Por que clubes da MLS precisaram fazer acordo para a chegada de Thomas Müller?
Perto do Vancouver Whitecaps, alemão faz parte de negociação antes mesmo de estar na liga norte-americana
De saída do Bayern de Munique após 25 anos entre categorias de base e futebol profissional, Thomas Muller está muito perto de confirmar o seu novo destino. E para isso, dois times da MLS precisaram fazer um acordo para passar por uma regra curiosa da liga norte-americana.
Segundo os jornalistas Tom Bogert e Ben Jacobs, do “GiveMeSport”, Müller está bem próximo de fechar um acordo com o Vancouver Whitecaps, recebendo um salário reduzido até o fim de 2025 e assumindo uma vaga de jogador designado a partir de 2026.
A contratação de Müller só é possível porque os Whitecaps chegaram a um acordo com o FC Cincinnati, pagando 400 mil dólares em “General Allocation Money” (GAM) – uma quantia não física que os times podem usar para fazer trocas ou diminuir o impacto de salários no teto.
Isso acontece porque o FC Cincinnati colocou Müller na sua lista de jogadores das quais o time tem “discovery rights” (“direitos de descoberta”, em tradução livre), o que daria preferência para a equipe de Ohio de negociar com o jogador.
Mas afinal, o que é “discovery rights”?
Desde que a MLS foi criada em 1996, cada time pode colocar cinco jogadores que não atuam na liga em uma lista que gera preferência de negociação em caso de um desses atletas se interessarem por jogar nos EUA (ou no Canadá).
Entre outras estipulações, os times podem colocar nessa lista qualquer jogador que não atuou na MLS, esteve disponível em um draft da liga ou atletas que foram formados nas categorias de base das equipes da liga (ou em alguma academia financiada por um clube).
Se dois ou mais times colocarem o mesmo jogador em suas listas, a preferência é de quem foi o primeiro a enviar o nome para a liga. Se dois ou mais times adicionarem o nome na mesma data, quem tem a vantagem é o time que tem menos pontos por jogos na temporada.
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Cincinnati tentou contratar Müller, mas não conseguiu
Como a equipe que colocou Müller em sua lista primeiro, o FC Cincinnati foi quem teve prioridade nas negociações com o alemão.
O problema é que Müller insistiu em ser jogador designado – status que permite ao atleta receber valores acima do máximo do teto salarial –, mas o Cincinnati já tem suas três vagas ocupadas.
Hoje, a equipe de Ohio usa suas vagas com o meia-atacante brasileiro Evander (contratado neste ano em troca com o Portland Timbers) e o atacante togolês Kévin Denkey.
No início do ano, a MLS pede que as equipes decidam como desejam formar seus elencos, com opções para facilitar a contratação de jogadores designados e/ou jogadores com menos de 22 anos.
Segundo a imprensa americana, o Cincinnati preferiu ter apenas dois jogadores designados em 2025, dificultando a chegada de um nome como Müller. O time pode até alterar no início da janela de julho, mas não deve acontecer após a negativa do alemão.
Ida de Reus para a MLS também teve novela parecida
Campeão mundial em 2014 com Müller, Marco Reus chegou aos Estados Unidos no meio da temporada 2024 e ajudou o Los Angeles Galaxy a conquistar a MLS Cup pela primeira vez em dez anos.

Apesar do início feliz, a chegada de Reus não foi tão tranquila, já que assim como no caso de Müller, o time que tinha seu “discovery rights” não era o time mais próximo da sua contratação.
Quando o alemão deixou o Dortmund, quem tinha a prioridade de negociação na MLS era o Charlotte FC, mas Reus rejeitou a possibilidade de atuar pelo time da Carolina do Norte.
Para que o Galaxy contratasse Reus, a equipe de Los Angeles precisou pagar 400 mil dólares em “General Allocation Money” (GAM) para ter a prioridade pelo alemão.
Segundo a imprensa norte-americana, a negociação por Reus serviu como um modelo para a troca que possibilitaria a contratação de Müller.



