Copa do Mundo

‘Não posso sair do meu país para ficar no banco’: Afif abdicou da Europa por idolatria no Catar

Um dos melhores jogadores da Ásia, atacante é referência técnica do Al-Sadd e grande esperança da seleção na Copa do Mundo

Diferente de outros craques da Copa do Mundo, Akram Afif não faz sucesso nas cinco grandes ligas europeias, tampouco nos campeonatos mais alternativos do Velho Continente. O astro do Catar brilha em sua terra natal, no Al-Sadd, onde é tratado como rei e grande esperança de sua seleção.

Aos 29 anos, Afif acumula gols e assistências nas últimas temporadas. Não à toa, as atuações excepcionais nas duas últimas edições da Copa da Ásia, que renderam dois títulos do torneio com a seleção catari e dois prêmios de melhor jogador do continente, atraem o interesse constante da Europa.

Por mais que seja um sonho estar nos grandes palcos do futebol mundial, Akram Afif não abre mão de uma coisa: estar em alta para o Catar. E entre se aventurar em um clube no exterior, sem garantias de sequência como titular, ou ser protagonista no clube distrital da cidade de Doha, o craque da seleção não tem dúvidas.

— Todo jogador sonha em jogar na Europa. Eu quero jogar amanhã, se possível. Mas não se trata do Akram. Eu não posso sair do meu país e ficar no banco de reservas — disse Afif em janeiro de 2024.

Achram Afif já foi coadjuvante no futebol europeu

Akram Afif pelo Eupen, da Bélgica, em julho de 2017 (Foto: Imago/Pro Shots)
Akram Afif pelo Eupen, da Bélgica, em julho de 2017 (Foto: Imago/Pro Shots)

Em 2009, o jovem meia-atacante ingressou na Aspire Academy, um centro esportivo de excelência em Doha que une os estudos acadêmicos ao desenvolvimento no futebol. Nesse período, Akram Afif fez um programa de intercâmbio na Espanha e passou pelas bases de Sevilla e Villarreal.

Entretanto, seus primeiros passos entre os profissionais foram no Eupen, que tinha uma parceria com a Aspire Academy. Afif se destacou na segunda divisão belga e retornou ao Submarino Amarelo em maio de 2016, se tornando o primeiro atleta nascido no Catar a ser contratado por um time de LaLiga.

Só que o meia-atacante sequer foi utilizado pelo Villarreal, que o emprestou por uma temporada ao Sporting Gijón. Akram Afif, que já era uma joia na seleção catari, teve pouco espaço na elite espanhola, disputando apenas nove partidas, sendo duas como titular.

Já no início de 2017/18, o craque do Catar foi novamente cedido ao Eupen, que havia subido à primeira divisão da Bélgica. Embora tenha embalado uma sequência, Afif foi liberado no meio da temporada para o Al-Sadd, dando início a sua trajetória estrelada na terra natal.

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Idolatria no Al-Sadd com méritos

Akram Afif é o craque do Al-Sadd desde 2018 (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Akram Afif é o craque do Al-Sadd desde 2018 (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

Enquanto era renegado no futebol europeu, o meia-atacante já era uma realidade nas seleções de base, inclusive sendo campeão da Copa da Ásia sub-19 em 2014 com direito a gol do título na final contra a Coreia do Sul. A estreia no Catar principal aconteceu no ano seguinte, quando marcou um gol e deu uma assistência na goleada por 15 a 0 sobre o Butão, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Fundamental na seleção catari, Akram Afif então decidiu representar o maior campeão do país por empréstimo em janeiro de 2018 — só que as atuações de gala renderam uma transferência em definitivo um ano e meio mais tarde, tornando-o uma das lendas do futebol do Oriente Médio.

Feitos de Afif no Al-Sadd

  • 6 títulos da Qatar Stars League;
  • 3 títulos da Copa do Emir do Catar;
  • 2 títulos da Copa do Catar;
  • 1 título da Supercopa do Catar;
  • 2 vezes artilheiro da liga;
  • 2 vezes maior garçom da liga;
  • 3 vezes no time do ano da liga;
  • 2 vezes melhor jogador da liga

Multicampeão no país, o meia-atacante virou o grande símbolo do futebol catari. Nas duas últimas temporadas pelo Al-Sadd, Akram Afif atingiu 40 participações diretas em gols, atraindo convites para um retorno à Europa. Contudo, em entrevista à Fifa em outubro de 2024, ele deixou claro que a idolatria entre seu povo é muito mais importante.

— Todos os anos recebo propostas (do futebol europeu). Quero fazer história, quero fazer algo grandioso na minha vida, para que meus filhos e outras pessoas falem de mim, do que fiz pelo país, do que fiz pelo meu clube, do que fiz por mim mesmo — garante o meia-atacante catari.

Afif, o astro da seleção que permite ao Catar sonhar

Afif é o grande astro da seleção catari (Foto: Imago/Naushad)
Afif é o grande astro da seleção catari (Foto: Imago/Naushad)

O impacto de Afif em sua seleção é absoluto. Antes do meia-atacante, o Catar nunca havia chegado à semifinal da Copa da Ásia. Nas duas últimas edições, ele foi crucial para os dois títulos continentais atuando no lado esquerdo, mas com liberdade para se movimentar e destravar jogadas.

Afif também fez parte de um momento histórico ao participar da primeira Copa do Mundo da seleção catari, em 2022, ano em que o país sediou o torneio. Apesar da eliminação na fase de grupos com três derrotas, o meia-atacante apresentou bom futebol.

Já nas Eliminatórias Asiáticas, Afif liderou o Catar com quatro bolas na rede e 11 assistências nas 16 partidas que disputou para garantir a segunda participação consecutiva no Mundial. Terceiro jogador com mais jogos (132) e mais gols (41) da história de sua seleção, o meia-atacante espera fazer a diferença na América do Norte.

Com a expansão de 32 para 48 participantes, a seleção catari se permite sonhar com uma classificação ao mata-mata da Copa, cujos oito melhores terceiros colocados avançam para os 16-avos-de-final. No Grupo B ao lado de Canadá, Bosnia e Herzegovina e Suíça, esse objetivo parece mais acessível.

Com o espanhol Julen Lopetegui no comando, Akram Afif é a síntese de um Catar cada vez mais surpreendente. Capitão, líder e craque, o meia-atacante quer seguir fazendo história com sua seleção.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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