Espanha

Barcelona tem dívida de € 1,35 bilhão e folha salarial de 103% das receitas, segundo Laporta

Presidente do Barcelona descreve a situação como dramática e chama de “herança nefasta”o que recebeu da gestão anterior

O Barcelona é um dos clubes mais ricos do mundo e mesmo assim conseguiu se endividar de uma maneira inacreditável, algo que já explicamos aqui. O presidente do clube, Joan Laporta, deu entrevista coletiva nesta segunda-feira, 16, para falar sobre a situação financeira dos blaugranas. Os números são mesmo alarmantes: o clube tem uma folha salarial que gasta 103% das receitas do clube (o que significa €617 milhões), além de uma dívida total de € 1,35 bilhão. Algo que, em parte, explica a saída de Messi dos catalães.

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O patrimônio líquido é negativo (€ 551 milhões) e as perdas do exercício passado foram de € 481 milhões, cinco vezes maior do que os números apresentados por Josep Maria Bartomeu no exercício da presidência para 2019/20. “Convoquei a coletiva para colocar em contexto a situação econômica que encontramos o clube. A primeira coisa que tivemos que fazer foi pedir um crédito ponte de € 80 milhões à Goldman Sachs para poder pagar a folha de pagamento e consertar alguns problemas do estádio que poderiam colocar em risco a integridade de quem vai ao estádio”, afirmou o dirigente.

“A herança que recebemos é nefasta e muito preocupante”, afirmou o presidente do Barcelona, em referência ao ex-ocupante do cargo, Josep Maria Bartomeu. O ex-presidente escreveu uma carta fazendo críticas ao atual ocupante do posto e se defendendo de acusações e ainda dizendo que Laporta e sua nova direção aprovaram as contas quando assumiram o clube, em março.

“A carta é cheia de mentiras. É uma tentativa de justificar o injustificável. Um exercício de desespero. No começo, aprovamos as contas por razões técnicas para não paralisar o clube. A sua junta é responsável do exercício até o dia 17 de março do ano de 2021. Ninguém escapará da sua responsabilidade. Eles mentem e acreditam em suas mentiras”, disse Laporta. “Mais mentiras: o orçamento que apresentaram imaginava que teriam vendas e reduções de salários, além do Barça Corporate. Tampouco reduziram os salários nas quantidades que disseram. Todas eram contas velhas”.

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O Barça Corporate era um projeto que visava levantar recursos por uma exploração comercial de marcas como Barça Academy, Barça Innovation Hub, Barça Licensing and Merchandising and Barça Studios. Foi vendida como uma ideia inovadora e com potenciais investidores que trariam de € 200 milhões a € 250 milhões em um primeiro momento. Laporta, porém, disse que estava longe disso. “Nenhuma das propostas eram aceitáveis. Não se valorizaram as academias, nem o projeto Barça Studios, que juridicamente não estava previsto para ser vendido”, declarou o presidente.

Segundo Laporta, a diretoria anterior fez algo que nos acostumamos muito a ver deste lado do Atlântico: adiantou direitos de TV. Ainda disse que havia muitas decisões esportivas ruins, como dar contratos curtos a jovens e longos a veteranos, além de pagar altos valores de comissões a intermediários nas contratações.

“A situação é dramática, mas que está em via de ser solucionada em dois anos e não há risco de trocar o modelo do clube por uma SAD (Sociedad Anonima Deportiva, que transforma o clube em empresa)”, explicou Laporta. O Barcelona é um dos poucos clubes na Espanha que ainda mantém um sistema jurídico de clube social, junto a Real Madrid, Athletic Bilbao e Osasuna. “Se gastou dinheiro na velocidade da luz. De maneira exagerada, se gastou muito dinheiro com a política salarial até o ponto que La Liga nos tem como um clube cumpridor e abriu investigações sobre isso”, afirmou Laporta.

O presidente ainda comentou sobre a volta do público na estreia do time em La Liga. “Saúdo o retorno do público, que significa a volta de um ar puro. Havia temor de voltar a um ambiente agressivo pela saída do melhor jogador do mundo. Mas se demonstrou que o Barça está acima de tudo”, disse.

Laporta também aproveitou para comentar sobre o caso Neymar, que o Barcelona entrou em acordo. “Não é verdade que perdoamos € 16 milhões ao jogador. Eu lembraria o pacto vergonhoso e interessado com a Receita Federal para condenar o Barça pela mudança que Rosell e Bartomeu ficaram livres de responsabilidades penais. O que fizemos foi eliminar os riscos que não poderíamos pagar”, explicou.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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