La Liga

Ano Um Depois de Messi: Barcelona domina Real Sociedad no Camp Nou

Memphis assumiu para si a responsabilidade de criação e fez ótima partida

É preciso seguir a vida. Mesmo que doa demais pensar no que ficou para trás. O Barcelona viveu uma semana peculiar em que viu seu maior ídolo na história se despedir e assinar com o Paris Saint-Germain. Sem Lionel Messi, o Barça de Ronald Koeman precisa achar alternativas para se manter forte. Ao menos por hoje, após o 4 a 2 contra a Real Sociedad, encontrou boas respostas.

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Tem muita gente chegando, muita gente já no elenco que pede passagem. O trono do protagonista, no entanto, será bastante disputado. Entre os novos candidatos ao posto, estão Kun Agüero e Memphis Depay, novas figurinhas. Na estreia em La Liga, o show no Camp Nou, para pouco mais de 20 mil pessoas, foi do holandês. O camisa 9, que vinha de uma boa Eurocopa, merecia um uniforme melhor, não essa bizarrice sem padrão e calção de duas cores. Mas paciência.

Os três mosqueteiros

Não há muito o que se relatar da partida além do papel destacado de três jogadores do lado blaugrana: Frenkie De Jong, que acertou 100% de seus 31 passes na partida e esteve em todo lugar a cada início das ações ofensivas; Depay, por sempre propiciar o último passe e carimbar a bola antes de distribuir aos colegas e, não menos importante, o contestado Martin Braithwaite, responsável por dois gols e uma assistência.

O Barça teve pelo menos 80 minutos muito bons de futebol. Fez a Real Sociedad parecer uma equipe desqualificada e insossa durante grande parte do jogo, mantendo a posse e a agressividade, além de criar inúmeras oportunidades para consolidar uma goleada.

Curiosamente, quem abriu o placar foi Gerard Piqué, de cabeça, após uma jogada ensaiada na área. Braithwaite, que tem a maior oportunidade de sua carreira, espetou e fez o segundo pouco antes do intervalo. Em tese, tudo resolvido, e Koeman teria 45 minutos para testar outras alternativas e até mesmo baixar a intensidade. Não foi isso que aconteceu.

Sede de novidade

Na volta para a etapa final, o Barcelona resolveu engatar a quinta marcha e atropelar. Jogou um futebol bastante convincente e fez de Memphis seu garçom. Dos pés dele, saiu um passe enjoado para Jordi Alba fazer a ultrapassagem pela esquerda e tentar a finalização. No rebote, o iluminado Braithwaite mandou para a rede. 

O dinamarquês parecia decidido a colocar a bola debaixo do braço para dar números mais generosos ao placar. Coexistiu de maneira harmônica com Memphis no bombardeio à área comandada pelo goleiro Álex Remiro. Foram momentos bastante promissores da nova dupla do Barça.

Apesar da atuação estupenda dos mandantes, a Real Sociedad fez sua graça. Diminuiu com Julen Lobete e depois com Mikel Oyarzabal, que estava desaparecido em campo. Mas o capitão basco aproveitou uma cobrança de falta para marcar um golaço e vencer o arqueiro Neto. 3 a 2 um pouco enganoso, até porque o Barça não necessariamente foi pressionado. Tanto é que ampliou com Sergi Roberto nos acréscimos, concluindo com outras tintas a nota do que foi sua estreia.

É uma nova era no Camp Nou. Ano Um de uma agremiação que se acostumou a vencer com Messi. E agora precisará se reinventar sem ele. Memphis chegou agora, precisa provar muita coisa, mas a julgar por seus primeiros 90 minutos oficiais, o atacante viverá seu ápice muito em breve. Se por acaso falhar, Braithwaite também estará faminto para abocanhar a oportunidade. E ainda falta a estreia de Agüero. O problema de Koeman certamente não será a falta de material humano.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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