O que classificação da Noruega, de Haaland, mostra para duelo decisivo contra o Brasil na Copa do Mundo
Noruegueses vencem a Costa do Marfim por 2 a 1, mas mostram debilidades e o que pode preocupar a Seleção nas oitavas
Com a vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, a Noruega será a adversária do Brasil no próximo domingo (30), às 17h (de Brasília). Erling Haaland, Antonio Nusa e Amad Diallo marcaram os gols do jogo que garantiu os escandinavos nas oitavas de final da Copa do Mundo.
O jogo mostrou o que o time de Carlo Ancelotti pode esperar como pontos fortes e fracos da seleção norueguesa: um time com dificuldades para defender enfrentamentos individuais, mas forte em transição e que, assim como Haaland, precisa de poucas oportunidades para gerar perigo.
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Noruega burocrática precisa de pouco para ser perigosa
Os noruegueses mostraram sua grande faceta da Copa do Mundo no primeiro tempo diante da Costa do Marfim: uma equipe “burocrática”, que geralmente tem poucos momentos de brilho criativo, mas precisa de pouco para levar perigo. Mesmo que tenha passado mais tempo com a bola, a Noruega teve uma posse pouco incisiva. Passes entre os defensores e ocasionais meias que desciam para tentar ajudar ditavam a toada do jogo.
A equipe de Stale Solbakken foi a campo no seu 4-3-3 padrão, com Alexander Sorloth, um centroavante de 1,95m, como ponta-direita. Sem Julian Ryerson na lateral-direita, no entanto, Sorloth ficou responsável pela amplitude e se tornou praticamente um jogador a menos pelo lado.
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O gol norueguês, aos 38 minutos, veio em um movimento padrão da equipe: Martin Odegaard, o capitão e principal criador do time, descendo perto dos zagueiros para tentar acionar o entrelinhas. A questão é que, sem Odegaard nessa região, a Noruega não tem jogadores habilidosos e criativos o suficiente para fazerem a diferença com frequência.
No lance do gol, Odegaard recua e encontra um ótimo passe de ruptura para Sander Berge, o que faz o time ganhar campo e conseguir isolar Antonio Nusa no lado esquerdo do campo e perto da área. O “Neymar norueguês” é o principal jogador do time para enfrentamentos individuais e consegue um golaço após drible curto na entrada da área.
O primeiro tempo, no entanto, resume o jogo da Noruega: um time com dificuldades para criar, mas que precisa de pouco para levar perigo. Isso que Erling Haaland, por exemplo, mal foi acionado na partida.
Quando foi, no entanto, guardou: somente aos 86 minutos o camisa 9 conseguiu ter uma chance clara e marcou o gol da vitória. Mesmo com outras três finalizações antes, Haaland tinha apenas encontrado oportunidades difíceis: cabeceios marcados em cruzamentos longos e uma bola espirrada a meia altura, que levou perigo, mas não conseguiu gerar uma finalização certeira.
O centroavante norueguês foi pouco influente no jogo e costuma ser assim. Foram apenas oito tentativas de passe durante mais de 100 minutos de jogo, contando acréscimos, e praticamente nenhuma corrida em profundidade em transição para ser alvo de lançamentos perigosos.
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Costa do Marfim sofre para passar de defesa norueguesa, que pode ser frágil
Os marfinenses começaram melhor: mesmo com ligeiramente menos tempo com a bola, conseguiam colocar seus pontas em situações favoráveis e entravam na área com mais frequência. Yan Diomandé e Nicolas Pépé são os principais jogadores de perigo da equipe de Emerse Faé. Grandes dribladores, levaram vantagem em seus enfrentamentos individuais pelos lados contra defensores lentos da Noruega — principalmente no lado direito da defesa europeia, com Sorloth ajudando, mas sem cacoete defensivo.
Por outro lado, a Costa do Marfim não conseguiu aproveitar as chances que teve quando entrava na área com seus pontas. Pépé perdeu duas oportunidades importantes e Diomandé não traduziu seu perigo com conduções em finalizações, além de Ange-Yoan Bony, o camisa 9, ter tido uma partida apagada.
Depois do gol, a Noruega passou a se defender em bloco mais baixo e, em compensação, trocou o domínio da posse de bola que teve no primeiro tempo pelo jogo de transição — deixando os marfinenses com mais de 60% de posse na segunda etapa. Isso ilustra como são mais confortáveis no contra-ataque do que construindo pacientemente.
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Mas os noruegueses também mostraram como sua defesa pode ter falhas.
Em um 4-5-1 defensivo, têm uma primeira linha com jogadores lentos e com dificuldades em duelos individuais, mas uma linha de meio que também não mantém um critério completamente definido para saltar pressão — o que libera brechas entre as linhas.
Foi assim que saiu o empate da Costa do Marfim. Se os africanos não tinham jogadores impactantes entrelinhas antes, a entrada de Amad Diallo fez com que Pépé se tornasse esse meia. Os marfinenses passaram a encontrar esses passes entrelinhas e usá-lo principalmente para entrar na área a partir do lado.
O gol de Diallo surge com o próprio conduzindo pelo lado e usando Pépé entrelinhas para entrar na área através de uma tabela. O empate vem usando das duas grandes fragilidades norueguesas: condução, associações curtas e enfrentamentos individuais contra defensores lentos pelos lados e usando espaço entre as linhas.