‘As críticas estão corretas’: Tite admite erro em eliminação do Brasil na Copa do Mundo 2022
Ex-treinador da Seleção também revelou questionamentos internos após dura eliminação
A dolorida eliminação da seleção brasileira para a Croácia na Copa do Mundo de 2022, no Catar, segue ecoando na cabeça de Tite. O treinador, que estava no comando da Canarinho naquela eliminação, ainda lembra de cada detalhe daquele duelo e pensa no que poderia ter feito de diferente.
Um dos pensamentos do treinador era sobre a ordem dos batedores de pênalti. Na fatídica eliminação, Rodrygo, Casemiro, Pedro e Marquinhos cobraram. O primeiro e o último perderam suas penalidades. Neymar, o grande nome da Seleção, sequer cobrou, visto que havia ficado por último para bater. Essa decisão ainda gera incômodo em Tite.
– Todas as críticas que foram feitas ao Neymar por não ser o primeiro estão corretas. Eu errei. Contextualizo essa situação: imaginava que pudesse, no último pênalti, ser a maior pressão e tê-lo como batedor. A gente fez toda uma preparação anterior, escolheu os melhores batedores, já sabíamos que estavam listados. Eu aceitei que fosse dessa forma. Deixei o Neymar por último. Poderia estar justificando assim: o Neymar foi o último na Olimpíada e fez o gol decisivo. Aí está legal. Mas não quero fazer isso. Estou externando, mas não quero — desabafou o treinador em entrevista ao “Ge”.
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Tite revisita estratégia nos pênaltis em eliminação do Brasil na Copa do Mundo
Além de assumir o erro, Tite deixa claro que preferia Neymar cobrando a primeira penalidade, mesmo que isso não assegurasse a vitória. A eliminação, mais uma para um europeu em mata-mata na Copa do Mundo, encerrou sua passagem na Seleção.
Tite foi muito questionado após a partida por não ter o melhor jogador do time — e um exímio cobrador de pênaltis — na disputa. O experiente treinador revelou como preparou a estratégia para o duelo.
— Eu faço algumas anotações e, dentro de todas, tenho um bilhetinho que carrego comigo. E uma delas é me preparar para as diferentes situações do jogo. Inclusive essa. Só que eu não vou fazer essa (mea-culpa). O Marquinhos eu já tinha colocado para bater. Olha aí, hipoteticamente. Aí eu tiro o Marquinhos e boto o Neymar. O Neymar faz. Vamos falar em termos hipotéticos. Aí deixa o Marquinhos por último. Eu tirei o Marquinhos e botei o Neymar. O que eu tiro do Marquinhos? — refletiu.
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Com Tite, o Brasil veio de uma campanha impecável nas Eliminatórias. No ciclo pré-Copa, a falta de amistosos contra equipes europeias teve um peso importante. Cair para países do Velho Continente é justamente o calcanhar de Aquiles da Seleção nos últimos Mundiais.
Tite compartilhou que estava com muita confiança para enfrentar a seleção croata e a eliminação teve um impacto grande.
— Mexeu de uma maneira diferente. E eu senti bastante, mais do que o normal. Eu questionei: “Por que eu?”. A minha espiritualidade baixou e eu não conseguia entender. Eu dizia: “não é possível”. Criei uma expectativa particular muito grande, porque pegou duas Eliminatórias invictas. Assumi a Seleção na sexta posição na primeira (Eliminatória) e estava jogando a minha carreira — disse.