Espanha

Falta de tática, lesões e Endrick: os bastidores da saída de Ancelotti do Real Madrid

Lendário técnico italiano assumirá a seleção brasileira, mas teve bastidores complicados antes de saída do gigante merengue

Carlo Ancelotti deixará o comando do Real Madrid no final da temporada e rapidamente deve desembarcar no Brasil. O italiano estreia no seu novo cargo na seleção brasileira no próximo dia 26 — dia da convocação para a próxima Data Fifa.

A saída do histórico treinador do clube merengue foi recheada de rumores e polêmicas. De julgamento por evasão fiscal até reclamações internas de jogadores por falta de conteúdo tático nos treinos, algumas delas foram agora reveladas pelo site inglês “The Athletic”.

Reclamações internas sobre Ancelotti: falta de tática e espaço aos jovens

Segundo o “The Athletic”, houve reclamações de pessoas dentro do clube e do vestiário sobre a falta de trabalho tático nas sessões de treinamento lideradas pelo comandante italiano.

As fontes do site inglês acreditam que essa negligência no aspecto tático dos treinos acabou refletindo negativamente em algumas partidas cruciais da temporada. Apesar do histórico vencedor, Ancelotti nunca foi conhecido como um “estudioso da bola” ou um técnico que segue uma filosofia bem definida de jogo.

Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid. Foto: Imago
Carlo Ancelotti vai deixar o Real Madrid no fim da temporada europeia. Treinador comanda a Seleção a partir do dia 26 de maio (Foto: Imago)

Para além do centro de treinamento, uma das principais críticas dirigidas a Ancelotti nesta temporada foi a falta de oportunidades aos jogadores mais jovens. Essas críticas vieram, além dos torcedores, de pessoas de dentro do clube, como o chefe de olheiros Juan Calafat — um dos responsáveis pela contratação e indicação de diversas joias.

Particularmente Arda Güler e Endrick foram os principais indicados como jovens que mereciam espaço no elenco. E, curiosamente, eles estão entre os únicos quatro jogadores do Real Madrid que não perderam jogos por lesão nesta temporada (Luka Modrić, Raul Asencio, Güler e Endrick).

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Lesões e pedidos de mudança no Real Madrid

As lesões, inclusive, atrapalharam de forma significativa a temporada merengue. Em certo momento da temporada, eram 17 os lesionados no elenco. Jogos cruciais como o clássico contra o Atlético de Madrid e a eliminatória contra o Manchester City foram jogados sem nenhum zagueiro de origem disponível.

Em 2015, uma das razões pelas quais o Madrid demitiu Ancelotti em sua primeira foi justamente o grande número de lesões sofridas pelo elenco. Nesta temporada, houve muito mais em comparação com aquela temporada.

No entanto, o site inglês indica que houve pouca análise por parte do presidente Florentino Pérez e da diretoria no que diz respeito ao papel do preparador físico Antonio Pintus.

Militão chora após lesão no jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / Alterphotos)
Militão chora após lesão no jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / Alterphotos)

Ainda em novembro, a imprensa internacional indicava que havia atritos dentro do vestiário sobre o grande número de lesões e divisões internas nos bastidores acerca do trabalho feito pelo departamento médico.

Segundo o “The Athletic”, há aqueles no clube que acreditam que o elenco se beneficiaria de um departamento de condicionamento físico permanente e independente. A ideia, inclusive, seria que essa ala fosse comandada por alguém que não seja Pintus, que lidera a equipe física do clube.

Negociação com a CBF foi o atrito final

Diferentes fontes do site inglês próximas à rotina do clube e de Ancelotti se mostraram desapontadas com a forma com a qual o italiano lidou com a situação envolvendo as negociações com a CBF nas últimas semanas.

O próprio treinador revelou incômodo sobre o anúncio “precoce” da entidade brasileira, mas, dentro do clube merengue, acreditam que não houve foco suficiente em jogos importantes no final da temporada justamente por conta das conversas que o treinador teve com a Seleção.

Um sinal da incerteza nos bastidores veio antes da partida contra o Celta de Vigo, no início de abril, quando um jogador dos Blancos perguntou ao “The Athletic” quem os treinaria no próximo ano.

Quando lhe disseram que a escolha preferida era Alonso, sua resposta foi curiosa:

“Vamos ver se Xabi se atreve a entrar neste hospício agora…”

Ancelotti teve problemas pessoais ao longo da temporada, incluindo investigação por evasão fiscal, que também podem ter impactado seu desempenho. Mas os atritos internos no clube e uma imagem de “caos” criada no vestiário foram o que sacramentou sua partida.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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