Copa do Mundo

Como são escolhidos os árbitros para a Copa do Mundo?

Brasil terá três representantes no Mundial de 2026

A Fifa definiu os três árbitros brasileiros que integrarão o quadro de profissionais da Federação na Copa do Mundo de 2026. Raphael Claus (SP), Ramon Abatti Abel (SC) e Wilton Pereira Sampaio (GO) estarão presentes no torneio realizado nos Estados Unidos, México e Canadá.

Está será a primeira vez desde 1950 que o Brasil terá três árbitros em uma única edição do Mundial.

Além deles, os auxiliares Bruno Boschillia (PR), Bruno Pires (GO), Danilo Manis (SP), Rodrigo Figueiredo (RJ) e Rafael Alves (RS) também atuarão na competição e Rodolpho Toski Marques (PR) como VAR.

Ao todo, a Fifa selecionou 52 árbitros, 87 auxiliares e 30 árbitros de vídeo para a competição. O Brasil será o país com maior número de árbitros no Mundial.

Entre os árbitros, Claus e Pereira Sampaio retornam à competição após participarem da edição de 2022, no Catar. Já Abatti Abel fará sua estreia no torneio depois de participar da Copa do Mundo de Clubes no ano passado e apitar a final da disputa do futebol masculino nas Olimpíadas de Paris.

Ramon Abatti Abel será um dos árbitros brasileiros na Copa do Mundo de 2026 (Foto: IMAGO / Fotoarena)
Ramon Abatti Abel será um dos árbitros brasileiros na Copa do Mundo de 2026 (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Mas apesar de ter ganho espaço no cenário internacional, a escolha de Abatti para participar da Copa repercutiu após a atuação polêmica e controversa na partida entre São Paulo e Palmeiras em outubro do ano passado, o que fez com que ele fosse “ignorado” temporariamente pela CBF de escalações para partidas da Série A, sendo realocado para jogos da segunda divisão.

Um mês depois ele chegou a ser punido por 40 dias pelo STJD, onde ficou afastado das suas funções. Abatti retornou as atividades no início de 2026 e, nas suas primeiras três partidas, uma delas foi realizada fora do Brasil. O árbitro foi convidado pela Federação dos Emirados Árabes Unidos para a partida entre Al Jazira e Shabab Al Ahli.

Quais são os critérios da Fifa para escolha da arbitragem?

De acordo com a Federação Internacional de Futebol, os critérios para a escolha dos árbitros que embarcam para a Copa do Mundo é baseada na qualidade e no desempenho dos profissionais nos torneios da Fifa além, claro, das atuações nas competições internacionais e nacionais dos últimos anos.

De acordo com Massimo Busacca, ex-árbitro suíço e Diretor de Arbitragem da Fifa, a entidade máxima do futebol utiliza um programa de acompanhamento e suporte onde os juízes podem ser supervisionados pelos instrutores dos árbitros da Federação Internacional.

Ainda segundo Busacca, a ferramenta acompanha os profissionais de forma mais próxima e intensiva do que nos anos anteriores.

Raphael Claus, árbitro da Fifa (IMAGO / ZUMA Press Wire)
Raphael Claus, árbitro da Fifa (IMAGO / ZUMA Press Wire)

Antes do Mundial do Catar, em 2022, o dirigente reforçou que programas individuais também foram desenvolvidos no que diz respeito à saúde e condicionamento físico, onde cada árbitro seria monitorado meses antes do torneio e que resultaria em uma avaliação final de aspectos técnicos, físicos e médicos a serem feitos pouco antes da Copa do Mundo.

Ao longo dos últimos anos, os profissionais selecionados para o Mundial receberam um aprimoramento oferecido pela federação internacional.

Segundo a Fifa, sua lista final se baseou “nas habilidades e na personalidade de cada árbitro, bem como em seu nível de entender o futebol e a habilidade de ler tanto o jogo quanto as táticas empregadas pelos times”.

No ciclo para a Copa de 2018, por exemplo, o programa da Fifa contou com seminários preparatórios, se debruçando sobre “o fair play, a proteção dos jogadores e a imagem do jogo, bem como consistência e uniformidade”.

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Como foram as atuações dos árbitros brasileiros na Copa de 2022?

Wilton Pereira Sampaio e Raphael Claus retornam à Copa depois de representarem o Brasil no Catar. O goiano teve a sua participação no Mundial bem avaliada pela comissão de arbitragem da Fifa. Junto ao conterrâneo Bruno Pires, além do paranaense Bruno Boschilia, o trio de arbitragem foi o que mais atuou no Mundial, com quatro partidas.

No entanto, Wilton também não saiu ileso do torneio. Ele apitou o clássico europeu entre Inglaterra e França nas quartas de final e, diante de um confronto movimentado com direito à pênaltis a favor da Inglaterra e checagem do VAR, chegou a receber reclamações das duas equipes. Harry Maguire e Jude Bellingham foram duros ao avaliar o brasileiro.

Maguire declarou em entrevista à “BBC” que não consiguia “explicar o quão ruim o desempenho dele foi”. “Mas até as grandes decisões foram erradas, ele não nos deu nada durante o jogo. Realmente ruim”, completou o zagueiro

Jude Bellingham reforçou o coro ao afirmar em entrevista à “ITV” que a atuação do brasileiro “não foi boa, para ser honesto”.

— Todo mundo pode ter um dia ruim, jogadores, árbitros. Mas eu acho que ele não estava no nível que que um jogo desses exige” — afirmou o meia.

Jude Bellingham e Wilton Pereira Sampaio durante Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / Ulmer/Teamfoto)
Jude Bellingham e Wilton Pereira Sampaio durante Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / Ulmer/Teamfoto)

Já Raphael Claus foi mencionado na análise do jornalista Russell Lewis, do veículo “NPR”, pelos excessivos acréscimos durante a competição e mencionou a partida entre Inglaterra e Irã. O brasileiro estabeleceu um novo recorde, com os acréscimos mais longos da história dos Mundiais, segundo a “Opta Facts”.

— Em Copas do Mundo anteriores, um árbitro podia acrescentar três ou quatro minutos a um tempo. Mas esta Copa do Mundo é diferente. Durante o jogo entre Inglaterra e Irã na segunda-feira, o árbitro acrescentou 15 minutos ao primeiro tempo (principalmente devido a uma lesão do goleiro iraniano) e mais 14 minutos ao segundo tempo — escreveu o periodista.

O comentarista Paulo Cesar de Oliveira, ex-árbitro, apontou uma ‘falta de critério’ de Claus e do VAR no pênalti marcado para o Irã contra a Inglaterra.

— Eu vejo uma falta de critério. Ele vai no monitor e tem que sair com a melhor decisão, mas em velocidade normal eu não vejo impacto para a marcação do pênalti. Eu, como VAR, não chamaria — declarou durante o programa “Central do Apito”.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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