Queda precoce do Brasil deixou claro conflito entre filosofia e prática de Ancelotti
Seleção brasileira foi eliminada nas oitavas de final de um Mundial depois de 36 anos
A seleção brasileira foi precocemente eliminada pela Noruega, no último domingo (5), ao perder por 2 a 1, em partida válida pelas oitavas de final. A queeda neste Mundial confirma a pior campanha do Brasil desde 1990, quando caiu para a Argentina na mesma fase. A partir disso, o debate quanto à identidade volta a estar latente, principalmente pela postura dentro do campo e o fardo de amargar, agora, o maior jejum de títulos da história da Seleção.
Os 28 anos sem um título mundial mostram o tamanho das dificuldades encontradas pela seleção brasileira nas últimas Copas do Mundo, mas existem diversos motivos para entender as campanhas aquém. Há o que apontar na formação de atletas, no entendimento de identidade de jogo e, por fim, na convocação dos atletas para o torneio.
Os 4 erros do Brasil na vexatória eliminação para a Noruega na Copa do Mundo
Seleção é um produto de formação desequilibrada
Antes de qualquer apontamento, há de se dizer que não existe terra arrasada. A necessidade é entender que cinco estrelas no peito não são tão pesadas quanto um plano estruturado de formação de jovens jogadores. É possível entender que existe uma lógica de mercado e, com a necessidade crônica dos clubes brasileiros em vender atletas, existem posições de maior demanda e projeção.
Não é à toa que as decisões mais difíceis de Carlo Ancelotti na convocação para a Copa do Mundo foram em relação aos extremos, posição que o país mais produz e vende atletas de potencial. Ao mesmo tempo, a dificuldade em estabelecer laterais de alto nível e revelar meias de caráter organizador são o calcanhar de Aquiles do momento atual do Brasil.
A posição de camisa 9 também vem recebendo críticas, principalmente pela carência de um artilheiro absoluto como em ciclos anteriores. Desde a última eliminação nas oitavas de final, em 1990, a Seleção contou com centroavantes como Careca, Romário, Ronaldo e Luís Fabiano, em 2010. Curiosamente, este foi o último Mundial sem uma contestação ao centroavante. Ou seja, há um claro desbalanceamento entre posições a serem formadas.
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Identidade de jogo da seleção brasileira em xeque
Em relação à identidade e o que se propõe em um jogo, houve certa incerteza durante o ciclo e propriamente no ano em que Carlo Ancelotti está a frente da seleção brasileira. Marcado por ser protagonista, impondo ritmo e provando da irreverência tão reconhecida ao redor do mundo, o Brasil chegou mais próximo do pragmatismo nessa Copa do Mundo.
Se em outro momento esperou-se uma seleção preocupada em defender antes de atacar, como os engenheiros de obra pronta em 2014, a derrota para a Noruega evidenciou a passividade para reter e recuperar a posse, além da dificuldade em furar uma defesa, mesmo que bem postada.
Problemas reconhecidos há algum tempo, mas escancarados a partir de decisões ao longo do jogo e leitura falha de cada adversário. A estatística assustadora de 34% de posse de bola contra a seleção norueguesa é a prova do conflito de filosofia e prática do time de Ancelotti.
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Convocação de Ancelotti teve grande polêmica
Como todas as situações se interligam, a convocação de Carlo Ancelotti, que reverberou mesmo antes de ser anunciada, também se provou ineficaz ao longo da Copa do Mundo. Impulsionada pela presença ou não de Neymar, o anúncio dos selecionados para o Mundial ganhou outro nível de atenção com um evento realizado pela CBF, como nunca antes havia acontecido.
Com o camisa 10 garantido e, em tese, sem qualquer lesão, a euforia tomou conta e acabou por ser uma cortina de fumaça para as debilidades prévias do grupo escolhido por Ancelotti. O decorrer da preparação escancarou as lacunas tarde demais. A lesão de Wesley principalmente. Sem o único lateral-direito de ofício à disposição, a escolha foi por um meio-campista para substituí-lo. Ou seja, a posição sofreria uma improvisação forçada pelo próprio treinador italiano.
Além disso, Neymar demorou a se colocar em condição depois de lesão agravada na panturrilha, o que o impediu de participar dos amistoso prévios e as duas primeiras rodadas da Copa. Ao fim, o único jogador de caráter organizador e criativo esteve em campo por apenas 39 minutos no Mundial, sem qualquer alternativa entre os 26. Decisões que colaboraram para uma campanha pouco convincente e um fim melancólico, para o Brasil e também para Neymar.
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