Estados Unidos

Quem tem Messi tem tudo e o Inter Miami está na final da US Open Cup

Mais um jogo, mais um show de Messi: Inter Miami vira após sair perdendo por 2 a 0 e está na final da US Open Cup

Não dá para dar nada por decidido contra Lionel Messi e o Inter Miami enquanto ele estiver em campo. Em sua já deliciosa epopéia pelos Estados Unidos, o craque argentino nos brindou hoje com a lição de que quando ele está jogando, não tem derrota definida. O Inter Miami venceu o FC Cincinnati nas penalidades máximas após empate em 3 a 3 depois de tempo normal e prorrogração em mais uma atuação fora do normal de Messi e está na final da US Open Cup. Agora, espera o vencedor de Houston Dynamo x Real Salt Lake, que decidem a vaga na outra semifinal, que acontece ainda nesta madrugada.

O que importa é que está escrita mais uma página de uma história que parece roteirizada de tão hollywodiana que já é — faz só um mês que ele foi para Miami e passamos a ver mesmo o futebol de lá. Incrível, Messi já é o astro que brilha mais intensamente nos Estados Unidos.

Messi ensina: com ele tem jogo até o último segundo

Vamos começar pelo final porque é isso que interessa neste FC Cincinnati x Inter Miami. Faltava pouco mais de um minuto para que os oito de acréscimos dados pelo árbitro Joe Dickerson chegassem ao final e trouxessem a primeira derrapada de Messi no Inter Miami. Não que ele viria a ter qualquer culpa, pelo contrário, mas é a cara dele que ficaria na eliminação. Como fica na classificação.

Messi não fez gol mas é a cara que estará estampada em todos os lugares. Primeiro, quando seu time perdia de 2 a 0, cruzou perfeitamente para Leonardo Campana diminuir, quando já eram corridos 23 minutos do segundo tempo. 2 a 1, mas um de um jogo que o Inter Miami, sejamos sinceros, não mereceu vencer nem um pouco durante os primeiros 96 minutos.

Porque foi esse o tempo para que o lampejo genial de Lionel Messi irrompesse Cincinnati. Durante todo o jogo, os donos da casa vaiaram Messi quando ele pegou na bola. Não foram muitas vezes, porque o Inter Miami simplesmente não conseguia fazer a bola chegar no argentino. Então ele foi buscar e meio que enfiou goela abaixo o primeiro gol do Inter Miami. Mas nem assim o time melhorou.

Então teve Messi. Ele de novo deu à luz um gol. E não há termo mais adequado do que esse, porque aos 97 minutos ele achou Campana novamente. Mas dessa vez achou mesmo, porque criou um gol que só os gênios podem criar. Lançou com perfeição milimétrica de quem parece que parou o tempo e deu à Campana a chance de fazer parte da história: autor dos dois gols da primeira remontada de Messi em Miami. Ele arrastou nas costas a decisão para a prorrogação.

Na prorrogação era roteiro de Hollywood escrito: quase, quase virou

Quando Messi, digo, o Inter Miami empatou no último minuto de jogo, o Cincinnati sentiu e nem havia como não sentir. Foram 96 minutos entrando para a história como a pedra no sapato, era a marca para muita gente ali. Paciência, afinal do outro lado o adversário tinha Lionel Messi. Isso deve ter ficado ecoando na cabeça de cada jogador do Cincinnati nos poucos minutos entre o tempo normal e a prorrogação. Para nós, reles mortais, uns cinco minutos no máximo. Para eles, os adversário, deve ter durado umas cinco horas.

Tanto que o Cincinnati não voltou ao jogo na prorrogação. Foram necessários três minutos para um novo jogo se apresentar na semifinal. Como em um blockbuster de Hollywood, o Inter Miami segurou o público tenso, nervoso, até o final do final. Aí veio o plot twist quando ninguém esperava — era só o segundo do dia. Durante sua passagem pelo Inter Miami, Messi já fez história ao dar o time seu primeiro troféu na história.

Fez gols a rodo na Leagues Cup e homenageou diversos heróis da Marvel como o Pantera Negra e o Homem Aranha. Hoje, se você não percebeu, ele homenagou o Thanos: estalou os dedos e fez sumir metade dos jogadores em campo, sobraram só os de rosa por uns minutos. Aí Cremaschi, que entrou no lugar de um exaurido Campana, achou Josef Martínez, que livre fez o terceiro gol e parecia ter carimbado o passaporte na final.

Mas temos que falar sobre a defesa do Inter Miami. Jordi Alba foi realmente péssimo tanto no ataque quanto na defesa, e se espera que ele seja um apoio. Mesma coisa para Sergio Busquets. Faltou aos dois pelo menos as atuações decentes dos últimos jogos. E o time sentiu na defesa, que se embananou toda para nosso terceiro plot twist da noite: gol de Yuya Kubo, que havia tido um gol irregular bem anulado no tempo normal. 3 a 3 e pênaltis, pelo segundo jogo decisivo consecutivo.

O gran finale veio: Messi está na final

E nas penalidades foi roteiro de suspense de deixar qualquer Alfred Hitchcock com inveja. Foram oito pênaltis consecutivos convertidos até o zagueiro Nick Hagglund bater mal e irmos para o quarto plot twist da noite: Drake Callender pegou e foi de vilão no tempo normal e heroi nos pênaltis. Cremaschi bateu e completou: Inter Miami na final.

Agora, não é de se duvidar nem que Messi tire o Inter Miami da lanterna na MLS e o leve aos playoffs. Se fosse roteiro escrito passando nos cinemas, provavelmente estaríamos dizendo que o roteirista deu uma exagerada artística. Mas é vida real. É Lionel Messi.

Foto de Leonardo Sacco

Leonardo Sacco

Formado em Jornalismo pela Cásper Líbero, fez categorias de base na TV Gazeta, Olheiros e Impedimento, se profissionalizou no Yahoo e desde junho de 2023 é coordenador de conteúdos da Trivela.
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