Por que Rayan se destaca mais do que Raphinha e merece titularidade na Seleção
Atacante do Bournemouth ascendeu ao time titular diante de lesão do camisa 11 e se destacou em vitória sobre a Escócia
Sem Raphinha, sem problemas. Depois de ser titular nos dois primeiros jogos da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, o camisa 11 foi ausência contra a Escócia, em vitória por 3 a 0, e continua fora do time nesta segunda-feira (29) nos 16-avos de final diante do Japão.
Com uma lesão muscular na coxa pela quarta vez nesta temporada, ele pode retornar a partir de uma eventual oitavas de final. Mesmo assim, Carlo Ancelotti encontrou seu substituto em Rayan. E em um retorno do titular na posição na ponta-direita, a tendência é que o treinador tenha dúvidas de qual seria a melhor opção para os 11 iniciais.
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
Isto porque, contra a Escócia, quando Rayan foi titular desde o primeiro minuto, o Brasil conquistou seu melhor desempenho nesta Copa do Mundo: vitória por 3 a 0, com defesa e ataque sólidos durante os 90 minutos. Além disso, o atacante do Bournemouth conseguiu cumprir aquilo que Ancelotti pediu na ponta-direita, reforçando a pressão na saída de bola — e até teve chances de marcar.
— Ele fez um trabalho completo. Ofensivo e defensivo. Estou satisfeito com o jogo que ele fez. É jovem, tem maturidade e trabalha muito. Ninguém sabe o nível em que ele pode chegar — afirmou o técnico italiano após o confronto
Rayan ajudou a potencializar desempenho de Vini Jr. contra a Escócia
Rayan e Raphinha têm características diferentes. Enquanto o camisa 11 se destaca pela explosão e velocidade em atacar espaços, o atacante do Bournemouth pode conduzir mais a bola e até atuar centralizado como um meia. O blaugrana, que iniciou a Copa do Mundo também centralizado, não rendeu aquilo que se esperava diante de Marrocos.
Já Rayan, que teve de entrar no início do primeiro tempo contra o Haiti, se consolidou na partida diante da Escócia. É da sua pressão sobre o adversário que surge o primeiro gol do Brasil, logo nos primeiros minutos de jogo. Depois, em boas conexões com Bruno Guimarães, teve duas chances de ampliar o marcador.
Diferentemente de Raphinha, o posicionamento de Rayan permite que a Seleção extraia o melhor de Vini Jr. Em campo, o camisa 26 cai pela direita, mas próximo ao meio-campo. Vini, por outro lado, pode explorar tanto a lateral-esquerda quando o centro da área — como no ocorreu nos dois gols que marcou diante da Escócia.
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Com Raphinha em campo, os dois precisam dividir o espaço central. Por vezes, como ocorreu na estreia diante de Marrocos, esse espaço fica sem ninguém, já que os dois precisam cumprir a mesma função — principalmente após a saída de Igor Thiago. Matheus Cunha, na formação ideal de Ancelotti, atua como um falso 9, próximo aos homens de meio-campo, e permite essa aproximação de Vini Jr. como um “ponta-esquerda centralizado”.
Ancelotti já afirmou que prefere não encher os jogadores de ideias ofensivas nos treinamentos, para permitir que eles se desenvolvam da melhor maneira por conta própria. Na “simbiose” entre Rayan e Vini Jr, ainda que o jovem do Bournemouth possa atacar este espaço centralizado, é o camisa 7 quem tem a “prioridade” na área.
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Reforço defensivo de Rayan auxilia seleção brasileira na Copa do Mundo
No Barcelona, Raphinha é mais ofensivo e artilheiro do que Rayan. Mesmo com as três lesões que sofreu pelo clube ao longo desta temporada, ele somou 21 gols em 33 partidas pelo clube espanhol. Para a seleção brasileira, além de não ter conseguido repetir este nível de desempenho até aqui na Copa do Mundo, não entrega os mesmos números defensivos em comparação com o jovem de 19 anos.
Rayan entrou “na fogueira” diante do Haiti. Depois de estudar o adversário e em conversas com Ancelotti, se encontrou diante da Escócia. Ele teve três contribuições defensivas na última rodada do Grupo C, e auxiliou no trabalho conjunto com o lateral Danilo pela direita.
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Em comparação, Raphinha não contribuiu com desarmes ou interceptações diante de Marrocos. Cabe ressaltar que, naquela ocasião, a seleção brasileira como um todo esteve em um nível abaixo. Mesmo quando inverteu de posição com Lucas Paquetá no segundo tempo, esse problema se manteve.
— Acho que é minha parte defensiva (que ninguém percebe), desde o ano passado venho evoluindo nessa parte. Ele (Ancelotti) pede para a gente marcar primeiro para depois jogar e acho que esta parte é importante — afirmou o jogador, em entrevista coletiva nesta semana.
Rayan também se destacou na armação. Ele teve 100% de aproveitamento nos passes e somou quatro passes-chave na partida, que resultam em finalizações. Em números gerais, ele tem mostrado um maior comprometimento tático do que seu companheiro de posição pela direita.
Não fosse pela lesão de Raphinha, dificilmente Rayan teria esta minutagem e oportunidades na Copa do Mundo. Por outro lado, com o jovem, será a primeira vez, depois de 15 partidas, que Ancelotti repete uma escalação à frente da seleção brasileira.