Copa do Mundo Feminina: Cidades dos EUA consideram desistir de candidatura por embate com a Fifa
Problemas apresentados na organização do Mundial de 2026 têm pesado para arrastar o entrave
A forma como a Fifa tem conduzido as polêmicas envolvendo a Copa do Mundo de 2026 já pode ter reflexos no Mundial feminino de 2031. De acordo com o “The Guardian”, diversas cidades norte-americanas cotadas para sediar jogos da competição estariam considerando desistir da candidatura devido ao alto número de entraves registrados para o torneio masculino, que começará em junho deste ano.
Segundo o jornal, Chicago e Pittsburgh se recusaram a concorrer para sediar o Mundial Feminino. As razões, supostamente estariam relacionadas às exigências financeiras da Fifa.
No mês passado, a entidade adiou a confirmação das sedes da próxima edição da competição, anúncio que deveria ocorrer no final deste mês. A data para a confirmação ainda não foi especificada, embora a proposta conjunta dos Estados Unidos, México, Costa Rica e Jamaica seja a única em discussão no momento.
A Federação declarou que o atraso ocorreu porque planejava realizar um congresso extraordinário único para determinar as sedes de 2031 e 2035, assim como fez ao definir as sedes dos torneios masculinos de 2030 e 2034.
O jornal “The Athletic” informou que o governo dos Estados Unidos ainda não forneceu à Federação as garantias necessárias referentes às obrigações sobre vistos, impostos, segurança e proteção, normalmente concedidas pelo país anfitrião antes da conclusão do processo de candidatura.
No ano passado, a Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer), a principal entre as anfitriãs, destacou 14 estádios americanos como locais preferenciais em uma lista de 20 opções para o torneio com 48 equipes, além de outros 26 estádios indicados como possíveis sedes.
Sete desses 40 estádios estarão sediando partidas da Copa do Mundo masculina e, segundo o “The Guardian”, a experiência deles com a Fifa não tem sido uniformemente positiva.
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Segundo o periódico, o órgão máximo do futebol insistiu que as cidades-sede arquem com os custos de segurança em torno dos estádios neste verão, mas está retendo as receitas de transmissão, patrocínio e venda de ingressos, o que tem gerado tensões.
Entre os exemplos está o Gillette Stadium, localizado na cidade de Foxborough, no estado de Massachusetts. O estádio foi palco de uma longa disputa sobre quem arcaria com os custos de segurança no espaço só foi resolvida no mês passado. O Gillette Stadium também está na disputa para sediar o torneio em 2031.
Há também os problemas estruturais a serem resolvidos, como por exemplo o transporte público em muitas cidades-sede, já que muitas delas cancelaram as Fan Fests oficiais ou reduziram o número de dias em que estarão abertas. Eles deveriam funcionar em todas as cidades durante os 39 dias do torneio.
Segundo o “The Guardian”, a Fifa recusou-se a comentar, além de remeter a uma declaração emitida no mês passado sobre os processos de candidatura para as Copas do Mundo de 2031 e 2035.
— A Fifa convocará um congresso extraordinário antes do final de 2026. Este congresso extraordinário será um evento independente dedicado à apresentação das candidaturas, que destacará o crescente poder e influência do futebol feminino e do principal torneio feminino da Fifa –, afirmou a entidade.
Copa do Mundo de Rugby entra no foco
Em meio às divergências com a Fifa, os Estados Unidos têm visto como alternativa concentrar os esforços na candidatura à Copa do Mundo de Rugby masculina, que também acontece em 2031.
Segundo o “The Guardian”, a World Rugby recebeu manifestações de interesse de 27 cidades, totalizando 33 estádios, dos quais 20 estão presentes em ambas as listas.
Uma fonte ligada a uma das cidades informou ao periódico que manteve conversas com a Fifa e a World Rugby, e afirmou que esta última oferece muito mais liberdade comercial e tem menos exigências quanto ao acesso aos estádios.
A World Rugby anunciou sua lista de estádios pré-selecionados antes de uma partida entre Nova Zelândia e Irlanda em Chicago, em novembro passado, que atraiu um público de mais de 61.000 pessoas ao Soldier Field, com ingressos esgotados.
De acordo com o jornal inglês, essa lista será reduzida e deve ficar escolher entre 10 e 15 estádios por meio de um processo de licitação, o que provavelmente levará algumas cidades a escolherem para qual Copa do Mundo apresentarem propostas.
A entidade que gere o Rugby em escala mundial também reforçou que que financiará o evento e compartilhará os lucros ou prejuízos com a USA Rugby, em vez de exigir que os anfitriões arquem com o torneio.
O “The Guardian” informou que, na tentativa de atrair propostas de estádios da NFL, a World Rugby reduziu os períodos de acesso exclusivo durante os quais precisa ter controle dos locais, já que o torneio vai coincidir com a temporada de futebol americano de 2031/32.