‘Fico feliz em não ter que tomar essa decisão porque Cristiano Ronaldo está em declínio’
Copa do Mundo de 2026 será a sexta edição do torneio a ser disputada pelo astro luso, atualmente no Al-Nassr
Cristiano Ronaldo está sempre no centro dos holofotes por onde quer que passe e, quando o ambiente é o da seleção portuguesa, a atenção só aumenta. Aos 41 anos, o artilheiro histórico de Portugal – com 143 gols em 226 jogos – é tema de discussão há algum tempo por conta de seu papel neste ciclo de Copa do Mundo. A grande pauta não é sobre a presença e sim sobre a titularidade absoluta de CR7 com Roberto Martínez.
A partir disso, o ex-goleiro da seleção dos Estados Unidos e de Tottenham e Liverpool, Brad Friedel, trouxe o debate à tona em entrevista ao “talkSPORT”, apesar de reconhecer a grande forma física e técnica de Cristiano Ronaldo.
— Todos os jogadores vão ter de se despedir em algum momento. As coisas são assim. Olhamos para o Ronaldo e ainda parece incrivelmente bem fisicamente, mas a forma como joga mudou — começou por dizer o ex-goleiro.
Ao abordar o estilo de jogo de CR7, que se alterou diante de suas características físicas e objetivos como atacante, Friedel destaca o aspecto defensivo do português como algo potencialmente prejudicial para as pretensões de sua seleção na Copa do Mundo.
— Chega uma altura em que determinado jogador pode ser prejudicial para a equipe em termos coletivos. Mas, ao mesmo tempo, também não é o tipo de jogador que você pode deixar no banco de reservas — afirmou.
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Friedel adicionou Messi ao debate
Brad Friedel não se resumiu a Cristiano Ronaldo na discussão e tratou de adicionar Lionel Messi como outro grande exemplo da dificuldade de gerenciar jogadores dessa importância e legado em seus respectivos países.
— Se você deixar Cristiano Ronaldo de fora da equipe titular, só vai se falar disso na Copa do Mundo. Estou muito grato por não ser eu a ter de tomar essa decisão. Porque, obviamente, acho que eles (Messi e Ronaldo) estão em declínio — disse Friedel.
Comparando os grandes astros do futebol neste século, Friedel pontuou um aspecto que pode atrapalhar menos a Argentina com Lionel Messi do que Portugal com Cristiano Ronaldo:
— Você é o treinador e vai jogar contra as melhores seleções do mundo defendendo com 10? É uma coisa difícil de fazer. A coisa boa de Messi é que nunca defendeu. As equipes sempre foram montadas para que se preocupasse em flutuar pelo campo. Sempre foi assim. Não tenho a certeza, mas vão ser decisões muito complicadas de tomar — finalizou o ex-goleiro.
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Ronaldo mudou sua postura defensiva?
Defensivamente, Cristiano Ronaldo passou a ter menos obrigações já nos tempo de Real Madrid. No período de sua transição de extremo para atacante, iniciado por Carlo Ancelotti em 2013/14, o português já se apresentava como o jogador com menos funções defensivas no time dos Blancos, que conquistou a décima Champions League naquele ano. O processo seguiu com Zinedine Zidane, que basicamente consolidou Cristiano como um centroavante.
Para trazer esta realidade para a seleção portuguesa, a Eurocopa de 2016 elucida a função de Ronaldo já como um atacante de área. E assim seguiu para as demais competições por Portugal. Dentro desse contexto, ainda com sua explosão como arma, CR7 flutuava em campo no momento defensivo, como o próprio Friedel se referiu a Messi.
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Ao contrário do que Brad Friedel aborda como principal questão para Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, a crítica está mais centralizada no contraste do que CR7 já ofereceu e oferece atualmente em situações ofensivas. Apesar de manter número incríveis, com 25 gols nos últimos 30 jogos por Portugal, o icônico atacante naturalmente não possui a mesma capacidade de movimentação e aceleração com e sem a posse.
Em certo momento, principalmente pelo desempenho na Copa do Mundo de 2022, acreditava-se que era uma questão de tempo para Gonçalo Ramos assumir a condição de titular na seleção. Porém, enquanto os números do centroavante do PSG caíram, os de CR7 se mantiveram de alto nível. Portanto, não é absurdo dizer que Cristiano Ronaldo pode manter a titularidade porque faz mais do que se esperava para a sua idade, mantém estatísticas de alto padrão e nenhum de seus concorrentes pede passagem.