Futebol espanhol

Como novo reforço provou ao Atlético de Madrid que pode ser o substituto ideal de Griezmann

Em movimentos precisos, Colchoneros já contrataram três jogadores para a próxima temporada

O Atlético de Madrid tem feito uma janela de transferências bem sóbria e inteligente. A chegada de Alejandro Grimaldo é para ser dono da ala ou lateral esquerda. Morten Hjulmand trará competitividade e mais uma opção ao meio-campo, setor com muita rotação. O reforço mais recente, anunciado neste sábado (25), vem como uma reposição ao ídolo Antoine Griezmann.

Agora no Orlando City, o francês, após dez temporadas pelos Colchoneros, 500 jogos e 212 gols, deixará uma lacuna técnica considerável por sua função como um segundo atacante, quase camisa 10. Seu substituto é Lee Kang-In, contratado junto ao Paris Saint-Germain por 35 milhões de euros (cerca de R$ 203 milhões).

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O sul-coreano herda justamente a camisa 7 que era de Griezmann e chega em bom momento pelo nível apresentado na Copa do Mundo de 2026, apesar da eliminação precoce da Coreia do Sul.

No que Lee Kang-In parece com Griezmann?

No Mundial pelos Tigres Asiáticos, Lee atuou como um meia direita em um esquema de três zagueiros. Ou seja, não tinha obrigação de ficar dos lados do campo pela presença dos alas e poderia se concentrar a atuar por dentro. Com isso, ganhou muita liberdade para flutuar entre as linhas, nas costas dos volantes e à frente da defesa adversária, e se assemelhou muito ao que Griezmann fazia em Madri.

O francês sempre foi esse jogador de receber no entrelinha, girar e direcionar os ataques com bons passes. O sul-coreano, canhoto e ágil, acumulou sequências de dribles curtos e tabelas por dentro que impressionaram, em especial na vitória sobre a Tchéquia com assistência e na derrota para o México.

Mesmo com apenas três jogos, terminou como 14º jogador que mais driblou na Copa (11), além de 20 duelos ganhos no chão. Sua qualidade no passe, recebendo, girando e lançando para o setor contrário, também um ponto alto. Deixou colegas na cara do gol (terminou com sete passes decisivos), mas só Hwang In-beom, no jogo de estreia, aproveitou para marcar.

A liberdade de Lee era tão grande que muitas vezes ele recuava para buscar a bola entre os zagueiros para armar o jogo. Outro fator bem parecido com Griezmann, que até foi meio-campista por clube e seleção. O meia de 25 anos também é o dono das bolas paradas na Coreia do Sul, o que era a função do francês no Atlético de Madrid.

Lee Kang-in pela Coreia do Sul na Copa do Mundo
Lee Kang-in pela Coreia do Sul na Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Action Plus)

O sul-coreano vem de três anos de pouco protagonismo pelo PSG. O bicampeão europeu se consolidou com uma estrutura de três atacantes (Kvicha Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé e Desiré Doué — ou Bradley Barcola) e três meias (Fabián Ruiz, Vitinha e João Neves) que tirou o espaço de Kang-In, limitado a ganhar minutos normalmente como reserva na ponta direita ou no trio de meio.

Sua qualidade acabou ofuscada. A Copa do Mundo jogou luz novamente em sua técnica, muito bem vista nas passagens por Mallorca e quando era uma promessa no Valencia.

Lee Kang-in na Copa do Mundo de 2026

  • Média de 75 ações com bola
  • 2.3 passes decisivos
  • 45.7 passes certos
  • 3.7 lançamentos
  • 3.7 dribles
  • 6.7 duelos no chão

Fonte: “Sofascore”

Mapa de calor de Lee na Copa do Mundo 2026
Mapa de calor de Lee na Copa do Mundo 2026 (Foto: Sofascore)

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As diferenças entre os jogadores que podem impactar o Atlético de Madrid

Lee, porém, não é totalmente Griezmann. Falta ao sul-coreano, em especial, o poder da finalização que tinha o francês. Ele nunca fez mais do que sete gols em uma temporada completa, normalmente aparecendo pouco na área e mais na entrada dela.

Ainda tem um outro fator decisivo no quesito físico. O recém-contratado nem sempre é tão dedicado defensivamente para realizar pressões no campo de ataque, algo decisivo no estilo de jogo de Diego Simeone.

O técnico argentino precisa ajeitar o fator sem bola e dar total liberdade ao novo jogador com a posse para flutuar e ser influente no jogo. O Atlético não tem volantes tão criativos, então Lee Kang-in terá um papel decisivo na construção ofensiva.

O ideal é escalá-lo como um segundo atacante junto de um outro jogador mais fixo no ataque, caso mantenha a escalação em 4-4-2. Se Simeone montar um esquema com três zagueiros, até pela contratação de Grimaldo, ala com grande participação ofensiva, Lee pode atuar como foi na seleção sul-coreana na Copa, partindo da direita para dentro.

Pelo histórico do sul-coreano no futebol espanhol, será uma adaptação mais tranquila e o Atlético pode ter um jogador com impacto imediato na temporada 2026/27. A equipe colchonera estreia em LaLiga em 19 de agosto, contra o Málaga, em casa.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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