Madueke entrou na área e foi derrubado, com carrinho, por Malik Tillman — sob muita reclamação do Leverkusen e checagem do árbitro de vídeo. Havertz, ex-Leverkusen, converteu o gol do alívio do Arsenal, e que permite a Arteta ter sucesso na estratégia adotada — mesmo que o meio pela qual chegou não tenha sido a ideal.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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