Por que sobram ingressos para um dos jogos mais simbólicos da Copa do Mundo?
Entidade enfrenta polêmicas com venda de ingressos para jogos de diferentes países
Com a proximidade da Copa do Mundo, a Fifa ainda enfrenta uma sequência de problemas que precisam ser resolvidos, tanto estruturais quanto políticos. Entre os principais deles está a venda de ingressos, que agora inclui o jogo de estreia do principal país-sede: os Estados Unidos.
De acordo com “The Athletic”, a partida marcada para o dia 12 de junho contra o Paraguai tem preços altíssimos e está ficando para trás em relação a outros jogos realizados em Los Angeles. O país novamente será sede, depois de ter recebido o torneio em 1994, quando o Brasil superou a Itália nos pênaltis para levantar a taça pela quarta vez em sua história.
O veículo teve acesso a um documento, datado em 10 de abril, informando que — até aquele momento –, 40.934 ingressos tinham sido vendidos. Os números estão abaixo do duelo entre Irã e Nova Zelândia, um jogo de menor apelo, por exemplo, que conseguiu comercializar 50.661 bilhetes. Ambos os jogos acontecerão no mesmo local, o SoFi Stadium, onde os funcionários até ameaçaram entrar em greve.
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Segundo a reportagem, a Fifa indica que a capacidade do estádio para a Copa do Mundo de 2026 é de 69.650 lugares. No entanto, o documento não sugere necessariamente a quantidade de assentos disponíveis, pois não está claro se os números incluem ingressos para áreas VIP e outros tipos de bilhetes que não foram vendidos ao público em geral.
Questionada sobre o tema, o “Athletic” afirmou que a Fifa se recusou a fornecer esse contexto, e que o comitê organizador de Los Angeles também não quis comentar.
Por que ingressos para jogo dos EUA não vendem bem?
Quando a Fifa colocou os ingressos à venda pela primeira vez, ainda no mês de outubro, a entidade definiu o preço da partida de 12 de junho como a terceira mais cara de toda a Copa do Mundo, atrás apenas da final e de uma semifinal.
Isso ficou refletido na tentativa de venda dos ingressos das categorias 1 e 2 — com preços de US$ 2.730 e US$ 1.940, respectivamente — que permaneceram disponíveis em todas as fases de venda subsequentes, o que foi visto como uma clara indicação de que os torcedores acabaram desistindo da compra devido aos valores.
Os dados de vendas compartilhados com os organizadores de Los Angeles também indicavam que, até 10 de abril, a outra partida dos EUA no SoFi Stadium também apresentava baixa procura. Constavam menos de 40 mil ingressos vendidos para o jogo contra a Turquia.
As provas foram ainda mais evidentes quando, por outro lado, na maioria dos outros jogos, os torcedores compraram uma porcentagem maior dos ingressos disponíveis. Um dos exemplos foi a venda de cerca de 47 mil lugares para Suíça x Bósnia e Herzegovina e mais de 50 mil para as duas partidas do Irã em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica.
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O que acarretou em outra polêmica: o aumento nos preços dos ingressos. Percebendo uma demanda “sem precedentes”, a Fifa decidiu aumentar os preços da maioria das partidas com certa frequência em centenas de dólares, o que tem gerado uma grande repercussão devido à onda de reclamação por parte dos torcedores.
Com os bilhetes estocados, o duelo entre Estados Unidos e Paraguai se tornou a única partida com um país coanfitrião — EUA, Canadá ou México — que não teve aumento de preços nos últimos seis meses.
Contudo, o site ponderou que as vendas relativamente lentas dos ingressos para a partida entre Estados Unidos e Paraguai provavelmente são resultado da política de preços, mas também talvez de uma avaliação equivocada da popularidade da seleção americana.
— A equipe tem tido dificuldades para atrair um grande público aos estádios da casa nos Estados Unidos durante o ciclo da Copa do Mundo de 2026 e em edições anteriores. No sul da Califórnia, em particular, a seleção masculina dos EUA raramente jogou diante de uma torcida local. Quando enfrentou Panamá e Canadá em jogos duplos da Liga das Nações da Concacaf, em março de 2025, a grande maioria dos assentos estava vazia no início das partidas, com a maioria dos compradores de ingressos aparentemente mais interessada na partida contra o México, que aconteceria mais tarde naquela noite — relembrou “The Athletic”.
A seleção americana costuma ter maioria nos estádios em casa apenas quando manda jogos em estados que são mais frios em boa parte do ano. Não é segredo que a US Soccer prefere sempre levar partidas competitivas contra o México para Columbus, em Ohio. Colorado e Minnesota são outras opções que ajudam a seleção local.
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O malabarismo da Fifa para tentar reverter a situação
A Fifa, então, passou a se movimentar para tentar mudar o cenário, colocando os ingressos como “fase de vendas de última hora” em seu site, ação que tem surtido efeito ainda de forma lenta. Foram oferecidos ingressos em qualquer uma das três categorias principais, mas pelos mesmos preços disponíveis no site da Fifa, mais uma “taxa de processamento” de 10%.
Entretanto, compradores que adquiriram ingressos antecipadamente estão agora vendendo seus bilhetes em sites de revenda por preços abaixo do valor.
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No dia 9 de abril, quando o “Athletic” começou a monitorar diariamente a disponibilidade de entradas à venda para o jogo, havia 2.529 ingressos disponíveis por ordem de chegada. Dez dias depois, em 19 de abril, esse número havia caído para 2.232.
— Em outras palavras, parece que os ingressos para essa partida — anunciada como a glamorosa abertura da parte americana do torneio — estão sendo vendidos a um ritmo de algumas dezenas por dia. Aparentemente, alguns ingressos foram adicionados durante esse período de 10 dias, então talvez mais de 300 tenham sido vendidos, mas, em geral, o estoque por setor permaneceu estável — afirmou a reportagem.