Copa do Mundo

Fifa discute acordo com Trump para suspender ações do ICE na Copa do Mundo

Alta cúpula da entidade aposta em boa relação entre dirigente e presidente dos EUA para evitar problemas no Mundial

A menos de dois meses para o início da Copa do Mundo, o clima de euforia tem dado lugar à tensão. Além da indefinição da participação da seleção do Irã no torneio devido ao conflito com Israel e Estados Unidos, a Fifa se preocupa com as ações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em solo americano.

Segundo o site “The Athletic”, o alto escalão da entidade discutiu com o presidente Gianni Infantino sobre a possibilidade dele pedir a Donald Trump que suspenda as operações contra imigrantes durante o Mundial. A Fifa aposta na boa relação entre os dois para evitar problemas com torcedores.

Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025 para o segundo mandato, o chefe de Governo dos EUA tem buscado implementar sua promessa de campanha de deportação em massa. A postura truculenta dos agentes do ICE ocasionou confrontos e até mortes de manifestantes que protestam contra a repressão.

Os assassinatos de Renee Good e Alex Pretti durante operações da polícia migratória em Minnesota são os casos mais emblemáticos. As dúvidas sobre o papel do ICE durante o torneio de seleções entre junho e julho têm assombrado a entidade máxima do futebol.

Por que Fifa teme operações do ICE durante Copa do Mundo?

Manifestantes anti-ICE pedem boicote à Copa do Mundo nos EUA (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Manifestantes anti-ICE pedem boicote à Copa do Mundo nos EUA (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

O jornal “Washington Post”, citando informações do próprio ICE, revelou que os agentes prenderam cerca de mil pessoas por dia nas seis semanas seguintes à morte de Pretti, no dia 24 de janeiro. Entre os detidos, 42% não tinham antecedentes criminais.

Todd Lyons, diretor interino da polícia migratória, já declarou anteriormente que os agentes desempanhariam um papel fundamental na garantia de segurança durante a Copa do Mundo. Ele argumentou que a principal função do ICE, como é comum em eventos esportivos, será focar em investigações de Proteção Interna.

Por outro lado, sindicatos e membros do Congresso estadunidense alertaram sobre a chance dos agentes estenderem as operações de imigração para locais próximos aos estádios que sediarão jogos da competição. Federações membros da Fifa também mostraram apreensão com ações do ICE contra seus torcedores.

A entidade máxima recebeu denúncias de violações dos direitos humanos feitas por fãs durante o Mundial de Clubes no ano passado, incluindo supostos avistamentos de policiais migratórios nos estádios. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) negou fiscalizações do ICE durante o torneio.

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Infantino se mostrou favorável à ideia de negociar com Trump

Trump e Infantino
Donald Trump e Gianni Infantin (Foto: IMAGO/ZUMA Press Wire)

Ainda de acordo com o “The Athletic”, Infantino informou à alta cúpula da Fifa que estava receptivo à ideia de negociar com Trump sobre a paralisação de batidas e operações proativas dos agentes migratórios durante os 39 dias de Copa. Ao todo, 78 jogos serão realizados em 11 cidades dos Estados Unidos.

Nos últimos meses, o presidente americano e o dirigente da entidade máxima do futebol se aproximaram, inclusive com aparições constantes de Gianni Infantino no Salão Oval, participações em reuniões do Conselho da Paz de Donald Trump, além de publicações nas redes sociais exaltando o representante republicano.

A Fifa espera que seu presidente usa a amizade com o líder dos EUA como moeda de troca para conseguir a moratória do ICE. Contudo, ainda não é certo que Infantino tenha feito o pedido a Trump, tampouco que ele aceitará ações mais brandas contra imigrantes.

O dirigente da Fifa tem tentado emplacar que o Mundial expandido para 48 seleções seja o “mais inclusivo” da história. Por outro lado, o presidente estadunidense tem dificultado a emissão de vistos, como restringindo a viagem de cidadãos de quatro países participantes do torneio (Costa do Marfim, Senegal, Haiti e Irã).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento. Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire
Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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