Copa do Mundo 2026

Vini Jr, Mbappé, Messi: Como astros da Copa do Mundo chegam ao sucesso de formas bem diferentes

Astros lideram o torneio em gols e assistências, mas chegam a esse resultado com características diversas

Existe o clichê do futebol que diz que “os grandes jogadores sempre encontram um jeito”. A atual edição da Copa do Mundo mostra justamente isso, mas talvez de uma forma ainda mais curiosa do que em qualquer edição anterior.

Os jornal espanhol “Marca” destacou como os principais protagonistas do torneio podem produzir números semelhantes em gols, assistências e participações decisivas, mas fazem isso de maneiras quase opostas.

Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
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Enquanto Vinicius Junior praticamente mora na ponta esquerda, Lionel Messi circula por todo o campo. Erling Haaland toca pouco na bola, mas transforma quase toda oportunidade em gol. Michael Olise atua como um armador moderno, Harry Kane mistura funções de centroavante e meia, Kylian Mbappé alterna posições constantemente e Mikel Oyarzabal vive explorando espaços invisíveis entre as linhas defensivas.

Os dados coletados pela Fifa durante a Copa ajudam a mostrar uma transformação importante do futebol moderno: o craque deixou de seguir um modelo único. Hoje, diferentes perfis conseguem dominar o jogo desde que encontrem a forma certa de potencializar suas principais virtudes.

Messi controla, Mbappé quer espaço e Haaland e Kane são opostos em participação

Durante muito tempo, Messi e Mbappé foram colocados em lados opostos do debate sobre quem representa melhor o futebol contemporâneo. Os números da Copa mostram que, na verdade, eles resolvem problemas completamente diferentes.

Aos 39 anos, Messi atua praticamente como um maestro em campo. Seu mapa de calor revela liberdade total para circular entre o lado direito, a faixa central e a entrada da área. Quando percebe espaço para acelerar, conduz a jogada. Quando entende que o melhor caminho é controlar o ritmo, recua alguns metros e passa a organizar a equipe. Seu futebol acontece muito mais pela leitura do jogo do que pela intensidade física.

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Mapa de calor de Lionel Messi na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Reprodução/Sofascore)

Mbappé representa quase o oposto. Embora também tenha liberdade de movimentação, sua prioridade continua sendo atacar profundidade. O francês aparece pelo lado esquerdo, acelera constantemente para atacar as costas da defesa e é um dos jogadores que mais realiza infiltrações em toda a competição.

Não por acaso, lidera o torneio em finalizações e mantém números impressionantes de sprints e arrancadas em alta velocidade. É um dos jogadores do torneio que mais faz infiltrações: 227, até o momento.

Ambos chegam aos gols. Mas um controla o jogo de forma pausada e o outro “explode”.

Por outro lado, talvez nenhum contraste seja tão evidente quanto o existente entre os dois principais centroavantes desta Copa: Haaland e Kane. O norueguês praticamente redefine o conceito de eficiência. Há partidas em que participa pouco das ações ofensivas, mas basta um toque para decidir. Contra a Costa do Marfim, por exemplo, ele tocou mais vezes na bola dentro da própria área do que na área rival e ainda assim marcou o gol da vitória nos minutos finais.

Kane faz exatamente o contrário. O inglês continua sendo um camisa 9, mas sua atuação lembra frequentemente a de um meio-campista ofensivo. Recua para participar da construção, abre espaço para os pontas atacarem, distribui passes em profundidade e depois aparece novamente na área para finalizar. Sua influência vai muito além das finalizações.

Haaland e Kane são dois dos maiores goleadores do futebol mundial: um vive esperando a bola chegar, o outro ajuda a construí-la.

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Vinicius Júnior prova que o ponta clássico continua vivo na Copa do Mundo

Vinícius Júnior em jogo do Brasil na Copa do Mundo
Vinícius Júnior em jogo do Brasil na Copa do Mundo. Foto: IMAGO / STEINSIEK.CH

Se muitos atacantes modernos preferem ocupar zonas centrais e têm deixado as pontas, Vinicius Júnior mostra que ainda existe espaço para o ponta tradicional. O brasileiro permanece grande parte do tempo aberto pela esquerda, esperando o momento certo para acelerar.

A missão é clara: receber no um contra um, vencer o marcador na velocidade e atacar a área em diagonal. Os números reforçam essa característica: Vinicius aparece entre os líderes em dribles bem-sucedidos, registra alto aproveitamento nas finalizações e tornou-se um dos poucos brasileiros da história a marcar nas três partidas da fase de grupos de uma mesma Copa, ao lado de Ronaldo Fenômeno, Romário, Rivaldo e Jairzinho.

Além disso, atingiu um índice de gols esperados (xG) histórico em uma única partida — seus 3,06 xG contra a Escócia, foram o maior número já registrado na Copa do Mundo, segundo a “Opta”. Reflexo da enorme quantidade de chances claras que consegue criar para si mesmo.

Olise e Oyarzabal mostram que na Copa não há mais um ‘jeito certo’ de ser craque

Nem todo protagonista precisa viver de velocidade ou força física. Michael Olise talvez seja o melhor exemplo do armador moderno: raramente invade a área, mas circula entre as linhas procurando espaços para encontrar passes que poucos enxergam.

Os números da Copa o colocam como líder em assistências e também entre os jogadores mais envolvidos em sequências ofensivas que terminaram em finalizações. Seu talento está menos no último toque e mais na capacidade de fazer todo o ataque funcionar.

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Mapa de calor de Oyarzabal na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Reprodução/Sofascore)

Mikel Oyarzabal representa outra forma de inteligência. O espanhol não chama atenção pela velocidade nem pelo volume de dribles, seu diferencial aparece na leitura dos espaços. Ele flutua entre as linhas, escolhe o momento certo para atacar a área e chega constantemente em condições de finalizar, mesmo sendo um centroavante longe do estereótipo da posição.

Durante décadas, o futebol produziu tendências relativamente claras: houve a era do camisa 10 clássico, depois a dos pontas invertidos, mais tarde a dos falsos 9. Hoje, porém, o cenário parece muito mais plural.

Messi domina pela inteligência, Mbappé pela aceleração, Haaland pela eficiência, Kane pela completude, Vinicius pelo drible, Olise pelo passe e Oyarzabal pela ocupação de espaços.

A análise do “Marca” reforça que são sete jogadores, sete mapas de calor completamente diferentes, maneiras distintas de interpretar o futebol e um mesmo resultado: decidir partidas.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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