Copa do Mundo 2026

Colômbia x Portugal: Como jovem mudou Arias de posição e equilibrou lado mais decisivo

Meia de 22 anos é supresa da seleção colombiana na Copa do Mundo e serve para potencializar artilheiro improvável

A seleção colombiana tem cumprido as expectativas na Copa do Mundo, vencendo Uzbequistão e República Democrática do Congo, o que faz depender apenas de um empate com Portugal na última rodada para ser líder do grupo K. Essa campanha, até o momento, vem com um destaque claro: o lateral-direito Daniel Muñoz, autor de dois gols. Mas o brilho dele só é possível graças a um titular improvável.

O defensor tem jogado quase como um atacante na ponta, de onde marcou gols que abriram o placar nas duas vitórias. A liberdade ofensiva de Muñoz vem por uma mudança do técnico Nestor Lorenzo ao incluir o jovem Gustavo Puerta no time titular.

É surpreendente o espaço rápido que o meio-campista de 22 anos conquistou nos Cafeteros. Ele não fez uma partida sequer pelas Eliminatórias e só estreou por seu país em novembro de 2025.

Aos poucos, em amistosos, galgou seu espaço e, no último teste pré-Mundial, firmou sua posição como um meia à direita, se aproveitando da má fase de Richard Ríos, ex-Palmeiras. É dessa forma que ele moveu John Arias para um “volante” — em vez de ponta direita, como atuou em boa parte do ciclo — e equilibra o time do lado destro, mesmo lugar onde estão Muñoz e James Rodríguez.

Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
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Gustavo Puerta em jogo da Colômbia
Gustavo Puerta em jogo da Colômbia (Foto: IMAGO / Eyepix Group)

O papel decisivo de Gustavo Puerta na Colômbia durante a Copa do Mundo

Na formação de Lorenzo, algo próximo de um 4-3-3, Puerta se posiciona à direita do meio-campo. No momento com a posse de bola, na saída de bola próxima do grande círculo, o jogador recua para o lado do campo e abre o corredor para o lateral subir, também garantindo que James, que parte desse lado para dentro, tenha segurança de recompor quando perder a posse.

Foi exatamente esse movimento que antecedeu o primeiro gol colombiano na Copa: o jovem voltou para a ala direita, Muñoz infiltrou e recebeu lançamento de Luis Díaz antes de abrir o placar contra o Uzbequistão. Essa função também garante apoio aos zagueiros na saída de bola.

Puerta recuou para lateral e deu liberdade para Muñoz atacar última linha em gol da Colômbia
Puerta recuou para lateral e deu liberdade para Muñoz atacar última linha em gol da Colômbia (Foto: Reprodução/CazeTV)

O papel do meia, porém, vai além disso. Praticamente não pisando na área, ele se aproveita do jogo com muitos jogadores por dentro para se movimentar, tendo liberdade para flutuar por toda a entrada da área e até mais recuado no meio para apoiar Jefferson Lerma na construção.

Assim, Puerta dá opção de passes e distribui — ainda contra os uzbeques, só teve índice de passes certos (94%) abaixo de Arias (99%) –, mas também tem a possibilidade de finalizar: de fora da área contra a RD Congo, tentou cinco chutes e exigiu boas duas vezes do goleiro adversário, sendo o líder do time nesse quesito.

Foi também nessa partida que se envolveu mais na criação colombiana, com 10 passes que quebraram linhas de marcação, segundo dados da Fifa. Uma das chances mais claras frente aos africanos veio em um grande passe dele para o pivô de Suárez e cavadinha de Lerma antes de Díaz finalizar para defesa de Lionel Mpasi.

No momento defensivo, Gustavo Puerta também serve para “descansar” James, porque é ele que recompõe pelo lado direito em um 4-4-2 para que o meia fique isolado na frente junto com o atacante Luis Suárez. Sua agressividade sem a bola garantiu uma roubada de bola no meio e uma assistência para Luis Díaz devolver a vantagem contra o Uzbequistão.

Sem a bola, Colômbia joga em 4-4-2; Puerta vira meia direita
Sem a bola, Colômbia joga em 4-4-2; Puerta vira meia direita (Foto: Reprodução/CazeTV)

— Esse é o papel, é isso que o treinador me pede. Tento fazer o que ele pede. Quando é hora de dar um carrinho, dou um carrinho. Quando é hora de jogar, jogo — disse após o jogo com a RDC.

Em uma partida contra Portugal neste sábado (28), em que a Colômbia passará boa parte do tempo sem a posse de bola contra um adversário muito qualificado, o camisa 14 terá novamente um papel importante na fase defensiva. Aos 22 anos, o jogador do Racing Santander pode ser um daqueles destaques de Copa do Mundo que se muda para um clube maior ao fim da competição.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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