Champions League

Defensor e atacante: Como Valverde destruiu o City e encaminhou classificação do Real

Pela ida das oitavas de final da Champions League, Real amassa Manchester City com assinatura do meia uruguaio

O capitão do Real Madrid, Fede Valverde, fez jus à sua função com uma atuação histórica contra o Manchester City nesta quarta-feira (11). O uruguaio, desdobrando-se entre defensor e atacante, só não fez chover no Santiago Bernabéu: marcou três vezes e encaminhou a classificação do time nas oitavas de final da Champions League.

O hat-trick foi construído todo no primeiro tempo e ilustrou sua função diferenciada frente aos ingleses. O camisa 8 era, de longe, o atacante mais avançado dos espanhóis, bem aberto na direita para explorar o jovem O’Reilly, de 20 anos, em sua primeira eliminatória europeia. Ao mesmo tempo, teve papel defensivo decisivo.

Valverde, no ataque e na defesa, mudou o jogo

Jérémy Doku começou a partida com tudo e vinha ganhando todas as jogadas mano a mano contra Alexander-Arnold na ponta esquerda, assustando em dois cruzamentos que quase acabaram em gol.

Valverde, por volta dos 15 minutos, passou a recompor como um ala e passou a anular o belga, inclusive, desarmando-o diretamente duas vezes e interceptando um cruzamento em outra jogada.

O uruguaio freou a maior força ofensiva do City e, ofensivamente como ponta avançado, brilhou. Foi assim que Courtois, em lançamento em meio à pressão inglesa no campo de ataque, colocou Valverde nas costas do lateral improvisado. Na cara do gol, ele limpou Donnarumma com um lindo drible da vaca e marcou.

O gol acabou com a moral adversária. Os ingleses, com muitos jogadores inexperientes em noites europeias, não souberam reagir. O Real e Valverde sentiram o cheiro de sangue.

Sete minutos depois do primeiro tento, após saída de bola perfeita, Vinicius Júnior fez grande jogada da esquerda para dentro, tocou de trivela e um desvio de Rúben Dias deixou o meia merengue sozinho na área, onde bateu cruzado para fazer o segundo.

O “caixão” do Manchester City foi fechado com glamour. Brahim Díaz, na entrada da área, tirou da cartola uma cavadinha. Valverde foi ainda mais criativo, dando um chapéu em Guéhi e marcando na sequência. Golaço para ilustrar um time confiante, acostumado a reverter situações complexas — o Real está com sete lesionados –, tendo do outro uma equipe que sentiu e não conseguiu diminuir na etapa final.

Poderia ter sido até mais se Vini Jr não tivesse desperdiçado um pênalti no segundo tempo. O brasileiro tentou driblar Donnarumma e sofreu o contato, mas falhou na penalidade com aquele tipo de cobrança com um pulo antes da finalização. A ver se fará diferença para a volta no Etihad Stadium, na próxima terça (17).

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O mérito de Arbeloa sobre Guardiola

O papel de Valverde foi uma clara orientação de Arbeloa, afinal, nos últimos jogos, o uruguaio atuava mais como meia por dentro, não ponta.

O comandante espanhol também ajustou o posicionamento do jovem Thiago Pitarch, que passou a atuar ao lado de Tchouaméni e teve seu melhor jogo desde que foi promovido ao profissional — na última partida, vitória por 2 a 1 sobre o Celta, o meia atuou pela esquerda e teve participação nula.

Com isso, Arda Güler foi movido para a esquerda em uma função parecida com a de Jude Bellingham, lesionado, sendo um importante jogador para puxar a marcação e deixar Vini no mano a mano.

Mais do que o mérito tático, a mobilização do Madrid na marcação para pressionar e recompor, seja em um 4-4-2 ou 5-4-1 (com as descidas de Valverde e Brahim), foi decisiva para o resultado sem sofrer gols.

Com Valverde decisivo, Real Madrid muda domínio do 1º tempo

Os primeiros 15 minutos do jogo não davam nenhum indício de um 3 a 0 para o Madrid ao fim do primeiro tempo. Nesse período, o City era absoluto com a posse de bola e causava pesadelos com as jogadas individuais de Doku — em dois cruzamentos dele, a bola passou por toda a área sem ninguém tocar.

Em finalizações, Semenyo, no meio do gol, e Bernardo Silva, para fora na meia-lua, levaram perigo, enquanto O’Reilly quase surpreendeu Courtois em cruzamento desviado.

O Madrid, sofrendo nesse início, só tinha encaixado um ataque rápido, concluído por Brahim Diáz e defendido por Donnarumma após belo passe de Vini Jr. A partida mudou com o primeiro gol. Os dois chutes seguintes do mandante acabaram nas redes.

Valverde abraça Arbeloa em jogo do Real Madrid
Valverde abraça Arbeloa em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

Manchester City até melhorou, mas ainda sofreu

Os ingleses tiveram uma postura mais calma na etapa final, com Semenyo na ponta direita e Reijnders por dentro, e poderiam ter marcado. Courtois fez milagre ao, em falha de Pitarch, pegar com o pé uma bomba de O’Reilly. Quando a bola passou pelo arqueiro, em cruzamento de Semenyo, Rüdiger cortou antes de Haaland marcar.

Mesmo assim, o Real conseguiu se manter perigoso e também poderia ter feito mais. Além do pênalti de Vini, Brahim, logo no primeiro minuto, exigiu defesaça de Donnarumma. No rebote, o brasileiro foi bloqueado pela defesa. O camisa 7 ainda teve batida colocada que passou perto, parecida com chute de Güler de fora da área.

A pressão final do City foi tão fraca que a última finalização com a bola rolando ocorreu aos 32 minutos. Ou seja, passou os últimos 13, mais acréscimos, rodando a bola sem encontrar espaços. Chutou, para fácil defesa de Courtois aos 44, a partir de falta de Marmoush.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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