Copa do Mundo 2026

‘É impressionante o que uma Copa pode fazer por um jogador. Ele pode sair muito valorizado’

Ídolo argentino enaltece crescimento de meia colombiano e vê Mundial como ponto de virada na carreira do jovem

Há pouco mais de um ano, Gustavo Puerta ainda tentava reencontrar o caminho da carreira depois de uma sequência de empréstimos e de poucas oportunidades no futebol alemão e inglês. Hoje, o volante de apenas 22 anos vive uma realidade completamente diferente. Titular da Colômbia na Copa do Mundo 2026, ele transformou o torneio no principal palco de afirmação da carreira e já desperta olhares ainda mais atentos do mercado internacional.

Quem resumiu esse momento foi Jorge Valdano. O ex-jogador argentino destacou o impacto que o Mundial pode ter na trajetória do colombiano após a atuação consistente no empate sem gols diante de Portugal.

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— É curioso porque o Puerta joga na segunda divisão espanhola. É verdade que subiu à primeira divisão com o Racing e teve um desempenho notável ao longo da época, mas é impressionante o que um Mundial pode fazer por um jogador. Este rapaz pode sair muito valorizado deste Mundial. Não sei por que valor terá chegado ao Racing de Santander, mas certamente por muito pouco, porque uma equipe da segunda divisão não pode se dar ao luxo de gastar três ou quatro milhões numa contratação desta categoria.

As palavras de Valdano refletem um cenário que começa a ganhar força durante a competição. Embora já tivesse encerrado a última temporada em alta ao ajudar o Racing Santander a conquistar o acesso à elite espanhola, Puerta ainda era um nome distante do grupo dos jogadores mais valorizados do mercado europeu. As exibições com a camisa da seleção colombiana, porém, podem alterar rapidamente essa percepção.

Gustavo Puerta: da segunda divisão da Espanha ao protagonismo na seleção colombiana

Puerta vem fazendo excelente Copa do Mundo pela Colômbia
Puerta vem fazendo excelente Copa do Mundo pela Colômbia (Foto: Martin Fonseca / ZUMA Press Wire / IMAGO)

A presença de Puerta entre os titulares da Colômbia sequer parecia garantida durante boa parte do ciclo de preparação para a Copa do Mundo. O volante ganhou espaço apenas na reta final, depois de convencer a comissão técnica nos dois últimos amistosos antes do torneio. O bom desempenho foi suficiente para assumir a vaga que anteriormente pertencia a Richard Ríos, presença constante na equipe.

Desde então, a aposta tem dado resultado. O camisa colombiano foi um dos destaques na vitória sobre o Uzbequistão, pela estreia, e voltou a receber elogios após controlar o meio-campo diante de Portugal. Mais do que números, chamou atenção pela capacidade de proteger a defesa, pressionar os adversários e ocupar espaços com intensidade durante toda a partida.

A evolução ganha ainda mais relevância quando se observa o contexto da carreira. Puerta é o jogador mais jovem do elenco colombiano e chegou ao Mundial sem o status de estrela. Em poucas partidas, entretanto, passou a ser visto como uma das principais revelações da competição, reunindo características que valorizam um meio-campista moderno: intensidade sem a bola, boa leitura tática e capacidade para dar equilíbrio ao time.

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Superação marcou a trajetória de Puerta antes da Copa

Gustavo Puerta em ação pelo Racing Santande
Gustavo Puerta em ação pelo Racing Santander (Foto: Ricardo Larreina / IMAGO)

A ascensão do volante também é consequência de um percurso marcado por obstáculos desde as categorias de base. Apesar da qualidade técnica reconhecida pelos treinadores, Puerta precisou superar limitações físicas nos primeiros anos de formação. Considerado abaixo da estatura ideal para a idade e acima do peso, ele mudou hábitos, disciplinou a alimentação e conseguiu acelerar seu desenvolvimento.

Depois de iniciar a carreira profissional no Bogotá FC, o colombiano viveu o primeiro grande salto ao disputar o Mundial Sub-20 de 2023. As atuações chamaram a atenção de clubes europeus e abriram as portas para uma transferência ao Bayer Leverkusen.

A passagem pelo clube alemão, no entanto, ficou distante das expectativas. Sem espaço sob o comando de Xabi Alonso, Puerta acumulou poucas oportunidades e voltou a conviver com a instabilidade. Em busca de minutos, passou por empréstimos ao Nürnberg, na Alemanha, e ao Hull City, da Inglaterra, até encontrar no Racing Santander o ambiente ideal para recuperar a confiança.

Na última temporada, tornou-se peça importante na campanha que recolocou o clube na primeira divisão espanhola. O desempenho consistente serviu como credencial para receber uma oportunidade na seleção principal justamente às vésperas da Copa do Mundo.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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