Relatório aponta novos problemas em cidades-sede da Copa do Mundo nos Estados Unidos
Torneio começa em pouco mais de 30 dias, mas ainda precisa driblar problemas logísticos
A Copa do Mundo vive os dias finais de preparação antes do torneio, mas os problemas em diferentes setores continuam chamando a atenção dos organizadores. Além de ameaça de greve, questionamentos sobre as políticas do país e problemas com os preços dos ingressos, agora a rede hoteleira parece sofrer com a baixa demanda.
De acordo com o site “The Athletic”, um relatório divulgado nesta segunda-feira (4) pela American Hotel and Lodging Association (AHLA) informou que a maioria dos hotéis nas 11 cidades-sede americanas do Mundial relatou uma demanda abaixo do esperado por hospedagem durante o torneio.
Segundo a associação, que representa mais de 30.000 propriedades em todo o país, quase 80% dos entrevistados relataram que as reservas estão “menores que as previsões iniciais” para a Copa.
O relatório, que se baseia em 205 respostas de operadores e proprietários de hotéis, apontou que mais de 70% dos entrevistados em São Francisco, Seattle, Filadélfia e Boston também reforçaram as movimentações negativas no ritmo de reservas. Em Los Angeles, Nova York, Houston e Dallas, a porcentagem foi de 60%.
Segundo o “The Athletic”, as perspectivas mais otimistas foram em Miami, onde pouco mais de 50% dos entrevistados relataram reservas abaixo das expectativas; e em Atlanta, com pouco menos de 50%.
Em meio aos relatos, a AHLA concluiu que “os indicadores sugerem que o impulso econômico esperado [da Copa do Mundo] pode ficar aquém das expectativas”.
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Políticas nacionais afastam turistas
O relatório da AHLA cita múltiplos fatores para explicar a baixa procura por acomodação. Segundo os entrevistados, “barreiras de visto” e “preocupações geopolíticas mais amplas” são alguns dos principais entraves que restringem a demanda internacional.
Vale lembrar que potenciais visitantes podem ser afetados pelas restrições de viagem impostas pelos EUA. Tais limitações afetam quatro países participantes da Copa do Mundo, enquanto cidadãos de outros países participantes do torneio precisam depositar até 15.000 dólares em caução para obter um visto de turista para entrar nos EUA.
O relatório também afirma que os custos adicionais causados por políticas locais também podem afastar potenciais viajantes. Entre os exemplos está o
controverso preço de 150 dólares da passagem de trem da New Jersey Transit para o MetLife Stadium.
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Demanda “fantasma” e variação de preços
Mas para além das decisões executivas de governos estaduais ou nacional, o “The Athletic” também ressaltou que o relatório da AHLA não menciona que os próprios hotéis podem ter contribuído para a redução da procura.
Isso porque, em dezembro, logo após o sorteio da Copa do Mundo, o periódico analisou os preços dos hotéis nas 16 cidades-sede do torneio. Segundo o jornal, os 96 locais analisados estavam cobrando, em média, 1.013 dólares por noite no período próximo à partida de abertura em suas respectivas cidades, em comparação com 293 dólares por uma estadia equivalente no final de maio, exatamente três semanas antes. O aumento médio foi de 328%.
Em muitos casos, esses preços caíram significativamente. De acordo com uma nova análise feita pelo jornal em abril, nas 11 cidades americanas pesquisadas, as tarifas de meados de junho foram reduzidas em mais de 40% em relação ao pico atingido alguns meses atrás.
Impasse na comunicação
O relatório, no entanto, também critica a Fifa. A reportagem compartilhou que o relatório relatou que os organizadores da Copa inicialmente reservaram milhares de quartos em cidades-sede e, em seguida, acionaram uma cláusula que lhes permitia cancelar reservas à medida que o torneio se aproximava.
O relatório afirma que o “excesso de compromissos” da Federação com a reserva de quartos “criou um sinal artificial de demanda antecipada que, desde então, se desfez”.
Ainda segundo o documento, os cancelamentos afetaram particularmente Boston, Dallas, Los Angeles, Filadélfia e Seattle, chegando a “ultrapassar 70% do inventário contratado nos mercados afetados” e que o impacto distorceu as previsões de receita, os planos de contratação e os preparativos e parcerias relacionados ao torneio. A situação fez com que a Associação saísse em defesa de mais “transparência, antecedência e um processo de comunicação que trate os operadores como parceiros”.
Em resposta ao relatório da AHLA, um porta-voz da Fifa afirmou em comunicado que “sugerir falta de transparência por parte da Federação é factualmente incorreto”.
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— Todas as liberações de quartos foram realizadas de acordo com os prazos contratualmente acordados com os hotéis parceiros — uma prática padrão para um evento desta magnitude. Em muitos casos, as liberações de quartos foram feitas antes dos prazos estabelecidos para melhor atender às solicitações dos hotéis –, afirmou.
Ainda segundo o representante da entidade máxima do futebol, a equipe de acomodações manteve discussões constantes com pessoas ligadas à rede hoteleira.
— Ao longo de todo o processo de planejamento, a equipe de Acomodações da FIFA manteve discussões constantes com os parceiros hoteleiros, incluindo ajustes na reserva de quartos, negociação de tarifas, confirmação dos tipos de quarto e relatórios periódicos, com o apoio de reuniões gerais e comunicação contínua –, rebateu.
O porta-voz da FIFA também argumentou, de forma geral, que “a demanda global pela Copa do Mundo de 2026 é sem precedentes, com mais de cinco milhões de ingressos vendidos para o torneio, e a expectativa continua a crescer para o maior evento esportivo do planeta”.
Lucro apontado pela Fifa contrasta com realidade
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem citado regularmente alegações de que a Copa do Mundo terá um “impacto econômico” de 30 bilhões de dólares nos EUA. No entanto, a realidade tem mostrado que o plano da Federação pode não sair como esperado.
Isso porque uma parcela significativa desse impacto projetado depende da grande quantidade de turistas que visitam o país durante o torneio.
— As previsões mostram que o número de viajantes domésticos está superando o de viajantes internacionais — um desequilíbrio que ameaça o impacto econômico mais amplo que se esperava que a Copa do Mundo gerasse –, pontuou o relatório.
Outro fator que também deixou os organizadores em alerta está relacionado ao Fifa Pass, um sistema de agendamento prioritário implementado pelo presidente Donald Trump em novembro para agilizar o agendamento de entrevistas para vistos para os participantes de países que não possuem acordo de isenção de visto com os Estados Unidos.
Um porta-voz do Departamento de Estado confirmou ao jornal que cerca de 14.000 pessoas utilizaram o sistema até o último fim de semana. No entanto, o número não representa o todo, já que não significa necessariamente que torcedores internacionais não estejam viajando para o torneio.
Ainda segundo o representante do governo, 55 milhões de estrangeiros já possuem vistos, o que significa que alguns dos que vêm para a Copa do Mundo podem não ter precisado solicitá-los. Outro fator está relacionado aos viajantes de outros 42 países, que não precisam agendar o visto devido a acordos de isenção com os Estados Unidos.